terça-feira, 19 de março de 2013

Fragile - Glass Duo





Já vimos, em algum momento, alguém fazendo experiências ou brincadeiras musicais com copos de vidro. Mas, trata-se de uma arte única, cultivada profissionalmente.
A Harpa de Vidro (Glass Harp) é um instrumento musical idealizado com taças de vidro arrumadas verticalmente, onde cada taça é sintonizada para uma frequência diferente através do preenchimento com água até a altura conveniente. A nota musical desejada é conseguida pelo atrito dos dedos umedecidos do músico ao redor da borda da taça.
Existem poucas referências sobre quando os instrumentos de vidro apareceram pela primeira vez. Foram rastreados historicamente no séc. XII, na China e também no séc. XIV, na Pérsia. Na Europa, as primeiras indicações de músicas com esse instrumento datam de 1492.
Em 1742, o irlandês Richard Pockridge construiu um Órgão Angelical (Angelical Organ) montado com taças de vidro.
Três anos depois, o compositor Wilibald Glück encantou o público europeu com seu Verrillon, um conjunto afinado de taças. Foi o início de uma nova tradição musical.  
A sofisticação chegou através de ninguém menos que Benjamin Franklin, que em 1761, criou a Gaita de Vidro (Glass Harmonica). Trabalhando com um soprador de vidro, eliminou a necessidade de ajuste com o preenchimento de água, o conjunto de copos ficou mais compacto e reproduzível, feitos da altura e espessura corretas e encaixados uns nos outros. Montados sobre um eixo e auxiliados por um pedal, foi criado mais um instrumento que conquistou o seu lugar no mundo da música. Mozart, Naumann, Beethoven e muitos outros o utilizaram nas suas composições. Entretanto, este interesse durou pouco. A Gaita de Vidro praticamente desapareceu depois de 1835.  



 Uma nova encarnação do Órgão Angelical, mais próxima da moderna Harpa de Vidro foi inventada por Bruno Hoffmann que devotou toda a sua vida na busca de reconhecimento e divulgação desse raro instrumento.
A tradição é mantida atualmente por alguns poucos músicos do mundo inteiro. Na Polônia, é cultivada magistralmente pelo Glass Duo (Anna e Szafraniec Arkadiusz).



No vídeo abaixo, o casal apresentou-se tocando uma das músicas mais conhecidas de Sting, acompanhado pela famosa Orquestra Sinfônica de Varsóvia.
Fico impressionada com as possibilidades expressivas e a beleza desse instrumento, aparentemente tão simples, mas que deve exigir uma técnica e uma dedicação absolutas.
Apresentação sutil, requintada e verdadeiramente original.









Por Aline Andra

Dança


"Esme dançando" de Beatrice Offor
(Óleo sobre tela)
 


Dança sobre os restos de cristais
deste tempo não tão belo
porque sozinha não estás
Dança sobre antigas cinzas
sobre todas as tuas feridas
sozinha não estás
Se a imagem de teu espelho já não está
será que estás
aprendendo a caminhar?
Dança sobre a tua casa, entre a erva
o odor do inverno
sozinha não estás
Dança bela criança, pequena criança
distorções do tempo...
sozinha não estás
Sobre a fumaça que cobriu
a luz de nossa cidade
e ainda que doa
não a podemos modificar
Dança sobre a dor
que a dança a consumirá
Dança sobre a tua rua que dança
sobre esta casa que dança
se não se pode fazer mais...
Dança sobre a desventura
à luz da lua
sobre o campo e o mar
Dança é carícia, é pudor
dança não é ódio, é amor
é aprender a voar
Se puderes dançar pelo ar
também as estrelas poderão abraçar-te
Deveras
não sigas agarrada às tuas dores
que não sabem dançar
Dança junto a tua vida que dança
junto a tudo que falta
se não se pode fazer mais...
Dança, dança, dança...

(tradução de Maria Teresa Almeida Pina)


No original:

Danza

Danza sobre restos de cristales
de este tiempo no tan bello
porque sola no estás
Danza sobre antiguas cenizas
sobre todas tus heridas
sola no estás
Si la imagen de tu espejo ya no está
será que estás
 aprendiendo a caminar?
Danza sobre tu casa, entre la hierba
el olor del invierno
sola no estás
Danza bella niña, pequeña niña,
distorsiones del tiempo
sola no estás
Sobre el humo que cubrió la luz de nuestra ciudad
y aunque duele
no lo podemos modificar
Danza sobre el dolor
que a danza lo consumirá
Danza sobre tu calle que danza
sobre esta casa que danza
si no se puede hacer más...
Danza sobre la desventura
a la luz de la luna
sobre el campo y el mar
Danza es caricia, es pudor,
danza no es odio, es amor,
es aprender a volar
Si pudieras danzar por el aire
también las estrellas podríam abrazarte
De veras
No sigas aferrada a tus dolores
que no saben danzar
Danza junto a tu vida que danza
junto a todo lo que falta
si no se puede hacer más
Danza, danza, danza...


Marilina Ross




Fonte da imagem: http://rceliamendonca.wordpress.com
Fonte do texto: http://blogs.utopia.org.br



 



segunda-feira, 18 de março de 2013

Petisco italiano




Sinto fascínio pelo “Velho Mundo”, mas especialmente pela Itália. É sentimento antigo. Aos 10 anos, minha mãe mandou-me escolher três minidicionários de uma coleção chamada Lilliput, vendida por um senhor que bateu à nossa porta (sim, sou do tempo em que se vendiam livros de porta em porta). Eu escolhi os previsíveis Português-Inglês, Inglês-Português e... Português-Italiano. Um pouco mais tarde, também sem motivo explícito, comprei mais dois dicionários de italiano. O interesse adormeceu durante anos e agora voltou com força total. Ando meio obcecada. História, idioma, lugares, culinária, tudo me empolga.
Adoro cantar músicas italianas, principalmente enquanto cozinho, ando procurando um bom curso que me ensine o idioma e minha tão sonhada primeira viagem ao exterior será direto para a... Toscana!
Por isso, em meio às descobertas de massas, vinhos, azeites e tudo de bom que impera na culinária italiana, tão natural e saudável quanto cheia de graça e charme com sua riqueza de sabores e aromas, o que mais tem aparecido na minha cozinha é a bruschetta, que  vale por uma  refeição para mim e funciona como um aperitivo quase diário para o marido.
Simples e absolutamente deliciosa!


VERA BRUSCHETTA ITALIANA

Ingredientes para o molho de tomates cru:

- 750 g de tomates maduros
- ¼ de xícara de azeite
- 2 dentes de alho espremidos
-1/4 de maço de manjericão (só as folhas)
- pitada de pimenta do reino
- 1 colher de chá de sal

Modo de fazer:

- Tire a pele e as sementes dos tomates (costumo fazer um corte na pele e levá-los diretamente à chama do fogão, espetados em um garfo, girando-os para que comecem a rachar. A pele sai facilmente). Junte o azeite, o alho, o manjericão, a pimenta e o sal. Deixe na geladeira por, pelo menos, 1 hora e mais 20 minutos em temperatura ambiente. Use um bom pão italiano fresco e corte-o em fatias de 1 cm. Coloque as fatias na assadeira, uma ao lado da outra, e pincele com azeite. Leve ao forno pré-aquecido a 180º por 15 minutos. O pão deve ficar levemente dourado, não tostado. Assim que tirar do forno, esfregue alho cru (descascado e inteiro) nas fatias de pão. Deixe esfriar um pouco e cubra com uma generosa colherada do molho de tomates cru. Enfeite com manjericão e sirva.




Por Aline Andra 

sábado, 16 de março de 2013

O homem que plantava árvores



Fonte da imagem: Google

 

Magnífico curta-metragem, com delicadas e eloquentes ilustrações, de Jean Giono. Com narração de Philippe Noiret, grande ator, nos dá uma excepcional e sempre oportuna lição de vida através da história de Elezéard Bouffier, um pastor de ovelhas que, solitário, com sua simplicidade no viver e partilhar, seu amor e cuidado pela Mãe-Terra, fez a diferença para um mundo melhor. Plantemos nossas sementes...




 
 
 
 
Por Aline Andra
 
 
 

sexta-feira, 15 de março de 2013

Escritores: o suor da mente

 
 

 
 

Eric Nepomuceno, escritor e tradutor, já disse que “escrever é o mais solitário de todos os ofícios humanos. Na  hora de enfrentar essa grande e devastadora solidão, cada um tem sua própria receita”.
Concordo totalmente. E digo mais, aquele que não conseguir encontrar, dentro de si, esse espaço com suas idiossincrasias inegociáveis, nunca ficará plenamente satisfeito com o resultado de sua obra. Essa “receita” é fundamental para os escritores, assim como são os instrumentos de trabalho para outros ofícios. Exceções feitas, claro, para o escritor-operário que trabalha num escritório, com horários, prazos e encomendas. Mas, neste caso, se trata de outra categoria.
Refiro-me, aqui, aos escritores apaixonados pela busca incessante da palavra perfeita, aquele que procura em si mesmo, no seu tumulto e na sua inquietação, através do exercício da escrita, aquilo que nos explica ou confunde como seres humanos que somos e organiza este material em forma de verso e/ou prosa... Estou pensando numa implosão interna cujos estilhaços e fragmentos transformam-se em personagens em sua inteireza. Autônomos, exigentes e dominadores. 
Debater-se nesse mundo interior superpovoado, ultrapassar, de certa forma, os cinco sentidos em busca do entendimento, de uma nova percepção da realidade e mergulhar nessas profundezas, sem defesas ou disfarces, deve ser o primeiro desafio de todo bom escritor. E o último, creio eu, deve ser dotar sua obra de páthos, palavra grega que, dentro de um conceito filosófico, refere-se a "um tipo de experiência humana ou sua representação em arte, que evoca dó, compaixão ou uma simpatia compassiva no espectador ou leitor".
 Minha cara-metade repete sempre que “o suor da mente, ninguém vê”. É fato.
Talvez por conta dessa entrega ambivalente que consome e extasia, divide e preenche, exige e aquieta, enfim, talvez por isso, os autores necessitem desses rituais, superstições ou métodos aparentemente excêntricos de trabalho, que mostram-se eficientes na medida em que os protegem. De que ? Não sei... Acho que nem eles, tampouco.
De qualquer maneira, quem aprecia literatura, acha sempre interessante saber um pouco sobre o autor por trás da obra.
Garimpei alguns hábitos de escritores famosos durante o processo de escrever. Verdadeiros ou não, nunca saberemos, mas faz com que fiquem mais próximos de nós.   
O método escolhido por Victor Hugo (“Os miseráveis”), Lewis Carrol (“Alice no país das maravilhas”), Virgínia Woolf (“Orlando”, “Mrs. Dalloway”), Goethe (“Werther”, “Fausto”) e Ernest Hemingway (“Por quem os sinos dobram”, "O velho e o mar") foi dos mais cansativos. Trabalhavam em pé, muitas vezes durante quase todo o dia. Goethe chegou a encomendar uma escrivaninha de sua altura. Ernest Hemingway colocava sua máquina de escrever em cima de uma alta estante que ele chamava de “mesa de trabalho” e procurava escrever quinhentas palavras por dia. Entretanto, segundo ele, grande parte desse material acabava no lixo.


Victor Hugo

Lewis Carrol

Virginia Woolf

Goethe

Ernest Hemingway

 Alexandre Dumas (“Os três mosqueteiros”, “O conde de Monte Cristo”), uma vez começado o livro, escrevia em papéis coloridos, noite e dia sem parar e sem admitir interrupções até concluir a tarefa.
Jorge Luis Borges ("Lua de frente", "O livro de areia") e Aghata Christie ("Assassinato no Expresso do Oriente", "O caso dos dez negrinhos") preferiam escrever dentro de uma confortável banheira.


Alexandre Dumas

Jorge Luis Borges

Aghata Christie

Verlaine ("Confissões"), o poeta francês, só conseguia trabalhar sob a influência de drogas.


Verlaine

John Steinbeck (“O velho e o mar”, "A pérola") só escrevia a lápis,  assim como faz Paul Auster ("Noite do oráculo", "Viagens no Scriptorium")  e Pablo Neruda ("Canto geral", Tentativa do homem infinito") conseguia escrever em qualquer lugar e sob qualquer circunstância, mas somente com tinta verde. Durante a Guerra Civil Espanhola, o estoque de tinta verde acabou e o poema em que trabalhava ficou inacabado. 

John Steinbeck

Paul Auster

Pablo Neruda

Honoré de Balzac (“A mulher de trinta anos”, “A comédia humana”) não dispensava o café. Ingeria até cinquenta xícaras por dia enquanto escrevia.


Honoré de Balzac

Luis Fernando Veríssimo ("Comédias da vida privada", "O opositor") e Chico Buarque (“Benjamim”, "Leite derramado") tem em comum o hábito de jogar paciência no computador antes de iniciar a tarefa.


Luis Fernando Veríssimo

Chico Buarque

 Mark Twain (“O príncipe e o mendigo”, “Aventuras de Tom Sawyer”) não conseguia escrever  nem uma linha sequer sem um charuto por perto e James Joyce (“Ulysses”) tinha que comer chocolates.


Mark Twain

James Joyce

O poeta Thackeray ("Feira das vaidades", "As memórias de Barry Lyndon")  adorava o quarto pequenino e íntimo que mandou construir no fundo do quintal de sua casa. Bernard Shaw ("Pigmaleão", "Homem e Super-homem") também preferia ficar longe de todos e utilizou este artifício, assim como Isabel Allende (“A casa dos espíritos”, “Paula”).


Thackeray

Bernard Shaw

Isabel Allende

Truman Capote (“A sangue frio”) não começava a escrever antes de certificar-se de que , no lugar onde pretendia trabalhar, não havia um único inseto. Também costumava deitar-se numa cama ou sofá, com um cigarro e uma xícara de café durante a manhã, chá de menta durante a tarde e martinis à noite enquanto buscava inspiração.


Truman Capote

Samuel Beckett (“Esperando Godot”) tinha que ter diante de si, uma parede totalmente branca e sem manchas.


Samuel Beckett

Vladimir Nabokov (“Lolita”) só escrevia em pequenas fichas que unia com clipes e guardava numa caixa.


Vladimir Nabokov

William Faulkner ("O som e a fúria", "Palmeiras selvagens") bebia muito whisky antes de escrever. Segundo ele, esse hábito ativava sua produção literária.


William Faulkner

Franz Kafka (“A metamorfose”, “O processo”), ao terminar um livro, comia um bolo inteiro de abacaxi.


Franz Kafka

George Orwell (“1984”, “A revolução dos bichos”), antes de escrever algo, atravessava a nado o Canal da Mancha, comia um croissant e tomava um café na França e voltava para a Inglaterra a nado.


George Orwell

E, por último, Gilberto Freyre (“Casa-Grande&Senzala", "Sobrados e Mocambos") nunca manuseou aparelhos eletrônicos. Não tinha nem televisão. Todas as suas obras foram escritas a bico de pena.


Gilberto Freyre


 No blog do escritor e jornalista Michel Laub, na seção “Escritores e manias”, há cem depoimentos bem interessantes de autores brasileiros contemporâneos sobre suas peculiaridades e sentimentos relacionados ao ato de escrever. Vale conferir. 




Fonte das imagens: Google

Fontes das pesquisas: http://flavorwire.com
                                        www.saraivaconteúdo.com.br
                                        http://almanaque.folha.uol.com.br 
                                        http://michellaub.wordpress.com
 
 
 
 
 
 
Por Aline Andra
                                      
                                                                          

terça-feira, 12 de março de 2013

A pintura luminosa de Vincenzo Irolli





Nascido em Nápoles (Itália) em 1860, Vincenzo Irolli formou-se no Instituto de Belas Artes em 1877. A partir de 1879, focou seu trabalho em retratos compostos de crianças, figuras maternas e cenas do cotidiano. Com sua pintura fragmentada, de colorido vigoroso, com variações na quantidade de tinta e efeitos únicos de claro-escuro, Irolli abriu caminho para estilos futuros como o Impressionismo, mas era, acima de tudo, um pintor realista.
Durante os anos da juventude, entre 1883 e 1895, devido a dificuldades financeiras,  ele trabalhou arduamente e negociou suas obras com um comerciante de Nápoles que arranjou para que elas fossem copiadas por artistas de menor talento, mas  igualmente necessitados e vendidas em massa para o público em geral. Essas produções foram, posteriormente, atribuídas a Irolli sem, entretanto, prejudicar sua reputação.
Participou dos principais eventos nacionais e de outros países como França, Inglaterra, Alemanha e Espanha, ganhando diversos prêmios e medalhas. Sua presença no cenário artístico só terminou com sua morte em 1942.
Atualmente, suas obras são muito requisitadas nos mais importantes leilões do mundo todo.
Gosto muito de sua pintura quase narrativa e impactante. Tenho sempre a impressão de que, sob um olhar atento, as pessoas retratadas vão movimentar-se, sair da tela e contar-me suas histórias. Loucura? Pode ser... Mas não é essa a função da Arte? Provocar nossos sentidos e sensações, aumentar nossa capacidade de percepção e abrir uma janela para o imaginário?







   









  

  







Fonte das imagens: Google
 
Fontes das pesquisas: www.sabercultural.com
                                    http://cronologia.leonardo.it/storia/biografie/irolli.htm
                                    http://it.wikipedia.org/wiki/Vincenzo_Irolli
 
 


Por Aline Andra


domingo, 10 de março de 2013

Down in the depths - Lisa Stansfield

 
 
 
 

Por onde andará Lisa Stansfield?
Cantora britânica de grande sucesso nos anos 90, suas performances sempre foram impecáveis, em parte devido à sua bela voz, em parte devido à sua sensibilidade como intérprete.
Quem não se lembra de “All woman”, “The real thing”, “Never, never gonna give you up” ou  “All around the world”?
Sua relação com a arte não se limita somente a compor e cantar. Ela também gosta de pintar e  atuar em peças teatrais.
Aprecio todo o seu repertório, mas especialmente “Down in the depths”, gravação de 1990 feita durante um tributo à Cole Porter (1891-1964), um dos compositores de musicais da Broadway mais consagrados. 
Este vídeo é a prova do que uma artista talentosa pode fazer. Ela, sozinha com sua voz,  seus gestos e olhares, uma linda canção e a luz perfeita.
 
 
 
 
 
 
 
Por Aline Andra