quarta-feira, 26 de março de 2014

Superpopulação



 

Para quem (como eu) pensou, um dia, na dor e na delícia de se tornar um solitário com o auxílio luxuoso de uma ilha deserta, a notícia não é das mais empolgantes: o planetinha Terra já não está dando conta da quantidade de seus habitantes e até as ilhas, não mais desertas, estão a perder seu charme e fantasia.
Uma delas é a pequena Migingo com apenas dois mil metros quadrados, localizada no Lago Vitória, entre a fronteira do Quênia e de Uganda. Em um amontoado de casas, corpos e almas, as condições de vida são, obviamente, as mais precárias, mas com a inacreditável resistência e capacidade de adaptação dos que aprenderam a sobreviver apesar das circunstâncias, a comunidade possui bares, salão de beleza, farmácia, vários hotéis e bordéis.
Para complicar um pouco mais, os dois países disputam o controle e posse da ilha e das águas próximas por causa das atividades de pesca.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Fonte das imagens e pesquisa: www.mundointeressante.com.br

 

 

Por Aline Andra

 

 

domingo, 23 de março de 2014

Artimanhas da natureza




 
As formigas conhecidas como Potes-de-mel  usam o próprio abdômen como reservatório de alimento para todo o formigueiro, acumulando néctar até não conseguirem mais se mexer. Depois que alimentam as outras formigas, começam a armazenar novamente. Consideradas também um petisco delicioso, são encontradas nas regiões desérticas da África, América do Norte e Austrália.
 

 
 
Em 2010, as enchentes no Paquistão forçaram milhões de aranhas a buscar refúgio em árvores, produzindo estas inacreditáveis redes. 
 

 

 
As fêmeas da abelha Osmia avosetta produzem um aglomerado de pétalas de flores para construir ninhos para suas larvas. Depois de prontos, elas os enchem de néctar e pólen e os lacram, tornando-os impermeáveis. Todo o processo pode durar até dois dias.
 



Para atrair as fêmeas, os baiacus constroem círculos de areia, que além de terem a função de proteger os ovos postos, são verdadeiras obras de arte.
 


 
Milhares de cupins constroem seu lar com controle de temperatura e protegido contra condições climáticas extremas.
 
 

 
O caranguejo se camufla, furando detritos que estão no fundo do mar. Esta mistura de material orgânico e inorgânico acaba criando belos objetos artísticos.

 
Amicta é uma espécie de larva que constrói casulos em madeira.
 
 
O bowerbird, um passarinho de 20 cm, cria ninhos cercados por objetos coloridos.
 

Uma vespa constrói ninhos usando fibras vegetais misturadas com sua saliva, formando uma obra colorida e singular.
 

Estas larvas criam bolsas de proteção, usando pedras, galhos e areia. O artista francês Hubert Duprat utiliza este material inusitado para fazer joias, banhando as peças com ouro, pérolas e pedras preciosas.










Fontes das imagens e pesquisa: http://obutecodanet.ig.com.br
                                                         http://pt-br.facebook.com/vidabiologia

 
                                                      



 Por Aline Andra

 

segunda-feira, 17 de março de 2014

Do lixo à música





A Orquestra de Instrumentos Reciclados de Cateura é o resultado fantástico da iniciativa de pessoas com poucos recursos, mas muita vontade de fazer a diferença e contribuir para um mundo um pouco melhor. Formada por jovens de uma comunidade localizada  numa das zonas mais subdesenvolvidas do mundo e que contém o maior aterro sanitário de Assunção, capital do Paraguai, a Orquestra se apresenta com instrumentos musicais fabricados  a partir de sucatas.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tudo começou quando um técnico ambiental, Favio Chávez, foi trabalhar em Cateura em 2004. Músico amador, ele resolveu ensinar a quem quisesse aprender. O interesse foi imediato e com apenas cinco instrumentos para compartilhar, a solução encontrada foi a mais criativa. Com a ajuda do carpinteiro Nicolás Gómez, o material encontrado no lixão se transformou em instrumentos alternativos que já foram exibidos no Museu dos Instrumentos Musicais em Phoenix (Arizona, EUA), ao lado dos pianos de John Lennon e das guitarras de Eric Clapton.
 
 
 
 
 
 
Foram dezenas de concertos mundo afora. O repertório é diversificado: Beethoven, Mozart, Vivaldi, Bach, Henry Mancini, Beatles, Frank Sinatra e músicas regionais.
Uma apresentação perfeita?
Favio responde: “Depende do que você chama de perfeição. Uma Orquestra pode ser perfeita como expressão musical, mas para nós, importa que seja perfeita socialmente falando. Com a música, a criança aprende outras expressões de sensibilidade. Porque, estando numa Orquestra, aprendem a ser solidários, responsáveis, respeitosos.”
O que ele ganha fazendo o que faz?
“O privilégio de mudar vidas. Às vezes, me sinto empunhando uma varinha mágica que realiza sonhos.”
 
 
 
 
 
 
 

O diretor Graham Towsley produziu o documentário Landfill Harmonic (Aterro Harmonico), contando a história da Orquestra.

 
 
 
 
 
 
 
 

Fontes das imagens e pesquisa: http://g1.globo.com
                                                         www.vermelho.org.br
 
 
 

 
 

Por Aline Andra
 

 
 
 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Temporada de sorvete





Com o calor insuportável que está fazendo no Rio de Janeiro, sorvete não pode faltar aqui em casa. Abro as portas com alegria para todas as marcas industrializadas sem ressalvas ou culpa. Adoraria ter uma sorveteira para fazê-los de todos os tipos e sabores e rapidamente, mas na falta da traquitana e de paciência para a sequência interminável bate-leva ao freezer-espera duas horas-bate novamente-leva ao freezer até se obter a consistência ideal...
Daí adorei quando descobri a receita de um sorvete bem diferente, mais saudável e de preparo simples. A originalidade fica por conta do inhame! Sim, aquele mesmo para o qual algumas pessoas torcem o nariz. Já eu sinto a maior simpatia tanto por seu potencial quanto por sua feiura. Para saber mais sobre suas propriedades e benefícios, clique aqui .
O resultado é excelente porque o inhame age como um perfeito emulsificante, garantindo a cremosidade do sorvete.


INGREDIENTES:

Versão Vegana:

-1/2 kg de inhame
- 1 xícara de melado
- 500 ml de creme de leite de soja
- 1 colher de chá de café solúvel (opcional)


Versão lacto-vegetariana:

- 500 kg de inhame
- 2 latas de leite condensado
- 500 ml de creme de leite fresco
- 1 colher de sobremesa de baunilha (opcional) ou 1 colher de chá de café solúvel (opcional)


MODO DE FAZER:

- Descasque o inhame e cozinhe em água até ficar macio. Espere amornar e coloque no liquidificador com os outros ingredientes. Bata até ficar homogêneo. Coloque em um pote e leve para o freezer por, no mínimo, doze horas. Antes de servir, retire  do freezer e deixe na geladeira por alguns minutos. 


Esta é a base. Depois é só incrementar com tudo o que vier à imaginação: raspas de chocolate ao leite ou meio amargo, nozes, avelãs, castanhas, gengibre, doce de leite, geleias ou frutas (menos mamão), suco de beterraba ou cenoura, manjericão, tahine com folhas de hortelã, etc...






Por Aline Andra


 

terça-feira, 4 de março de 2014

Viagem no tempo: história do Carnaval



 


Estudiosos divergem quanto à origem do termo Carnaval.  Para uns, a palavra vem de carrum navalis, os carros navais que faziam a abertura das Dionisías Gregas nos séculos VII e VI a.C. Uma outra versão é a de que a palavra Carnaval surgiu quando Gregório I, o Grande, em 590 d.C. transferiu o início da Quaresma para quarta-feira, antes do sexto domingo que precede a Páscoa. Ao sétimo domingo, denominado de "qüinquagésima" deu o título de "dominica ad carne levandas", expressão que teria sucessivamente se abreviado para "carne levandas", "carne levale", "carne levamen", "carneval" e "carnaval", todas variantes de dialetos italianos (milanês, siciliano, calabres, etc..) e que significam ação de tirar, quer dizer: "tirar a carne." A terça-feira (mardi-grass), seria legitimamente a noite do carnaval. Seria, em última análise, a permissão de se comer carne antes dos 40 dias de jejum da Quaresma.
Considerado um dos eventos mais animados e representativos de todo o mundo, o Carnaval é uma festa popular que surgiu ainda na Antiguidade. Sua história começa há mais de 4 mil anos antes de Cristo, no antigo Egito, com as festas de culto a Ísis. Eram relacionadas a acontecimentos religiosos e rituais agrários, na época da colheita de grandes safras. Desde essa época as pessoas já pintavam os rostos, dançavam e bebiam.



  
 
 
Na antiga Babilônia, duas festas possivelmente originaram o que conhecemos como Carnaval. As Saceias eram uma festa em que um prisioneiro assumia durante alguns dias a figura do rei, vestindo-se como ele, alimentando-se da mesma forma e dormindo com suas esposas. Ao final, o prisioneiro era chicoteado e depois enforcado ou empalado.
O outro rito era realizado pelo rei nos dias que antecediam o equinócio da primavera, período de comemoração do ano novo na região. O ritual ocorria no templo de Marduk, um dos primeiros deuses mesopotâmicos, onde o rei perdia seus emblemas de poder e era surrado na frente da estátua. Essa humilhação servia para demonstrar a submissão do rei à divindade. Em seguida, ele novamente assumia o trono.
O que havia de comum nas duas festas e que está ligado ao Carnaval era o caráter de subversão de papéis sociais: a transformação temporária do prisioneiro em rei e a humilhação do rei frente ao deus. Possivelmente a subversão de papeis sociais durante o Carnaval, como os homens vestirem-se de mulheres e vice-versa, tenha suas origens nessa tradição mesopotâmica.
Na Grécia Antiga, por exemplo, eram realizadas as famosas Festas Dionísicas, celebrações em homenagem a Dionísio. (Seu equivalente romano é Baco, o deus do vinho, sendo a ele atribuído os excessos sexuais). 
 


 
 
 
Havia ainda em Roma as Saturnálias e as Lupercálias. As primeiras ocorriam no solstício de inverno, em dezembro, e as segundas, em fevereiro, que seria o mês das divindades infernais, mas também das purificações. Tais festas duravam dias, com comidas, bebidas e danças. Os papeis sociais também eram invertidos temporariamente, com os escravos colocando-se nos locais de seus senhores, e estes se colocando no papel de escravos.
Durante os Carnavais medievais por volta do século XI, no período fértil para a agricultura, homens jovens que se fantasiavam de mulheres saíam nas ruas e campos durante algumas noites. Diziam-se habitantes da fronteira do mundo dos vivos e dos mortos e invadiam os domicílios, com a aceitação dos que lá habitavam, fartando-se com comidas e bebidas, e também com os beijos das jovens das casas.
 



Durante o Renascimento, nas cidades italianas, surgia a Commedia dell'arte, teatros improvisados cuja popularidade ocorreu até o século XVIII. Em Florença, canções foram criadas para acompanhar os desfiles, que contavam ainda com carros decorados, os trionfi. Em Roma e Veneza, os participantes usavam a bauta, uma capa com capuz negro que encobria ombros e cabeça, além de chapéus de três pontas e uma máscara branca. Datam dessa época três grandes personagens do Carnaval. A Colombina, o Pierrô e o Arlequim tem origem na Comédia Italiana. O Pierrô é uma figura ingênua, sentimental e romântica. É apaixonado pela Colombina, que era uma caricatura das antigas criadas de quarto, sedutoras e volúveis. Mas ela é a amante de Arlequim, rival do Pierrô, que representa o palhaço farsante e cômico.
 
 
 

Mas tais festas eram pagãs. Com o fortalecimento de seu poder, a Igreja não as via com bons olhos. Nessa concepção do Cristianismo, havia a censura da inversão das posições sociais, pois, para a Igreja, ao inverter os papéis de cada um na sociedade, invertia-se também a relação entre Deus e o Demônio. A Igreja Católica buscou então enquadrar tais comemorações. A partir do século VIII, com a criação da quaresma, tais festas passaram a ser realizadas nos dias anteriores ao período religioso. A Igreja pretendia, dessa forma, manter uma data para as pessoas cometerem seus excessos, antes do período da severidade religiosa.
O carnaval chegou ao Brasil a partir do século XIII, quando os portugueses trouxeram a brincadeira do entrudo (palavra que vem do latim e que significa “início, abertura da quaresma”) , típica da região de Açores e Cabo Verde, que consistia em um jogo em que as pessoas sujavam umas as outras com tintas, farinha, ovos e água.



 
 
 
 
 
 Mais precisamente, o entrudo desembarcou no Brasil em 1641, na cidade do Rio de Janeiro. Assim como em Portugal, era uma festa cheia de inconveniências da qual participavam tanto os escravos quanto as famílias brancas. Após insistentes intervenções e advertências da Igreja Católica, os banhos de água suja foram sendo substituídos por limões de cheiro, esferas de cera com água perfumada ou água de rosas e bisnagas cheias de vinho, vinagre ou groselha. Esses frascos deram origem ao lança-perfume, bisnaga ou vidro de éter perfumado de origem francesa. Criado em 1885, chegou ao Brasil nos primeiros anos do século XX. Também substituindo as grosserias, vieram então as batalhas de flores e os desfiles em carros alegóricos, de origem europeia.



 
 
 
 Uma das figuras mais marcantes da festa é a do Rei Momo, inspirada nos bufos, atores portugueses que costumavam representar comédias teatrais para divertir os nobres. Há também o Zé Pereira, tocador de bumbo que apareceu em 1846 e revolucionou o carnaval carioca.
 Tem origem portuguesa e, tendo sido esquecido no começo do século XX, deixou como sucessores os ritmistas que acompanhavam os blocos dos sujos tocando cuíca, pandeiro, reco-reco e outros instrumentos.
 As máscaras e fantasias começaram a ser difundidas aqui ainda na primeira metade do século XIX. O primeiro baile de máscaras do Brasil foi realizado pelo Hotel Itália, no Largo do Rocio, RJ. A ideia logo virou um hábito e contagiou a cidade. Mas, apesar de ser uma maneira sadia e alegre de se brincar o carnaval, contribuiu para marcar as já gritantes diferenças sociais que aqui sempre existiram. O Carnaval dos salões veio para agradar a elite e a classe emergente do país. O povo ficava do lado de fora, nas festas ao ar livre. E mesmo com o grande sucesso dos bailes de salão, foi na esfera popular que o carnaval adquiriu formas genuinamente autênticas e brasileiras.



 
 
 
 
 
Um dos itens mais importantes do carnaval brasileiro também obedece à evolução histórica. Na falta de um gênero próprio de música carnavalesca, inicialmente as brincadeiras eram acompanhadas pela Polca. Depois o ritmo passou a ser ditado pelas quadrilhas, valsas, tangos, charleston e maxixe, sempre em versão instrumental. Somente em 1880, as versões cantadas - entoadas por coros - invadiram os bailes. A primeira música feita exclusivamente para o carnaval foi uma marchinha, "Ó abre alas", composta para o cordão Rosa de Ouro pela maestrina Chiquinha Gonzaga em 1899 e inspirada pela cadência rítmica dos ranchos e cordões. Desde então este gênero, que rapidamente caiu no gosto popular, passou a animar os carnavais cariocas. Elas sobreviveram por um longo tempo, mas foram substituídas pelo samba, que na década de 60 passou a ocupar definitivamente o lugar das velhas marchinhas populares de carnaval nas rádios, nas gravadoras de discos e na recente televisão.






Fontes das imagens e pesquisa: www.areliquia.com.br
                                                         http://historia-do-carnaval.info
                                                         www.brasilescola.com
                                                         http://cocada-preta.blogspot.com.br
                                                         http://jornalareliquia.blogspot.com.br
                                                         http://oriodeantigamente.blogspot.com.br
                                                       
 
 
                                                         
 

 
Por Aline Andra



 
 

sábado, 1 de março de 2014

A estrada não seguida



 




Duas estradas divergiam em um bosque amarelo
e lamentando não poder seguir por ambas
e ser um só viajante, longamente eu permaneci
e olhei uma delas até o mais longe que pude,
para onde ela sumia entre os arbustos.

Então, segui a outra, igualmente bela
e tendo talvez clamor maior
porque era gramada e convidativa;
Embora quanto a isso, as passagens
houvessem lhes desgastado quase que o mesmo,

e ambas naquela manhã se estendiam
em folhas que nenhum passo enegrecera,
Oh, eu guardei a primeira para um outro dia!
Contudo, sabendo como um caminho leva a outro,
eu duvidei de que um dia voltasse.

Eu estarei contando isso com um suspiro
a eras e eras daqui:
Duas estradas divergiam em um bosque, e eu –
Eu escolhi a menos percorrida,
e isto fez toda a diferença.




The road not taken
 
Two roads diverged in a yellow wood,
and sorry I could not travel both
and be one traveler, long I stood
and looked down one as far as I could
to where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
and having perhaps the better claim
because it was grassy and wanted wear,
though as for that the passing there
had worn them really about the same,
 
And both that morning equally lay
in leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
somewhere ages and ages hence:
two roads diverged in a wood, and I,
I took the one less traveled by,
and that has made all the difference.


Robert Frost






Por Aline Andra