terça-feira, 4 de março de 2014

Viagem no tempo: história do Carnaval



 


Estudiosos divergem quanto à origem do termo Carnaval.  Para uns, a palavra vem de carrum navalis, os carros navais que faziam a abertura das Dionisías Gregas nos séculos VII e VI a.C. Uma outra versão é a de que a palavra Carnaval surgiu quando Gregório I, o Grande, em 590 d.C. transferiu o início da Quaresma para quarta-feira, antes do sexto domingo que precede a Páscoa. Ao sétimo domingo, denominado de "qüinquagésima" deu o título de "dominica ad carne levandas", expressão que teria sucessivamente se abreviado para "carne levandas", "carne levale", "carne levamen", "carneval" e "carnaval", todas variantes de dialetos italianos (milanês, siciliano, calabres, etc..) e que significam ação de tirar, quer dizer: "tirar a carne." A terça-feira (mardi-grass), seria legitimamente a noite do carnaval. Seria, em última análise, a permissão de se comer carne antes dos 40 dias de jejum da Quaresma.
Considerado um dos eventos mais animados e representativos de todo o mundo, o Carnaval é uma festa popular que surgiu ainda na Antiguidade. Sua história começa há mais de 4 mil anos antes de Cristo, no antigo Egito, com as festas de culto a Ísis. Eram relacionadas a acontecimentos religiosos e rituais agrários, na época da colheita de grandes safras. Desde essa época as pessoas já pintavam os rostos, dançavam e bebiam.



  
 
 
Na antiga Babilônia, duas festas possivelmente originaram o que conhecemos como Carnaval. As Saceias eram uma festa em que um prisioneiro assumia durante alguns dias a figura do rei, vestindo-se como ele, alimentando-se da mesma forma e dormindo com suas esposas. Ao final, o prisioneiro era chicoteado e depois enforcado ou empalado.
O outro rito era realizado pelo rei nos dias que antecediam o equinócio da primavera, período de comemoração do ano novo na região. O ritual ocorria no templo de Marduk, um dos primeiros deuses mesopotâmicos, onde o rei perdia seus emblemas de poder e era surrado na frente da estátua. Essa humilhação servia para demonstrar a submissão do rei à divindade. Em seguida, ele novamente assumia o trono.
O que havia de comum nas duas festas e que está ligado ao Carnaval era o caráter de subversão de papéis sociais: a transformação temporária do prisioneiro em rei e a humilhação do rei frente ao deus. Possivelmente a subversão de papeis sociais durante o Carnaval, como os homens vestirem-se de mulheres e vice-versa, tenha suas origens nessa tradição mesopotâmica.
Na Grécia Antiga, por exemplo, eram realizadas as famosas Festas Dionísicas, celebrações em homenagem a Dionísio. (Seu equivalente romano é Baco, o deus do vinho, sendo a ele atribuído os excessos sexuais). 
 


 
 
 
Havia ainda em Roma as Saturnálias e as Lupercálias. As primeiras ocorriam no solstício de inverno, em dezembro, e as segundas, em fevereiro, que seria o mês das divindades infernais, mas também das purificações. Tais festas duravam dias, com comidas, bebidas e danças. Os papeis sociais também eram invertidos temporariamente, com os escravos colocando-se nos locais de seus senhores, e estes se colocando no papel de escravos.
Durante os Carnavais medievais por volta do século XI, no período fértil para a agricultura, homens jovens que se fantasiavam de mulheres saíam nas ruas e campos durante algumas noites. Diziam-se habitantes da fronteira do mundo dos vivos e dos mortos e invadiam os domicílios, com a aceitação dos que lá habitavam, fartando-se com comidas e bebidas, e também com os beijos das jovens das casas.
 



Durante o Renascimento, nas cidades italianas, surgia a Commedia dell'arte, teatros improvisados cuja popularidade ocorreu até o século XVIII. Em Florença, canções foram criadas para acompanhar os desfiles, que contavam ainda com carros decorados, os trionfi. Em Roma e Veneza, os participantes usavam a bauta, uma capa com capuz negro que encobria ombros e cabeça, além de chapéus de três pontas e uma máscara branca. Datam dessa época três grandes personagens do Carnaval. A Colombina, o Pierrô e o Arlequim tem origem na Comédia Italiana. O Pierrô é uma figura ingênua, sentimental e romântica. É apaixonado pela Colombina, que era uma caricatura das antigas criadas de quarto, sedutoras e volúveis. Mas ela é a amante de Arlequim, rival do Pierrô, que representa o palhaço farsante e cômico.
 
 
 

Mas tais festas eram pagãs. Com o fortalecimento de seu poder, a Igreja não as via com bons olhos. Nessa concepção do Cristianismo, havia a censura da inversão das posições sociais, pois, para a Igreja, ao inverter os papéis de cada um na sociedade, invertia-se também a relação entre Deus e o Demônio. A Igreja Católica buscou então enquadrar tais comemorações. A partir do século VIII, com a criação da quaresma, tais festas passaram a ser realizadas nos dias anteriores ao período religioso. A Igreja pretendia, dessa forma, manter uma data para as pessoas cometerem seus excessos, antes do período da severidade religiosa.
O carnaval chegou ao Brasil a partir do século XIII, quando os portugueses trouxeram a brincadeira do entrudo (palavra que vem do latim e que significa “início, abertura da quaresma”) , típica da região de Açores e Cabo Verde, que consistia em um jogo em que as pessoas sujavam umas as outras com tintas, farinha, ovos e água.



 
 
 
 
 
 Mais precisamente, o entrudo desembarcou no Brasil em 1641, na cidade do Rio de Janeiro. Assim como em Portugal, era uma festa cheia de inconveniências da qual participavam tanto os escravos quanto as famílias brancas. Após insistentes intervenções e advertências da Igreja Católica, os banhos de água suja foram sendo substituídos por limões de cheiro, esferas de cera com água perfumada ou água de rosas e bisnagas cheias de vinho, vinagre ou groselha. Esses frascos deram origem ao lança-perfume, bisnaga ou vidro de éter perfumado de origem francesa. Criado em 1885, chegou ao Brasil nos primeiros anos do século XX. Também substituindo as grosserias, vieram então as batalhas de flores e os desfiles em carros alegóricos, de origem europeia.



 
 
 
 Uma das figuras mais marcantes da festa é a do Rei Momo, inspirada nos bufos, atores portugueses que costumavam representar comédias teatrais para divertir os nobres. Há também o Zé Pereira, tocador de bumbo que apareceu em 1846 e revolucionou o carnaval carioca.
 Tem origem portuguesa e, tendo sido esquecido no começo do século XX, deixou como sucessores os ritmistas que acompanhavam os blocos dos sujos tocando cuíca, pandeiro, reco-reco e outros instrumentos.
 As máscaras e fantasias começaram a ser difundidas aqui ainda na primeira metade do século XIX. O primeiro baile de máscaras do Brasil foi realizado pelo Hotel Itália, no Largo do Rocio, RJ. A ideia logo virou um hábito e contagiou a cidade. Mas, apesar de ser uma maneira sadia e alegre de se brincar o carnaval, contribuiu para marcar as já gritantes diferenças sociais que aqui sempre existiram. O Carnaval dos salões veio para agradar a elite e a classe emergente do país. O povo ficava do lado de fora, nas festas ao ar livre. E mesmo com o grande sucesso dos bailes de salão, foi na esfera popular que o carnaval adquiriu formas genuinamente autênticas e brasileiras.



 
 
 
 
 
Um dos itens mais importantes do carnaval brasileiro também obedece à evolução histórica. Na falta de um gênero próprio de música carnavalesca, inicialmente as brincadeiras eram acompanhadas pela Polca. Depois o ritmo passou a ser ditado pelas quadrilhas, valsas, tangos, charleston e maxixe, sempre em versão instrumental. Somente em 1880, as versões cantadas - entoadas por coros - invadiram os bailes. A primeira música feita exclusivamente para o carnaval foi uma marchinha, "Ó abre alas", composta para o cordão Rosa de Ouro pela maestrina Chiquinha Gonzaga em 1899 e inspirada pela cadência rítmica dos ranchos e cordões. Desde então este gênero, que rapidamente caiu no gosto popular, passou a animar os carnavais cariocas. Elas sobreviveram por um longo tempo, mas foram substituídas pelo samba, que na década de 60 passou a ocupar definitivamente o lugar das velhas marchinhas populares de carnaval nas rádios, nas gravadoras de discos e na recente televisão.






Fontes das imagens e pesquisa: www.areliquia.com.br
                                                         http://historia-do-carnaval.info
                                                         www.brasilescola.com
                                                         http://cocada-preta.blogspot.com.br
                                                         http://jornalareliquia.blogspot.com.br
                                                         http://oriodeantigamente.blogspot.com.br
                                                       
 
 
                                                         
 

 
Por Aline Andra



 
 

sábado, 1 de março de 2014

A estrada não seguida



 




Duas estradas divergiam em um bosque amarelo
e lamentando não poder seguir por ambas
e ser um só viajante, longamente eu permaneci
e olhei uma delas até o mais longe que pude,
para onde ela sumia entre os arbustos.

Então, segui a outra, igualmente bela
e tendo talvez clamor maior
porque era gramada e convidativa;
Embora quanto a isso, as passagens
houvessem lhes desgastado quase que o mesmo,

e ambas naquela manhã se estendiam
em folhas que nenhum passo enegrecera,
Oh, eu guardei a primeira para um outro dia!
Contudo, sabendo como um caminho leva a outro,
eu duvidei de que um dia voltasse.

Eu estarei contando isso com um suspiro
a eras e eras daqui:
Duas estradas divergiam em um bosque, e eu –
Eu escolhi a menos percorrida,
e isto fez toda a diferença.




The road not taken
 
Two roads diverged in a yellow wood,
and sorry I could not travel both
and be one traveler, long I stood
and looked down one as far as I could
to where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
and having perhaps the better claim
because it was grassy and wanted wear,
though as for that the passing there
had worn them really about the same,
 
And both that morning equally lay
in leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
somewhere ages and ages hence:
two roads diverged in a wood, and I,
I took the one less traveled by,
and that has made all the difference.


Robert Frost






Por Aline Andra

 
 


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Don't wait too long - Madeleine Peiroux


 


 


A voz desta jazzista, compositora e instrumentista americana da Geórgia não é notada somente pela comparação inevitável com Billie Holiday. Há tempos, Jô Soares disse numa de suas jam sessions na Rádio Eldorado paulista que “Billie tinha mel escorrendo pela garganta”. Uma das mais perfeitas definições que já ouvi. A mesma doçura se percebe em Madeleine, que começou a descobrir seu caminho aos quinze anos, apreciando os artistas do boêmio Quartier Latin, em Paris, e depois participando dos grupos.
A atenção mais expressiva chegou em 1996, com o seu primeiro álbum (Dreamland) e a partir daí aconteceu a fama. O que acho bastante interessante, além de sua óbvia qualidade como cantora, é sua "rebeldia". Introspectiva, gosta de isolamentos e silêncios e não segue os movimentos típicos de quem quer uma carreira sólida com rapidez. Durante grandes intervalos entre gravações de álbuns, ela volta às suas raízes, com concertos em pequenos clubes e apresentações de rua ao redor do mundo. Segundo li, sua gravadora já precisou contratar um detetive particular para encontrá-la. Ponto para ela!



 
 



 

Fonte da imagem: Google
Fonte da pesquisa: www.madeleinepeiroux.org
                                   http://pt.wikipedia.org/wiki/Madeleine_Peiroux 


 
Por Aline Andra

 
 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O terceiro elemento




BuildingDreamsblog.jpg



Ele chega indolente e sem luz. Começa, negligentemente, a desfazer o ninho, sonhado na justa medida para dois e feito de frágeis e pequenos detalhes.
Ele parte dissimulado e sem pouso. Exaustos e em silêncio, os dois apenas se olham, pois já não há mais nada por admitir e, laboriosamente, começam a recolher os pedaços espalhados do sonho, que de tantas falhas e cicatrizes, vai ficando cada vez menor.










Por Aline Andra



 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Cores e transparências






Lam Woon Ng é um jovem artista de 43 anos, nascido em Johor, Malásia. Formado pela New York Academy of Art com mestrado em pintura figurativa, ele já tem seu trabalho reconhecido, premiado e encontrado em galerias e coleções particulares de todo o mundo.
Suas belas aquarelas, de cores vibrantes e traços curtos e múltiplos, recebem a influência dos traços caligráficos chineses e da filosofia Taiji, embora ele afirme não se prender a estilos: “Enquanto eu estava estudando tinta, aquarela, guache ou lápis, eu não estava restrito a determinados estilos ou métodos acadêmicos. A partir de experiências destemidas, eu fiz o meu caminho para uma nova descoberta. Aproveitei a oportunidade para ampliar meu escopo de trabalho através de linguagens familiares e origens culturais. Todo o processo me permitiu abrir novos caminhos criativamente.”












































Fontes das imagens e pesquisa: www.ngwoonlam.com
                                                         www.nst.com.my





Por Aline Andra


 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A escrita alterada







De aocrdo com uma pesqisua da Cmabrigde Uinervtisy, não ipmorta em que odrem etsão as lteras em uma plavara, a úinca cosia ipmortnate é que a úlitma e a primiera etsejam no luagr cetro.

O rseto pdoe etsar desordneado que lmeos sem maoires porbelmas.

 Isso proque o cérbero humnao não intreperta cdaa lerta sozihna, e sim a palvara cmoo um tdoo.






 




 

 

Por Aline Andra





terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O irresistível Jesse

 




As aventuras de Jesse, um Jack Russell Terrier esperto e charmoso, são conhecidas por muitos.  Bem treinado por Heather, que utiliza o reforço positivo e o bom companheirismo,  ele nos dá algumas lições de capricho doméstico e civilidade. Irresistível!




 



 

 Fonte: http://plullina.blogspot.com.br


 


Por Aline Andra