sábado, 25 de janeiro de 2014

Soon - Yes



 


Há alguns dias, acordei com a voz de Jon Anderson ecoando insistentemente dentro da minha cabeça. “Soon oh soon the light, pass within and soothe the endless night...”, música da banda muito amada em tempos idos e que fez parte da minha trilha sonora, mas há muito tempo estava esquecida.
O Yes, quem viveu os anos 70 certamente sabe, foi um dos maiores expoentes do rock progressivo. Teve várias formações de músicos excepcionais e se afirmou através de arranjos complexos com orientação erudita, alternância dos vocais com longas passagens de instrumentais criando uma atmosfera um tanto ou quanto dramática e apresentações ao vivo impactantes.
O motivo de ter me lembrado da música, não sei. Mas, com certeza, ainda acho que ela é de uma pungência absoluta. E talvez, apenas talvez, os momentos nunca passem, fiquem somente adormecidos...  



 
 
 
 
 
 

Por Aline Andra
 
 
 
 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Esculturas de areia




 
Dos fugazes castelos de areia da infância às imensas e detalhadas esculturas que utilizam técnicas mais elaboradas, estes artistas geralmente pouco conhecidos têm não somente talento e criatividade, mas um desprendimento admirável. Afinal, depois de um processo de criação que deve ser demorado e cansativo, eles expõem suas obras em museus a céu aberto para quem quiser e souber apreciá-las e  ao tempo que se encarregará de desfazê-las.



 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Fontes das imagens: www.pictime.com.br
                                     http://mazaaah.wordpress.com
                                     http://esculturadeareia.blogspot.com.br
                                     http://fottus.com
                                     www.cyberartes.com.br
                                     www.liveinternet.ru
                                     http://foto.maniaco.org
                                   
 

Por Aline Andra
 
 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Despedida



 
 

Ontem, sob um céu quase abusado de tão azul, consolados por todo o caminho pelos flamboyants com suas  generosas  pencas de flores coloridíssimas, levamos nosso silencioso cachorrinho, nosso mais fiel amigo, que pacientemente também me deixou mimá-lo como se substituto de filho fosse, para finalmente descansar no lugar que mais amamos. Sem pompas e circunstâncias - como acreditamos que deveriam ser todos os finais - seu corpo continuará seu ciclo natural, alimentando outras criaturas vivas. Já a sua alma, espero que esteja novamente travessa e satisfeita.
Que eu tenha sabido retribuir tanto quanto o muito que dele recebi...
 

 
 
 
 
 
 
 

Por Aline Andra

 
 
 
 

domingo, 19 de janeiro de 2014

Presente e Futuro


Na visão sempre precisa e sagaz de Quino...
 




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Por Aline Andra

 
  
 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O mundo invisível



 



No filme Wings of Life, o cineasta Louie Schwartzberg captou imagens, em alta velocidade, de uma prática da natureza normalmente invisível para o olho humano, mas de importância essencial para o equilíbrio e funcionamento do meio ambiente: a polinização.
Basicamente a transferência de pólen ocorre através do auxílio de seres vivos como acontece com a maioria das plantas com flores. Estima-se que aproximadamente 73% das espécies cultivadas no mundo sejam polinizadas por algum tipo de abelha, 19% por moscas, 6,5% por morcegos, 5% por vespas, 5% por besouros, 4% por pássaros e 4% por borboletas e mariposas.
Fatores ambientais também contribuem para este processo como o vento (caso dos pinheiros, milho, trigo, arroz, etc.), a água (caso de algumas plantas aquáticas) e a gravidade (caso de plantas com pólen pesado).
Sem estes agentes polinizadores, a grande maioria das espécies de plantas não se reproduziria sexualmente e, consequentemente, não seria possível a produção de grãos, sementes, amêndoas, castanhas, frutas, vagens, folhagens, raízes, óleos vegetais, essências, corantes naturais, etc., utilizadas em larga escala pela sociedade humana.
A forma como isso acontece é um espetáculo deslumbrante e vale como uma celebração da vida!

 


 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte da imagem: Google
Fontes da pesquisa: www.todabiologia.com
                                    www.apacame.org.br  
 
 
Por Aline Andra
 
 
 
 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O adeus - Rubem Braga



The Embrace - Gustav Klimt 


No oitavo dia sentimos que tudo conspirava contra nós. Que importa a uma grande cidade que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares de edifícios; que importa que lá dentro não haja ninguém, ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se movendo na penumbra como dentro de um sonho? Entretanto a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar. O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se alguns minutos, voltava a chamar; e assim três, quatro vezes sucessivas.
Alguém vinha e apertava a campainha; esperava; apertava outra vez; experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro. Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos deixasse em nossa felicidade que fluía num encantamento constante.
Eu sentia dentro de mim, doce, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, como se meus cabelos já tivessem o cheiro de seus cabelos, se o cheiro de sua pele tivesse entrado na minha. Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado, de frente para a janela por onde se filtrava um eco pálido de luz, eu a contemplava tão pura e nua, ela disse: “Meu Deus, seus olhos estão esverdeando”.
Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse outro: inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo imperceptível, como um lento bailado. Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma escapada para obter víveres; vesti-me lentamente, calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que horas seriam?
Quando cheguei à rua e olhei, com um vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti vagamente que aquecia meus sapatos. Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e uma sensação dolorosa no estômago.
Havia um grande caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras; comprei cinco quilos. O homem fez um grande embrulho de jornal; voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito, como se fosse a minha salvação. E levei dois, três minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para compreender que o milagre acabara; alguém viera e batera à porta, e ela abrira pensando que fosse eu, e então já havia também o carteiro querendo o recibo de uma carta registrada, e quando o telefone bateu foi preciso atender, e nosso mundo foi invadido, atravessado, desfeito, perdido para sempre – senti que ela me disse isso num instante, num olhar entretanto lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo não os via assim, em plena luz), um olhar de apelo e de tristeza onde entretanto ainda havia uma inútil, resignada esperança.


 

SOBRE O AUTOR:
 

Rubem Braga é considerado um dos melhores e mais populares cronistas brasileiros, gênero injustamente repudiado por alguns.
Nasceu em 12 de janeiro de 1913 na cidade de Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo, porém, viveu no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo. Iniciou-se no jornalismo ainda estudante, escrevendo uma crônica diária no jornal “Diário da Tarde”. Formou-se em Direito, mas não exerceu a profissão e continuou trabalhando como repórter. Participou da cobertura da Revolução Constitucionalista deflagrada em São Paulo, na qual chegou a ser preso. Durante a 2ª Guerra Mundial, ele foi correspondente de guerra na Itália junto à F.E.B. (Força Expedicionária Brasileira). Fez diversas viagens ao exterior, onde desempenhou função diplomática em Rabat, a capital do Marrocos. Após seu regresso, estabeleceu-se definitivamente no Rio de Janeiro, cujos costumes ele eternizou em muitos dos seus textos com sua linguagem coloquial e temática simples.
De temperamento introspectivo e solitário, sua marca registrada é, segundo o crítico Afrânio Coutinho, a “crônica poética, na qual alia um estilo próprio a um intenso lirismo, provocado pelos acontecimentos cotidianos, pelas paisagens, pelos estados da alma, pelas pessoas, pela natureza”.
Em 1968, com Fernando Sabino e Otto Lara Resende, ele fundou a Editora Sabiá, responsável pelo lançamento no Brasil de escritores como Pablo Neruda, Gabriel García Márquez e Jorge Luiz Borges.
Aos 77 anos, em 17 de dezembro de 1990, com quinze mil crônicas escritas em mais de 62 anos de jornalismo, Rubem Braga faleceu sozinho como desejara (em consequência de um tumor na laringe que ele preferiu não operar nem tratar quimicamente), dois dias depois de reunir os amigos para uma despedida em sua casa.






 


Fonte da imagem: Google
Fontes da pesquisa: http://www.releituras.com/rubembraga_bio.asp
                                    http://pt.wikipedia.org/wiki/Rubem_Braga




 

 

 

Por Aline Andra





sábado, 4 de janeiro de 2014

Uma casa em pequenos detalhes





Toda realização que busca a perfeição merece ser notada. A australiana Linda Carswell, fascinada pelo estilo de vida francês, criou esta casa em miniatura perfeita em seus detalhes. Como não se encantar quando se pensa no tempo, empenho, imaginação, cuidado e capricho investidos para mobiliar e decorar esta Petite Maison e na paixão refletida neste projeto que é, provavelmente, a casa dos seus sonhos?


































 
 
 

 

Por Aline Andra