sexta-feira, 25 de outubro de 2013

O Haver


 




Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.


Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.


Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.



Vinicius de Moraes
 
 
 
Poesia extraída do livro "Jardim Noturno - Poemas Inéditos" (Companhia das Letras, São Paulo, 1993)


 
 
 
 
 
 
Por Aline Andra
 
 


 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Feita em casa


 
 

Nunca gostei muito das maioneses industrializadas. Sempre achei que todas tem gosto de “nada” além de achar espantosa a lista de conservantes, aromatizantes, corantes e sequestrantes (?!) que os produtos contêm. Como atualmente é mais sensato evitar as tradicionais, aquelas feitas por nossas mães e avós, com gemas de ovos crus, fiquei fã das receitas de maionese da Tatiana do Panelaterapia. As tentativas de combinar ervas e temperos diferentes são divertidas, os resultados são sempre saborosos, rendem bastante e, principalmente, tem a garantia do alimento caseiro.
Quem ainda não conhece, pode experimentar sem reservas.
 
 

 
 
MAIONESE DE LEITE

Ingredientes:

- 1/2 xícara de leite
- 1 dente de alho
- 1/2 colher (sopa) de mostarda
- 1/3 de xícara de ervas de sua preferência (salsa, cebolinha, manjericão, orégano, etc.)
- 1 colher (sopa) de suco de limão
- 1 colher (café) rasa de sal
- mais ou menos 1 xícara de óleo

 
Modo de fazer:

- Coloque tudo no liquidificador. Conforme for batendo, derrame lentamente um fio de óleo através da tampa menor do copo do aparelho. É importante que o fio seja constante. A mistura vai começar a engrossar até a consistência desejada.


 


MAIONESE VERDE

Ingredientes:

- 1 pão amanhecido sem casca e picado grosseiramente
- 1 colher (café) rasa de sal
- 1/2 colher (café) de alho amassado ou picado
- 150 ml de leite
- mais ou menos 150 ml de óleo

 
Modo de fazer:
 
- Coloque tudo no liquidificador. Conforme for batendo, vá derramando um fio de óleo lentamente e com constância através da tampa menor do copo do aparelho até a pasta ficar bem firme. Incremente como quiser, batendo junto combinações de outros ingredientes como ervas diversas, mostarda, molho inglês, pimenta do reino, tomate seco, azeitonas, cenoura, beterraba, etc.


BREVE HISTÓRIA:

A maionese foi inventada em 1756 pelo chef francês do Duque de Richelieu. Depois que o duque derrotou os britânicos em Port Mahon, nas Ilhas Baleares, seu cozinheiro criou um banquete que incluía um molho feito à base de nata e ovos. Percebendo que não havia nata na cozinha, o chef a substituiu por azeite de oliva e apelidou o novo molho de Mahonnaise, em homenagem a vitória do Duque. Tempos depois, levou a novidade para a França, onde passou a ser conhecida como Mayonnaise, se popularizando em vários países do mundo.
 
 
              http://pt.wikipedia.org/wiki/maionese


 

 

Por Aline Andra

 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Viagem no tempo: história dos brinquedos - parte 2




Óleo sobre tela - Portinari


Bem distantes ainda dos avanços tecnológicos e dos produtos industrializados repetitivos, os brinquedos de antigamente além de preservarem a inocência por mais algum tempo, representavam a cultura de um povo em um determinado período histórico.
 

 


BOLHAS DE SABÃO

No séc. XVII era divertimento frequente na França, onde recebeu o nome de Bouteilles, uma referência às garrafas que armazenavam o líquido feito com água e sabão e, às vezes, com uma pitada de açúcar para aumentar a consistência.
 

 

 
 
PERNAS-DE-PAU

Os romanos inventaram as pernas-de-pau para atravessar terrenos alagados. Alguns indícios mostram que também foram usadas por agricultores na colheita de frutas, principalmente na Itália. A partir da Idade Média, incluídos nas artes circenses, tornaram-se divertimentos populares.
 

 

 
BILBOQUÊ

Também chamado “embola-bola”, o bilboquê originou-se de um utensílio similar que servia para que os ourives carregassem os delicados pedaços de folhas de ouro.
Na França, o bilboquê era um dos brinquedos favoritos do rei Henrique III (1551-1589) e esteve em moda na corte de Luís XIV (1638-1715).
 

 

 
ESTILINGUE

No período neolítico, o homem já utilizava o estilingue, também chamado de atiradeira ou baladeira, para lançar bolas de argila e pequenas pedras. Foram encontrados alguns, datando de 6.500 anos A.C., em sítios arqueológicos na Turquia.
Os portugueses conheceram o estilingue na Índia e o trouxeram para o Brasil na época do descobrimento, como arma de arremesso. Acabou virando brincadeira de crianças que costumavam atirar mamonas nos passarinhos ou fazer competições de arremessos à distância.
 
 
 

 
IOIÔ

Na China, há 3.000 anos, já havia delicados ioiôs de marfim, com cordões de seda e na Grécia, foram encontrados dois ioiôs de pedra de 2.500 anos.
Como divertimento nas cortes europeias, os ioiôs eram decorados com joias e pedras geométricas e, quando girados, seus desenhos formavam figuras.
O ioiô chegou às Filipinas provenientes da China. No séc. XVI, caçadores os usavam para atordoar as suas presas, uma ideia similar à do bumerangue australiano.
Em 1928, Donald F. Duncan viu o ioiô nas mãos de um jovem imigrante filipino, que trabalhava em um hotel. Pedro Flores havia trazido o brinquedo na mala e o tinha registrado nos Estados Unidos com o nome de Flores Yo-Yo. Duncan, com visão empreendedora, percebeu o potencial do brinquedo, comprou os direitos de Flores e começou a fabricar o Duncan Yo-Yo. O sucesso foi imediato.
Em 1992, o ioiô foi para o espaço nas mãos do astronauta americano Jeffry Hoffman, na espaçonave Atlantis.
 

 

 
PETECA

Quando os portugueses chegaram ao Brasil, viram os índios brincando com uma trouxinha de folhas amarradas a uma espiga de milho. Chamavam o objeto de Pe’teka, que em tupi significa “bater”.
A brincadeira foi passando de geração para geração e tornou-se um esporte. Nos jogos olímpicos de 1920, realizados em Antuérpia, na Bélgica, os atletas brasileiros levaram a peteca para divertimento nos intervalos das competições. Atletas e técnicos de outros países ficaram encantados com a novidade. As regras para o jogo foram criadas em 1932 por Perrenoud Teixeira de Souza e a peteca foi oficialmente reconhecida como esporte pelo Conselho Nacional de Desportos em 1985.
 

 

 
 
CARRINHOS DE ROLIMÃ

Surgiram nas décadas de 60 e 70 e eram feitos de madeira com quatro rodinhas. Hoje, o carrinho de rolimã deu lugar ao patinete, ao skate e aos patins.
 

 

 
FUTEBOL DE BOTÃO

Foi inventado pelo carioca Geraldo Décourt, em 1930. Ele começou a jogar usando os botões das cuecas. Depois, passou a usar os botões das calças do uniforme escolar, o que fez com que o jogo fosse proibido na sua escola.
 
 

 

 

Fontes das imagens e pesquisa: Google
                                                          http://van-refletindoaeducacão.blogspot.com.br
                                                          http://vanderlenepazza.blogspot.com.br

 

 

 
Por Aline Andra

  
 

domingo, 20 de outubro de 2013

Viagem no tempo: história dos brinquedos - parte 1







Os brinquedos, desde tempos remotos, foram inventados e utilizados pelo ser humano como auxiliares no seu desenvolvimento. Refletindo sempre a lógica, o raciocínio e o que o indivíduo entendia do ambiente do qual fazia parte, estes objetos que antigamente eram feitos de maneira artesanal foram fundamentais na busca da compreensão de si mesmo, do mundo ao redor e fazem parte da memória afetiva de muitos. São brinquedos bem diferentes dos atuais. Mais rudimentares e simples, mas muito mais ricos em significados e magia. São legados de uma época em que não havia muitos recursos além da criatividade e imaginação.


 
 
 
PIÃO
 
Inicialmente usado como instrumento de adivinhação, capaz de recriar o movimento dos astros, interpretar os acontecimentos no futuro breve e como seria o tempo, a colheita ou as guerras. Através dos anos passou a ser visto como divertimento e tornou-se um verdadeiro espetáculo de habilidade. Os japoneses pintavam a superfície com ricos detalhes e foram os primeiros a fazer um sulco ao redor da circunferência e produzir piões que assobiavam quando movimentados.
 
 

 
 
 

DADO

Surgiu em forma de cubo na Grécia, mas nesta época já existia em forma de pirâmide na Índia, no Egito, na Pérsia e na Rússia. Sempre foram usados para definir a sorte e o azar nos jogos.
 

 

 
 
 
DOMINÓ

Idealizado pelos chineses, chegou ao Brasil através dos portugueses no séc. XVI e virou passatempo dos escravos. Feito de osso e marfim, quando os monges os jogavam diziam Domino gratias (“graças a Deus”) em latim. Daí surgiu o nome dominó.
 

 

 
 
 
QUEBRA-CABEÇA
 
Inventado em 1763 pelo inglês John Spilsbury que fazia mapas e gravuras. Ele teve a ideia de criar um mapa dividido em peças de madeira para ajudar os professores no ensino de geografia. As crianças gostaram tanto que logo passou a ser considerado um brinquedo.

 

 
 
 
 
MARIONETE

O nome é derivado de Marion – diminutivo de Maria. Sua origem está relacionada com o nascimento do teatro. Na China do séc. XVI, estatuetas até então utilizadas para os ritos funerários passaram a ser usadas também como personagens de espetáculos. Diversão garantida.
 
 

 
 
 
 
PIPA

São muitos os nomes para o mesmo brinquedo: papagaio, pandorga, frecha, arraia, curica, cafifa...
Apareceu na China mil anos antes de Cristo e inicialmente era um sinalizador militar. A cor da pipa, sua pintura e os movimentos que fazia no ar serviam como mensagens entre os campos de guerra. Hoje, no Oriente, as pipas têm ainda um significado religioso, tendo por finalidade “espantar os maus espíritos”.
 

 

 
 
 
BOLA

Um dos brinquedos mais antigos. Há 6500 anos já era feita de fibra de bambu no Japão e de pelos de animais na China. Romanos e gregos usavam tiras de couro, penas de pássaros e até bexiga de boi para a confecção das bolas. No Brasil, claro, a bola mais popular é a de futebol trazida pelo inglês Charles Miller.
 

 

 
 
 
BOLA DE GUDE

 As bolas de gude mais antigas eram de pedras semipreciosas e foram encontradas no túmulo de uma criança egípcia de 3.000 anos A.C. Seu uso como jogo foi difundido durante o Império Romano. Gude era o nome dado inicialmente às pedrinhas redondas e lisas retiradas da beira de um rio. Podiam ser também de argila, madeira, osso de carneiro, castanha, azeitona, noz e avelã. Na França, eram feitas de madeira ou metal e somente a partir do séc. XVII tornaram-se perfeitamente redondas. As mais populares continuaram sendo de barro e as mais sofisticadas de vidro, ágata ou mármore.
 

 

 
 
 
BONECA

 Surgiram como figuras que eram adoradas como deusas há 40.000 anos. No antigo Egito, no período situado entre 3.000 e 2.000 anos A.C., eram feitas de madeira banhada em argila, com forma de espátula e cabelos verdadeiros e eram colocadas nos túmulos de crianças.
A fabricação de bonecas com objetivos comerciais, ainda de forma artesanal, teve início na Alemanha e na França por volta do séc. XV. Eram feitas de terracota, madeira e alabastro.



 





Fontes das imagens e pesquisa: www.museudosbrinquedos.org.br
                                                         http://van-refletindoaeducaçao.blogspot.com.br
                                                         www.territoriodobrincar.com.br




 
Por Aline Andra

                                                         
 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Father and Son - Cat Stevens






Apesar de permanecer quase trinta anos afastado da indústria musical, este cantor e compositor britânico, cujo nome verdadeiro é Steven Demetre Georgiou, atualmente com 65 anos, continua sendo lembrado e ouvido (ainda vende uma média de dois milhões de discos por ano). Músicas como Wild World, Morning has broken, Oh very Young e Where do the children play embalaram os anos 70 e um tempo de juventude de muita gente, incluindo o meu.
Em 1977, Cat Stevens converteu-se ao islamismo e mudou novamente seu nome para Yusuf Islam. Passou a dedicar-se a atividades beneficentes e educacionais em prol da religião desde então, fundando escolas muçulmanas em Londres e uma organização sem fins lucrativos, Small Kindness, reconhecida pela ONU, através da qual presta ajuda aos órfãos de regiões de conflito como Bósnia, Kosovo e Iraque.
Há dez anos, voltou a compor e produzir discos de música espiritual e a apresentar-se ocasionalmente nos palcos revivendo os antigos sucessos.
Gosto especialmente de Father and son e do modo como ele se divide em dois registros vocais cujas intensidades marcam as diferenças de pensamento e sentimento entre um pai e seu filho num diálogo atemporal e emocionado.
  

 
 
 
 
 
 

Fontes das imagens e pesquisa: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cat_Stevens
                                                         www.yusufislam.com

 
 
 

 

Por Aline Andra

 
 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Uma casa na árvore...

  
 
 
 
 

Junto à casa dos sonhos, o refúgio perfeito. Por que não?
 
 
 
  
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Fontes das imagens:  http://noticias.r7.com
                                      http://decorandocomclasse.com.br
                                      http://viverdeeco.com
                                      http://malditainsonia.blog.br
                                      http://caroldaemon.blogspot.com.br
 
 
 
 
 
 


Por Aline Andra
 
 
 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O balanço e a água


 
 
 
 

O Waterfall Swing é uma diversão garantida criada por Mike O’Toole, Andrew Ratcliff, Ian Charnas e Andrew Witte. Foi apresentado oficialmente na World Maker Faire, em 2011, no New York Hall of Science.
A essência do truque está na instalação de 273 válvulas solenoides na barra superior do balanço, que não só derramam a água como, através de mecanismos informatizados (detectores de presença), acompanham a velocidade e sincronizam o movimento. Assim, a parede de água forma uma lacuna para as pessoas passarem sem se molhar. Um mecanismo nem tão complicado, mas que deve provocar formidáveis sensações! 
 


 
 
 
 
 

Fontes das imagens e pesquisa: www.mycool.com.br
                                                         www.ufunk.net
                                                       

 

 


Por Aline Andra