quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O ovo


 


 
"Agora essa. Descobriram que ovo, afinal, não faz mal. Durante anos, nos aterrorizaram. Ovos eram bombas de colesterol. Não eram apenas desaconselháveis, eram mortais. Você podia calcular em dias o tempo de vida perdido cada vez que comia uma gema.
Cardíacos deviam desviar o olhar se um ovo fosse servido num prato vizinho: ver ovo fazia mal. E agora estão dizendo que foi tudo um engano, o ovo é inofensivo. O ovo é incapaz de matar uma mosca.
Sei não, mas me devem algum tipo de indenização. Não se renuncia a pouca coisa quando se renuncia ao ovo frito. Dizem que a única coisa melhor do que ovo frito é sexo. A comparação é difícil. Não existe nada no sexo comparável a uma gema deixada intacta em cima do arroz depois que a clara foi comida, esperando o momento de prazer supremo quando o garfo romperá a fina membrana que a separa do êxtase e ela se desmanchará, sim, se desmanchará, e o líquido quente e viscoso escorrerá e se espalhará pelo arroz como as gazelas douradas entre os lírios de Gileade nos cantares de Salomão, sim, e você levará o arroz à boca e o saboreará até o último grão molhado, sim, e depois ainda limpará o prato com pão. Ou existe e eu é que tenho andado na turma errada. O fato é que quero ser ressarcido de todos os ovos fritos que não comi nestes anos de medo inútil. E os ovos mexidos, e os ovos quentes, e as omeletes babadas, e os toucinhos do céu, e, meu Deus, os fios de ovos. Os fios de ovos que não comi para não morrer dariam várias voltas no globo. Quem os trará de volta? E pensar que cheguei a experimentar ovo artificial, uma pálida paródia de ovo que, esta sim, deve ter me roubado algumas horas de vida a cada garfada infeliz. Ovo frito na manteiga! O rendado marrom das bordas tostadas da clara, o amarelo provençal da gema… Eu sei, eu sei. Manteiga ainda não foi liberada. Mas é só uma questão de tempo."
 
Luis Fernando Veríssimo
 
 
 
Realmente, quanta injustiça com um alimento tão nutritivo, saboroso e acessível a todos!
O ovo só começou a ser reabilitado na década de 1990, quando vários cientistas apontaram as falhas nas pesquisas mais antigas que concluíam que o seu consumo poderia ser prejudicial. Tudo porque, nos anos 60, descobriram que as altas taxas de colesterol no sangue sinalizavam chances aumentadas de problemas cardíacos. E como o ovo é rico nesta gordura (213 miligramas em cada unidade), passou a ser considerado um dos “culpados” da vez.
Estudos mais recentes apresentaram novas conclusões. Descobriu-se que apenas uma pequena parcela do colesterol sanguíneo provém do que comemos. A maior parte é produzida pelo próprio organismo. Sendo assim, o ovo não só está totalmente absolvido como provou seu alto valor. A lista de qualidades é longa. Todos os nutrientes estão concentrados na gema, justamente a parte mais temida. A amarelinha é fonte de ferro, por exemplo, que é fundamental para evitar a anemia. Também tem altas doses de uma substância chamada colina, que vem sendo apontada pelos pesquisadores como um nutriente importante para o desenvolvimento fetal, além de proteger o cérebro e a memória. Um ovo supre 22,7% de sua necessidade diária de colina. Os cientistas também estão pesquisando o ácido fólico que está concentrado, mais uma vez, na gema. Aliado a outras vitaminas, especialmente a B6, esse nutriente já se mostrou capaz de reduzir os níveis sanguíneos de homocisteína, uma substância que, essa sim, faz muito mal ao coração. Outros estudos provam os benefícios da clara. Um dos seus componentes ajuda a baixar a pressão arterial com a mesma eficácia dos medicamentos usados para essa finalidade. A ingestão regular de ovos também auxilia na prevenção do câncer de mama e minimiza problemas de degeneração macular, principalmente em idosos. Além de tudo isso ainda recebemos um bônus inesperado: a descoberta de que comer ovos no café da manhã, pasmem, ajuda a emagrecer porque eles oferecem uma sensação maior e mais duradoura de saciedade.
Uma única ressalva permaneceu. Algumas pessoas como os diabéticos e aqueles que já sofreram infartos devem realmente obedecer à limitação de três unidades semanais como forma de manutenção de uma alimentação mais balanceada. Para os demais, o ovo está totalmente liberado!

 

 

Fonte da pesquisa:
 

 

 

Por Aline Andra

 
 

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Viagem no tempo: um exemplo de coragem

 
 


O racismo, sabemos, existe em todos os continentes e as motivações e consequências são geralmente catastróficas. Entretanto, nos Estados Unidos, principalmente após a Guerra Civil (com a libertação dos escravos, através da aprovação da 13ª emenda à Constituição Americana, normas foram criadas visando à rigorosa discriminação dos negros), os efeitos da segregação foram ainda mais dolorosos e difíceis de superar ou mesmo entender.
Por isso, acho que vale lembrar a coragem de Ruby Bridges, de apenas seis anos, que se tornou um dos ícones do movimento pelos direitos civis há exatos cinquenta e três anos.
Em 1954, a Suprema Corte americana ordenou que todas as escolas passassem a aceitar alunos negros. Esse projeto de integração foi adiado por seis anos até que Ruby e mais cinco crianças foram submetidos a testes de avaliação e selecionados para admissão em escolas frequentadas somente por crianças brancas em Nova Orleans. Em 14 de novembro de 1960, ela teve que enfrentar seu primeiro dia de aula na William Frantz Elementary School, acompanhada por delegados federais designados para protegê-la de uma multidão de manifestantes que gritava, balançava os punhos cerrados e a ameaçava de morte. Os outros alunos foram retirados pelos pais e quase todos os professores se recusaram a permanecer na escola, menos uma professora chamada Barbara Henry, a mais jovem contratada, que a ensinou e amparou durante todo o ano letivo numa sala onde as duas permaneciam isoladas e Ruby só comia os lanches levados de casa por medo de envenenamento.
Sua família também sofreu perseguições. Seu pai foi demitido, o comércio local proibiu a entrada de qualquer parente  e seus avós, meeiros no Mississipi, perderam o direito às terras. Felizmente também houve a interferência dos solidários e simpatizantes à causa do “Não ao preconceito” e, segundo consta, toda a exacerbação foi gradativamente diminuindo.
Ruby cresceu, casou-se, teve quatro filhos, trabalhou durante muitos anos como agente de viagens e ainda mora em Nova Orleans. Sua experiência foi narrada em biografias e teses, virou pintura famosa exposta na Casa Branca e filme. Em 1999, criou, juntamente com sua antiga professora, a Fundação Ruby Bridges que, além de combater o racismo, trabalha com inclusão social. Seu objetivo é promover e expandir “a tolerância, respeito e valorização de todas as diferenças”. Descrevendo a missão do grupo, ela diz: “o racismo é uma doença de adulto e temos de parar de usar nossos filhos para espalhá-la.”


 
 
 
 
Fonte das imagens e pesquisa:
 
 
 
Por Aline Andra

 
 
 

domingo, 10 de novembro de 2013

Capturando o vento



Óleo sobre tela - Vincent van Gogh
 

"Segundo os antigos gregos, só as pessoas entusiasmadas eram capazes de vencer os desafios do cotidiano, criar uma realidade ou modificá-la. Portanto, era necessário o entusiasmo, que significava  "abrigar um deus em si"!
Não é o sucesso que traz o entusiasmo, é o entusiasmo que traz o sucesso.
O entusiasmo é bem diferente do otimismo. Ser otimista é esperar que alguma coisa aconteça. Ser entusiasmado é acreditar que é possível fazer acontecer, acreditar em si e nos outros, acreditar na força que as pessoas têm de transformar o mundo e a própria realidade.”
(Extraído de um artigo de Jayme B. Garfinkel)
 

 
 
 
 
 

Por Aline Andra

 
 
 

sábado, 9 de novembro de 2013

Traduzir-se



 
 
Uma parte de mim
é todo mundo
outra parte é ninguém
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta
outra parte
 se espanta.

Uma parte de mim
é permanente
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
 será arte?

 

 Ferreira Gullar

 

 


Por Aline Andra
 
 
 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Viver é (im)preciso



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
                                     http://espacoabertopebas.blogspot.com.br
                                     www.justincase.com.br
                                     http://cativagoogle.blogspot.com.br
                                     http://jornalinteratitude.blogspot.com.br
 
 
 
 
 
Por Aline Andra
 
 
 
 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Fenomenal Yuna Kim

 
 
 
 
 
 

Uma das mais famosas e competentes patinadoras artísticas da atualidade, a campeã mundial  Yuna Kim, sul-coreana de 23 anos,  se destaca pela delicadeza e versatilidade.
Abaixo, dois momentos bem distintos e de beleza indiscutível: no primeiro, ela desliza no gelo ao som de Meditation da ópera Thaïs de Jules Massenet e no segundo, com All of me, um jazz standard composto em 1931 por Gerald Marks e Seymour Simons, interpretado por Michael Bublé.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Por Aline Andra