Aqui, faço-me imagem, som e palavra. Aqui, detenho-me, observo e aguço todos os sentidos para apreciar a Vida seguindo seu curso, com toda sua beleza e arte, em detalhes e sutilezas. Aqui, o melhor de mim. Sou Aline.
Num mundo tão caótico, cada vez mais incompreensível, tendemos a perder a esperança de mudanças significativas e transformações. E aí...
Eu, aqui do meu casulo, acredito que iniciativas pessoais e pequenos gestos podem fazer a diferença. Senão para o planeta, pelo menos, para algumas pessoas. No desdobramento dessas ações e reações alguma coisa positiva advirá.
O inglês Steve Wheen, inspirando-se na “jardinagem de guerrilha” que consiste num movimento de ativismo político, onde terrenos abandonados ou negligenciados por seus donos legais são utilizados para plantio de culturas alimentares ou decorativas, criou sua versão bem humorada que repercutiu no mundo inteiro: um protesto em forma de arte. Miniaturas de jardins são plantadas nos buracos das ruas e calçadas. Seu comprometimento não é só com a cidadania, apontando o estado de abandono das grandes cidades, mas com a tentativa de criar beleza, um minuto de alegria e felicidade.
Diz ele: “Para mim, isso está tornando algo de péssima qualidade em algo feliz. Pelo menos faz com que as pessoas parem e pensem sobre o ambiente em torno deles e espero que também faça-os desacelerar um pouco. As pessoas hoje em dia estão sempre tão ocupadas que acho que meus jardins podem dar uma acalmada nisso tudo.”
Gostei da ideia. Fiquei pensando que se nós, no Rio de Janeiro, fizéssemos o mesmo, passaríamos a viver numa imensa, colorida e aprazível área verde a perder de vista. Não é tentador?
Este é um pequeno trecho do show chinês chamado “Sonho meu”. O tema é sobre Guanyin (deusa da
misericórdia) que há muito tem ocupado um lugar único, não só no budismo, mas
também na cultura chinesa.
Segundo a lenda, Guanyin, a filha mais nova de um
rei, desafiou o pai quando ele procurou um marido para ela. O rei mandou-a para
um mosteiro, o que só reforçou sua determinação. Ele, então, ordenou que o
mosteiro fosse incendiado e que sua filha fosse executada. Ela foi encontrada
sentada, recitando sutras e quando
estava prestes a ser decapitada, a espada se partiu em duas e um tigre surgiu
repentinamente levando-a para a floresta.
Quando o rei adoeceu, ela cortou os braços e arrancou os olhos em sacrifício.
Ele, entristecido, rogou aos céus e Guanyin recebeu braços e olhos aos
milhares. Curvando-se diante de seu pai, pediu-lhe permissão para praticar boas
ações - os braços e olhos alcançam e compreendem todos os necessitados.
No show, os bailarinos representam a deusa para
enviar sua mensagem de amor universal. As mulheres vestidas de branco estão lá
para ajudá-los a manter o ritmo, pois são todos surdos.
Fossem
meus os tecidos bordados dos céus,
Ornamentados com luz dourada e prateada,
Os azuis e negros e pálidos tecidos
Da noite, da luz e da meia luz,
Os estenderia sob os teus pés:
Mas eu, sendo pobre, tenho apenas os meus sonhos;
Eu estendi meus sonhos sob os teus pés;
Caminha suavemente, pois caminhas sobre meus sonhos.
Texto original:
Aedh wishes for the cloths of heaven
Had I the heavens’ embroidered
cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.
Não consigo pensar em pães caseiros, cheirosos e
quentinhos sem lembrar-me de Rosemere. Querida amiga, amorosa mãe e esposa,
Mere faz os melhores pães do mundo. De todos os jeitos, sabores e cores. É
sempre um momento especial vê-la sovando a massa com mãos fortes e hábeis e
aquele brilho nos olhos de quem sente imenso prazer em agradar família e amigos.
Surpreendente e sábia Mere que entendeu, há muito
tempo, que ser feliz é ser mulher em sua essência. Sem complicações ou conflitos.
Simples assim.
Descobri-me cozinheira há poucos anos. Morando sozinha durante muito tempo, não existia desassossego gastronômico. Contentava-me com comidinhas instantâneas, práticas, de preferência prontas. Massas?! Conheço todas. Saladas?! Nada mais me surpreende.
Mas tudo muda e eis que me surgiu... Um Marido!!! Não um marido qualquer, senhoras e senhores, não, longe disso, mas um que cresceu acostumado com comidas de “sustança”. Avaliei os prós e contras e, artesã que sou, aceitei o desafio. Arregacei as mangas e coloquei mãos à obra. Bem, o esforço tem sido grande. Ainda não sei se os eventuais sucessos devem-se à minha intuição e bom senso ou a um talento consistente. Devo confessar que tenho estudado muito. Livros e Blogs de culinária tem sido de muita ajuda. Conto, também, com o estímulo do marido que possui uma infatigável capacidade de considerar tudo que faço uma obra prima. E saibam, ele é sincero.
Consequências à parte – alguns “quilinhos” a mais -, o saldo tem sido positivo. Divirto-me a maior parte do tempo e aprecio a ideia de expressar sentimentos através de atos e não somente palavras.
Deixo aqui, um trecho do livro “Os passos perdidos”, do excelente escritor cubano Alejo Carpentier e a leveza (?!) de um delicioso vídeo de animação para alimentar a autoestima e o bem estar. Bon Appetit!
“O Sol, metido em cheio nas ruas, ricocheteando nos cristais, tecendo-se em fios inquietos sobre a água dos tanques, pareceu-me tão estranho, tão novo, que para colocar-me diante dele tive de comprar óculos escuros. Em seguida tratei de me dirigir ao bairro do casarão colonial, em cujos arredores devia haver lojas de quinquilharias e antiquários. Ao subir uma rua de calçadas estreitas detinha-me, às vezes, para contemplar os objetos expostos por pequenas casas comerciais, cujo arranjo evocava artesanatos de outros tempos: eram as letras floreadas do Tutilimundi, a Bota de Ouro, o Rei Midas e a Harpa Melodiosa, junto ao Planisfério pendurado num alfarrabista, que girava à mercê da brisa. Numa esquina, um homem abanava a chama de um fogareiro sobre o qual se assava um pernil de bezerro, cravado de alhos, cujas gorduras rebentavam em fumaça acre, sob uma orvalhada de orégano, limão e pimenta. Mais à frente ofereciam-se sangrias e carapinhadas, sobre as gotas de óleo caídas do pescado frito. De súbito, um calor de fogaças mornas, de massa recém-assada, brotou dos respiradouros de um porão, em cuja penumbra labutavam, cantando, vários homens, brancos da cabeça aos pés. Detive-me com deleitosa surpresa. Fazia muito tempo que esquecera essa presença da farinha nas manhãs, lá onde o pão, amassado não se sabia onde, trazido de noite em caminhões fechados, como matéria vergonhosa, tinha deixado de ser o pão que se parte com as mãos, o pão que o padre reparte após benzê-lo, o pão que deve ser tomado com gesto reverente antes de se partir sua casca sobre a grande tigela de sopa de alhos-porós ou de aspergi-lo com azeite e sal, para voltar a encontrar um sabor que, mais que sabor de pão com azeite e sal, é o grande sabor mediterrâneo que já levavam pegado à língua os companheiros de Ulisses.”
Maravilhosos músicos portugueses cuja proposta, desde
o começo do Grupo em 1986, foi sempre a de mostrar - de forma contemporânea - a sonoridade única da
palavra cantada aliada à nostalgia e a saudade do fado.
Em mim, a cada vez que ouço a suavíssima voz de Teresa
Salgueiro, a emoção é quase visceral.
John William Waterhouse (1849-1917), carinhosamente
conhecido como “Nino” na juventude, nasceu em Roma. Seus pais eram pintores
ingleses que migraram para a Itália em busca da arte. Enquanto crescia, Waterhouse
ajudou seu pai em seu estúdio, onde desenvolveu seu talento para pintar e
esculpir. Foi um dos raros artistas que se tornaram populares e tiveram retorno
financeiro enquanto estava vivo.Embora muitas vezes classificado como pré-rafaelita
por seu estilo e temas, Waterhouse é verdadeiramente um pintor neoclássico. Ele pintou mais de duzentas telas retratando
personagens femininas da mitologia clássica, temas históricos e literários.Sua combinação de poesia, mitologia e femme fatale
mística é absolutamente notável. Um mestre.
"The lady of Shallot" (1888)
Um poema de Tennyson “The lady of Shallot” de 1883,
conta a história de uma mulher que sofre de uma maldição e vive isolada numa
torre perto do castelo do rei Arthur. Ela está autorizada a ver o mundo exterior
através do seu reflexo em um espelho. Um dia, ela vislumbra o belo cavaleiro
Lancelot refletido, não consegue resistir e olha diretamente para ele. Como punição tem
que seguir, até a morte, em um barco à deriva cantando sua última canção.
"Psyche opening the golden box" (1903)
Psyche, a filha de um rei, provocou a ira de Vênus que
olhou para ela como uma rival. Vênus instruiu Cupido, seu filho, para infectar
o coração de Psyche com o amor por um pária, mas Cupido apaixonou-se por ela e
passou a visitá-la todas as noites. Achando que Psyche seria incapaz de
resistir à sua beleza, permaneceu invisível e proibiu-a de olhar para ele.
Curiosa, Psyche pegou uma lâmpada e, enquanto Cupido dormia, iluminou-o.
Assustada com sua beleza, ela deixou que uma gota de óleo quente acordasse o
deus. Pela sua desobediência, Cupido partiu. Ela vagueou pela terra em busca de
seu amado, enfrentando obstáculos jogados em seu caminho por Vênus até Júpiter
se apiedar e torná-la imortal para que se reunisse a Cupido.
"Ophelia" (1894)
"Ophelia lying in the meadow" (1905)
Ophelia é uma mulher bonita e de mente simples,
facilmente moldada pelas opiniões e desejos dos outros. Essa fraqueza de
espírito e vontade permitiu a sua obediência ao pai que a usou como isca em
seus propósitos, destruindo assim suas chances de amor com Hamlet levando-a à
loucura e à morte. Ela estende a mão para a beleza de flores penduradas em um
salgueiro e, de alguma forma, se afoga.
"Pandora" (1896)
Zeus ordenou a Hefesto, deus do fogo e dos metais, que
criasse uma mulher perfeita e que a apresentasse à assembléia dos deuses. Ele o
fez, usando água e terra. Os deuses dotaram-na com muitos talentos. Recebeu de
um a graça, de outro a beleza, de outros a persuasão, a inteligência, a
paciência, a meiguice, a habilidade na dança e nos trabalhos manuais. Ela
recebeu o nome de Pandora, que em grego quer dizer “todos os dons”. Quando Prometeu roubou o fogo do céu, Zeus, por
vingança, apresentou Pandora a Epitemeu, irmão de Prometeu. Entregou a Pandora
uma caixa fechada com a ordem de não abri-la sob nenhuma circunstância.
Impelida por sua curiosidade, Pandora levantou a tampa e todo o mal contido
espalhou-se pela terra, exceto uma coisa que estava no fundo – a esperança.