quarta-feira, 27 de março de 2013

Os rostos urbanos de Vhils





Alexandre Farto, conhecido como Vhils no mundo dos escultores, pintores e grafiteiros, nasceu em Portugal em 1987. Terminou sua formação artística em Londres em 2008. Com 13 anos, iniciou-se na pintura, colorindo muros e comboios da margem sul do rio Tejo. Artista urbano, tem explorado novos caminhos dentro da ilustração, animação e design gráfico.
Existem trabalhos seus espalhados por vários locais do mundo.
Gosto especialmente de seus retratos cinzelados em paredes. Para isso, ele utiliza uma variedade de técnicas e materiais como explosivos, brocas, água sanitária, tinta spray e stencil.
Admiro sua ousadia de, como ele mesmo explica, através de um ato de vandalismo (o ato de destruir a fim de criar) levado ao extremo, transformar o que era comum e  inóspito em uma obra de arte.





















"Eu nunca tenho e nunca quero ter o controle absoluto sobre o que estou fazendo. Eu gosto do inesperado e do incerto." (Vhils)



Fontes de pesquisa e imagens:   http://alexandrefarto.com
                                                   http://pt.wikipedia.org/wiki/Vhils 
                                                   www.dailytelegraph.com.au 




Por Aline Andra


terça-feira, 26 de março de 2013

A noite dos desesperados (They shoot horses, don't they?)





Ano: 1969 (EUA)
Diretor: Sidney Pollack
Atores: Jane Fonda, Michael Sarrazin, Susannah York, Gig Young, Red Buttons, Bonnie Bedelia, Bruce Dern


Achei  apropriado comentar sobre “A noite dos desesperados” (a tradução do título foi, como quase sempre, pouco original) do competente diretor Sidney Pollack, dando continuidade ao tema do post anterior sobre as maratonas de dança nos anos 30.
Vi o filme pela primeira vez ainda muito jovem e cheia de certezas (como todos os jovens). Achei-o muito bizarro e perturbador. Agora, já não tão jovem e com menos certezas, acho-o terrivelmente comovente e verdadeiro.
 Um retrato perfeito do turbulento e sofrido período da Grande Depressão americana, o filme - baseado no livro homônimo de Horace Mccoy, publicado em 1935 - conta-nos a história de diversos casais participando de uma maratona de dança. O argumento inteligentemente elaborado mostra com realismo como os concorrentes ao prêmio de 1500 dólares, com seus motivos e dramas pessoais, vão se desgastando em todos os sentidos à medida que continuam dançando por dias seguidos, o que também vai revelando a personalidade dos personagens.
Como cada um lida com esse ataque destrutivo sobre a resistência física e emocional – que não deixa de ser uma analogia ao ataque igualmente destrutivo dos acontecimentos políticos, econômicos e sociais que assolaram a estabilidade e os sonhos de uma geração – é o grande trunfo do filme e da história.
Jane Fonda (no seu primeiro papel dramático) brilha como Gloria Beatty, determinada, amarga e desiludida e que vai perdendo a vontade de competir e de viver num mundo intolerante e cruel. Michael Sarrazin como Robert convence interpretando o jovem apático, com uma indolência causada pela pobreza e a falta de perspectiva tão comum na época, mas que no final tem a atitude decisiva e, a meu ver, cheia de compaixão e lucidez. Gig Young mereceu o Oscar de melhor ator coadjuvante do ano como o apresentador Rocky, cínico e realista e Susannah York surpreende com sua comovente Alice que vai se desconstruindo na medida em que vai se fragilizando.
A propósito, o título original que pode ser traduzido livremente para “Eles atiram em cavalos, não atiram?” -  a frase final de Robert - é uma metáfora belamente construída e coerente com o enredo porque se refere ao sacrifício de cavalos feridos quando eles não tem cura, para que não sofram mais.
Um filme impiedoso como devem ser todas as obras que buscam instigar a reflexão.

Frase de Rocky: “Isto não é concurso, é show. As pessoas não estão nem aí para o vencedor. Querem ver um pouco de sofrimento para que se sintam melhor.”

  
  



 

Por Aline Andra

 

domingo, 24 de março de 2013

Viagem no tempo: maratonas de dança





Em 1929, começava a “Grande Depressão”, o pior período econômico da história dos Estados Unidos. O colapso financeiro da Bolsa de Valores de Nova York assinalado por uma queda brutal no mercado de ações, marcou o fim de uma era de prosperidade e preparou o cenário para a 2ª Guerra Mundial. Milhares de pessoas encontraram-se, repentinamente, sem emprego, sem moradia e meios de sobrevivência. Metade dos bancos e empresas faliram. Todos foram afetados de um jeito ou de outro.  A mendicância e os suicídios aumentaram drasticamente, reforçando o sentimento geral de desolação e desespero.
As maratonas de dança - também chamadas Walkathons - tornaram-se, então, uma das formas mais controversas de entretenimento ao vivo. Descobriu-se, há muito tempo, que a exploração da degradação e sofrimento do ser humano é um negócio rentável. Para quase todos os concorrentes, a participação em uma maratona de dança significava um teto sobre suas cabeças e comida abundante pelo tempo em que eles conseguissem permanecer na competição. Motivos mais do que suficientes. Entretanto, penso que os inescrupulosos patrocinadores do evento miravam algo muito maior – a esperança. O cobiçado prêmio em dinheiro que variava de 1000 a 5000 mil dólares, uma quantia bastante significativa para a época, representava para muitos a diferença entre a vida e a morte.
Os casais, dançarinos profissionais ou amadores, dançavam por dias ou meses até a exaustão total e desistência e esse “espetáculo” atraía multidões. O preço da entrada era de 25 centavos de dólar e a média de público era de 2500 pessoas.
Empresas pagavam aos competidores para que vestissem roupas com cartazes ou frases de propaganda pintadas.
 A primeira maratona de dança foi criada por Alma Cummings que dançou por 27 horas seguidas. A mais longa, em Atlantic City, durou de junho a novembro de 1932  com a marca de exatas 4152 horas e 30 minutos. O valor do prêmio foi de apenas  1000 dólares!
 As regras eram rigorosas e qualquer deslize implicava na desclassificação do casal. Os pés deviam estar sempre em movimento e os joelhos não podiam tocar o chão. Os concorrentes podiam descansar somente 15 minutos a cada hora.  Nesse período eram atendidos por médicos e enfermeiros e tentavam dormir. As mulheres que não acordavam ao sinal de término do descanso eram reanimadas com sais de cheiro e os homens eram mergulhados em água gelada. As refeições eram servidas em altas mesas, sete vezes ao dia e os competidores deviam continuar dançando enquanto comiam.
Uma banda tocava ao vivo durante a noite e um fonógrafo era suficiente para o dia. Comediantes profissionais e um mestre de cerimônia eram contratados para animar a plateia e para causar mais impacto, em horas imprevistas, os casais eram obrigados a participar de corridas ao longo de faixas pintadas no chão do salão, ficavam longos períodos sem assistência médica ou o tempo de descanso era cancelado.
Tamanha pressão provocava em muitos um estado de quase coma ou alucinações. Há também registros de morte.
Nas comunidades, algumas pessoas começaram a fazer campanha contra esses eventos. Igrejas e grupos de mulheres se opuseram tanto por razões morais (a posição dos casais durante a dança) quanto por razões humanitárias (a cobrança para a exposição da inferiorização de outro ser humano). A polícia concluiu que as maratonas atraíam indivíduos indesejáveis para suas cidades.
 No final dos anos 30, as maratonas foram proibidas na maioria dos estados.
Entretanto, se pararmos para pensar, essa prática continua nos dias de hoje sob inúmeros disfarces. Os reality shows e outros programas de televisão onde pessoas são ridicularizadas e/ou diminuídas em sua dignidade por dinheiro são os exemplos mais conhecidos.

As circunstâncias mudam e os motivos também. Alguns são terríveis e incontornáveis, outros são intangíveis e equivocados, mas acho que o que temos em comum, através dos tempos, é a Esperança. Bela em sua grandeza. Ela é o melhor dos motivos. Ainda que seja explorada ou depreciada, a esperança deve ser vital e incomensurável. Somente ela nos redime e justifica e no final das contas é a única que permanece.






























Fonte das imagens: Google
Fontes das pesquisas: www.imegin.com.br
                                      www.mdig.com.br
                                      http://clioaulas.blogspot.com.br
                                     
                                  


Por Aline Andra


quinta-feira, 21 de março de 2013

Viagem no tempo: fotos antigas





Uma foto, seja ela curiosa, engraçada, intrigante ou comovente, depende não somente do talento e criatividade do fotógrafo, mas também do acaso. Estar atento, no lugar certo e na hora certa, transforma um momento fugaz e único num registro eterno.
Gosto de descobrir fotos antigas. Não só para tentar analisar o contexto da época, mas também para observar as pessoas fotografadas. Seus olhares, atitudes e possíveis intenções. Para mim, é um exercício interessante imaginar o que estariam pensando, como seriam suas vidas e o motivo de estarem ali, naquele lugar e naquela hora...
Afinal não é essa a principal função da fotografia? Reviver momentos e pessoas que não deveriam ser jamais esquecidas?







































































Fontes das imagens: www.retronaut.com
                                  www.widelec.org



Por Aline Andra