sábado, 15 de fevereiro de 2014

Um olhar



 


O fotógrafo polonês Maciej Dakowicz escolheu registrar o inesperado. Seus interesses estão focados na fotografia documental. Em suas andanças por lugares exóticos, ele capta, com um olhar sagaz e sensível, as mais diversas situações em composições perfeitas. Seu trabalho tem sido publicado e exibido por todo o mundo.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte das imagens: www.maciejdakowicz.com
 
 
 
 
Por Aline Andra
 
 
 
 
 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A chave de casa - Tatiana Salem Levy




 


Li, com algum atraso, o romance (Ed. Record, 2007, 208págs.) desta autora que venceu o Prêmio São Paulo de Literatura de 2008, na categoria de autor estreante. Gostei muito.
Tatiana surpreende logo às primeiras páginas, não só por não se ater à segurança das fórmulas simples da escrita linear e cômoda, como também por seu estilo contundente e quase desconcertante. O gênero utilizado por ela, a autoficção, apaga propositalmente os limites entre o autor, o narrador e a personagem num jogo estimulante que, obrigatoriamente, inclui um leitor que precisa estar atento. É difícil ficar indiferente às possíveis semelhanças entre a escritora e a personagem embora ela tenha escrito: “Conto (crio) essa história para dar sentido à imobilidade”.
Contada num tom intimista e confessional, toda a narrativa tem raízes em conflitos pessoais e nas lembranças (memória) da família. O avô, judeu imigrante que chegou ao Brasil ainda jovem, deixando pais, irmãos e um amor mal resolvido na Turquia; as experiências dolorosas dos pais durante a ditadura militar e a necessidade do exílio em Portugal; o sofrimento pela morte da mãe, que continua influenciando seus pensamentos e ações com constantes interferências que interrompem o texto em vários momentos; a relação obsessiva com um homem dominador e seus sentimentos de inadequação e inconsistência.
Através destas quase “cenas” que se misturam, interagem e se completam no espaço e no tempo, a personagem resolve encontrar sua identidade cultural, uma transformação e um sentido para sua vida quando seu avô lhe entrega a chave da casa de Esmirna, que deixou para trás há tantos anos e a incita a fazer esta viagem para o desconhecido e o inesperado. Viagem que passa a ser também do leitor.
 
(...)
"Para escrever esta história, tenho de sair de onde estou, fazer uma longa viagem por lugares que não conheço, terras onde nunca pisei. Uma viagem de volta, ainda que eu não tenha saído de lugar algum. Não sei se conseguirei realizá-la, se algum dia sairei do meu próprio quarto, mas a urgência existe. Meu corpo já não suporta tanto peso: tornei-me um casulo pétreo. Tenho o rosto abatido, olheiras muito mais velhas do que eu. Minhas bochechas pendem, ouvindo o chamado da terra. Meus dentes mal conseguem mastigar. Sinto um incômodo abissal, como se a gravidade agisse com mais intensidade sobre mim, puxando duas vezes meu corpo para baixo.
Não tenho a mais ínfima ideia do que me aguarda nesse caminho que escolhi. Da mesma forma, não sei se faço a coisa certa. Muito menos se existe alguma lógica, alguma explicação admissível para essa empreitada. Mas ando em busca de um sentido, de um nome, de um corpo. E por isso farei essa viagem de volta, para ver se não os esqueci perdidos por aí, em algum lugar ignoto.
Sem me levantar, pego a caixinha na mesa-de-cabeceira. Dentro dela, em meio a pó, bilhetes velhos, moedas e brincos, descansa a chave que ganhei do meu avô. Tome, ele disse, essa é a chave da casa onde morei na Turquia. Olhei-o com expressão de desentendimento. Agora, deitada na cama com a chave nas mãos, sozinha, continuo sem entender. E o que vou fazer com ela? Você é quem sabe, ele respondeu, como se não tivesse nada a ver com isso. As pessoas vão ficando velhas e, com medo da morte, passam aos outros aquilo que deveriam ter feito mas, por motivos diversos, não fizeram.
E agora cabe a mim inventar que destino dar a essa chave, se não quiser passá-la adiante.
(...)
Não faço outra coisa senão olhar, tocar, observar a chave. Conheço seus detalhes de cor, o tamanho preciso de suas curvas e de sua argola, seu peso, sua cor gasta. Uma chave desse tamanho não deve abrir porta alguma. A essa altura já deveriam por certo ter mudado, se não a porta, certamente a fechadura. Seria um disparate acreditar que tanto tempo depois a chave da casa permaneceria a mesma. Tenho certeza de que até meu avô é consciente disso, mas também imagino que deva ter uma curiosidade enorme de saber se ainda está lá o que deixou para trás. Que coisa estranha, que coisa esquisita deve ser: largar o país, a língua, abandonar a família em direção a algo completamente novo e, sobretudo, incerto.
Ele me contou que o navio onde viajou era descomunal, seu primeiro e único navio. A embarcação estava abarrotada de pessoas, todas com a mesma esperança que ele: conseguir uma vida melhor em país diferente. Dos irmãos, foi o primeiro a vir, apenas duas malas na mão e alguns contatos no Brasil. Não mais do que vinte anos quando deixou a Turquia. Tempos depois o irmão mais novo se juntaria a ele. A irmã gêmea faleceria de tuberculose. O irmão mais velho casaria e continuaria em Esmirna. A mãe, ele só reencontraria longos anos mais tarde, quando, viúva, decidiria se mudar para o Brasil.
Quantas vezes não ouvi essa mesma história? A dor de nunca mais ter visto o pai nem a irmã, de nunca mais ter pisado na terra que primeiro fora sua. A dor de só ter trazido a mãe a tempo de perdê-la. De ter visto tanta miséria no navio, tanta miséria na terra que deixara. Quantas vezes?
E agora o que ele quer? Que eu vá atrás da sua história, recuperar o seu passado? Por que essa chave, essa missão descabida?”

 



Por Aline Andra
 
 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Lugares quase mágicos




 
TÚNEL DO AMOR – UCRÂNIA

Considerado um dos lugares mais românticos do mundo, o Túnel do amor está situado nas florestas da Ucrânia, próximo da cidade de Kleven, uma pequena comunidade de oito mil pessoas. Formou-se graças à passagem recorrente de um trem particular que levava toras de madeira até uma fábrica local. Sua extensão é de 1,8 km.

  
 
 
SALINA DE UYUNI – BOLÍVIA

Segundo geólogos, esta salina pode ser considerada a maior planície salgada do mundo. São 12 mil km² contendo 10 bilhões de toneladas de sal, formada há 40 mil anos quando um imenso lago pré-histórico secou e deu origem a dezenas de pequenas lagoas, dunas de sal e vales de pedras.
 
 
 
 
CAMPOS DE TULIPA – HOLANDA

A cada ano, entre o final de outubro e o começo de novembro, mais de 10 mil hectares são utilizados para produzir 9 bilhões de tulipas. A Alemanha e os Estados Unidos são os destinatários de 2/3 destas flores exóticas que já foram tão valiosas a ponto de serem usadas como moedas de troca entre 1634 e 1637 na Holanda (a moeda da época eram os florins neerlandeses. Dizia-se que um bom negociador de tulipas conseguia ganhar seis mil florins por mês quando a renda média anual era de 150 florins).

 
 
 
GRUTAS DE GELO MENDENHALL - ALASCA

Localizada a 19 km do centro de Juneau, na região sudeste do Alasca, a enorme caverna de gelo, cujas paredes produzem uma incrível cor azul no seu interior ao receber a luz solar do exterior, é muito frequentada por turistas de embarcações e cruzeiros.
 
 
 
 
BOSQUE DE BAMBUS - JAPÃO

A Sagano Bamboo Forest tem uma área de aproximadamente 16 km² e produz sons e imagens incríveis por causa da movimentação dos bambus ao vento e do contraste de luz e sombras pelas entradas da floresta.




 
POÇO DE THOR – OCEANO PACÍFICO
 
O Thor's Well fica localizado em Cape Perpetua, um promontório acidentado do litoral de Oregon, nos Estados Unidos. Trata-se de uma fonte de água impulsionada pelo poder da maré do oceano. Uma visão grandiosa, mas perigosa especialmente na maré alta e durante as tempestades de inverno.
 
 
 
 
FLORESTA NEGRA – ALEMANHA

Localizada em uma cordilheira arborizada, no estado de Baden-Württemberg, ao longo do rio Reno, a Floresta Negra ocupa uma área de 200 Km de norte a sul e 80 km de leste a oeste. Lugar de inspiração de muitos contos dos irmãos Grimm, é tão densa que a luz do sol raramente passa entre as copas das árvores, criando um cenário de mistério.


 
 
 
ANTELOPE CANYON – EUA
 
Localizado nas terras da nação navaja do norte do estado do Arizona, o Antelope é o cânion estreito mais visitado do sudoeste americano. Sua formação geológica é resultado da passagem de correntes de água ao longo de milhares de anos.

 


TÚNEL DE GLICÍNIAS – CHINA
 

O jardim de Kawachi Fuji fica na cidade de Kitakyushu e abriga cerca de 150 pés de glicínias chinesas (Wisteria Sp.) suspensas, também conhecidas como Flores da Ternura, formando um túnel de incrível beleza e perfume.




GREEN FLY GEYSER – EUA

Gêiser geotérmico localizado a 32 km, em Washoe County, Nevada. Está localizado dentro de uma propriedade privada e atualmente encontra-se fechado à visitação pública. O Fly Geyser não é um fenômeno inteiramente natural, pois foi criado em 1916, durante a perfuração de um poço que funcionou normalmente durante vários anos. Na década de 60, a água recebeu aquecimento geotermal, encontrou um ponto fraco na parede e começou a escapar para a superfície. Minerais dissolvidos começaram a subir, se acumulando e criando as formas de cores variadas. O gêiser continua em crescimento.










Fontes das imagens e pesquisa: http://obviousmag.org
                                                         http://postsabeiramar.blogspot.com.br
                                                         www.megacurioso.com.br
                                                         www.hypeness.com.br

 
 
 
 
 
 

 

Por Aline Andra
 
 

 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Raiz de orvalho

 
 
 
 
 
Sou agora menos eu
e os sonhos
que sonhara ter
em outros leitos despertaram

Quem me dera acontecer
essa morte
de que não se morre
e para um outro fruto
me tentar seiva ascendendo
porque perdi a audácia
do meu próprio destino
soltei  ânsia
do meu próprio delírio
e agora sinto
tudo o que os outros sentem
sofro do que eles não sofrem
anoiteço na sua lonjura
e vivendo na vida
que deles desertou
ofereço o mar
que em mim se abre
à viagem mil vezes adiada

De quando em quando
me perco
na procura a raiz do orvalho
e se de mim me desencontro
foi porque de todos os homens
se tornaram todas as coisas
como se todas elas fossem
o eco as mãos
a casa dos gestos
como se todas as coisas
me olhassem
com os olhos de todos os homens

Assim me debruço
na janela do poema
escolho a minha própria neblina
e permito-me ouvir
o leve respirar dos objectos
sepultados em silêncio
e eu invento o que escrevo
escrevendo para me inventar
e tudo me adormece
porque tudo desperta
a secreta voz da infância

Amam-me demasiado
as cosias de que me lembro
e eu entrego-me
como se me furtasse
à sonolenta carícia
desse corpo que faço nascer
dos versos
a que livremente me condeno


Mia Couto

 

 

 

Por Aline Andra

 

 

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Philip Seymour Hoffman (1967-2014)




 

Morreu inesperadamente hoje, aos 46 anos, este excelente ator que começou a chamar minha atenção em Perfume de Mulher (Scent of a Woman), um filme de 1992, com Al Pacino. Ainda muito jovem, marcou presença com um desempenho que já prometia muito. Não nos decepcionou. Durante seus vinte e três anos de carreira, ele provou sua versatilidade e competência ao tomar posse de personagens que não conseguiríamos imaginar na pele de mais ninguém.
Em 2005, Hoffman interpretou o papel-título do filme biográfico “Capote”, pelo qual conquistou diversos prêmios, incluindo um Oscar de Melhor Ator. Foi indicado por outras duas vezes à estatueta como Melhor Ator Coadjuvante. Ele também foi um premiado ator e diretor teatral. Passou a fazer parte da LABrinth Theater Company em 1995 e, desde então, dirigiu e atuou em diversas produções Off-Broadway. Reconhecimentos mais do que merecidos. Vou torcer para que sua vida pessoal e os motivos de sua morte não sejam por demais esmiuçados pela imprensa. Afinal, o que importa - para quem o admirava - é que não foi só o cenário cinematográfico que perdeu uma figura ímpar. Perdemos todos nós.
Abaixo, uma lembrança de seu talento numa cena impagável do filme Ninguém é perfeito (Flawless) de 1999, com Robert de Niro.



 


 

Por Aline Andra

 

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Viagem no tempo: sacrifícios pela beleza - parte 3




No séc. XXI, desde complexas cirurgias até sofisticados tratamentos envolvendo alta tecnologia, numa busca perturbadora e bastante questionável pela perfeição do corpo, tudo é possível. E como a novidade é a “alma do negócio”, os tratamentos naturais também estão ganhando cada vez mais espaço e credibilidade. 





No Japão, o tratamento facial de 60 minutos com gosma de caracol está fazendo sucesso. Segundo os esteticistas, os moluscos possuem antioxidantes que ajudam a remover células mortas e hidratar a pele, principalmente após queimaduras do sol.

 


Outro procedimento que está na moda, principalmente entre os americanos, é usar o próprio sangue coagulado – retirado do braço – para estimular a firmeza da pele. Um coagulante é adicionado ao sangue para torná-lo viscoso e quando está com a textura de um gel, ele é aplicado como o Botox.

 
 
Na China, o tratamento chamado Huo Liao (tratamento de fogo), tem como objetivo reduzir a flacidez e as rugas. Um produto especial é passado na toalha e depois com a ajuda do álcool, o fogo é ateado. Segundo os especialistas, o método é absolutamente seguro.


 

Um tratamento que promete tornar a pele mais luminosa, devido à presença da guanina que faz uma limpeza completa, é feito com excrementos de pássaros (principalmente o rouxinol). As fezes são submetidas a uma luz ultravioleta para desinfecção e depois são moídas até se obter um pó muito fino que é misturado ao farelo de arroz para neutralizar o cheiro. Esta técnica é utilizada desde o séc. XVIII, no Japão, pelos dançarinos Kabukis.




Principalmente em Israel, a moda é deixar que cobras não venenosas deslizem sobre as costas do indivíduo, afastando todo o stress dos seus músculos e articulações.


 
 
No Japão, outro tratamento que está se tornando popular, embora seja conhecido há mais de setenta anos, é o banho de serragem fermentada para reverter o envelhecimento. A pessoa é quase totalmente coberta por serragem de madeira de cedro e cipreste a 40º durante 15 a 20 minutos. Supostamente isso ajuda a melhorar a circulação sanguínea, limpa a pele e diminui as dores musculares.


 

Mais conhecido em todos os lugares, o diferencial dessa máscara de rejuvenescimento é o uso do chocolate.


 

Centenas de litros de Beaujolais Nouveau, um dos vinhos mais apreciados pelos japoneses, são despejados nas piscinas de spas de luxo. Bom para a pele!




O tratamento com ouro é uma massagem facial suave após a aplicação de folhas de ouro de 24 quilates.


  

As pessoas estão se deixando mordiscar por pequenos peixes que se encarregam da tarefa de retirar as cutículas e as peles mortas dos pés.

 
 

O banho de cerveja à base de plantas e sem adição de produtos químicos é oferecido como tratamento de beleza em spas da República Tcheca.

 
 
O creme de veneno sintético de cobra é utilizado para inibir contrações musculares no rosto e para obter-se um olhar mais jovem, pretendendo inibir também o envelhecimento. O efeito paralisante é o mesmo do Botox.


 
 
Lançado na Inglaterra, um novo tratamento para os cabelos consiste na aplicação de sêmen orgânico de touro da raça Angus. Proteína pura, a substância combinada com Katera, outra proteína extraída da raiz de determinadas plantas, nutre e revitaliza.


 

 Na China, o hábito que remonta à dinastia Tang, consiste em se enterrar até o pescoço na lama. A crença é de que alivia dores causadas por várias doenças, incluindo artrite reumatóide, traumatismos e desordens do sistema nervoso.

 
 
 
No México, são usados pedaços de cactos, cujos espinhos foram removidos, para massagens de relaxamento.


 

Há muitos anos, as sanguessugas são utilizadas em Medicina, sendo especialmente eficazes no alívio de dores articulares e musculares. Como tratamento de beleza, diz-se que são excelentes como agentes desintoxicantes (colocadas sobre a pele, elas sugam o sangue até ficarem saciadas e caírem) permitindo a melhoria da circulação sanguínea, rejuvenescendo o sistema respiratório, aliviando enxaquecas, sinusites, dores menstruais e flatulência.





Principalmente na China, a apiterapia (tratamento com veneno de abelhas) está ficando cada vez mais popular. O uso dos produtos da colmeia, incluindo o mel, própolis, pólen, geleia real e o veneno tratam a artrite, reumatismo, dor nas costas, doenças de pele e até atua favoravelmente no combate à esclerose múltipla.



De modo geral, acho que os tratamentos alternativos são bem interessantes. Por estarem associados à Natureza, acredito na sua eficácia e, com certeza, são menos agressivos, mais divertidos e permitem até uma percepção e reflexão sobre o grande mistério que nos cerca, mas as coisas estão ficando um pouco fora de controle, não acham?






Fontes das imagens e pesquisa:http://glamurama.uol.com.br
                                                         http://beleza.terra.com.br
                                                         http://notícias.uol.com.br
                                                         www.materiaincognita.com.br
                                                         www.hypeness.com.br
                                                         www.ironicosocial.com.br
                                                         www.modismonet.com
                                                         http://gente-estranha.blogspot.com.br
                                                         http://beautyfashionlounge.blogspot.com.br








Por Aline Andra