quarta-feira, 23 de abril de 2014

Calma!



 

Em The God, uma animação dirigida em 2003 por Konstantin Bronzit , uma estátua de bronze de Shiva Nataraja (a divindade hindu que personifica a benevolência)  luta para livrar-se do assédio enlouquecedor de uma mosca, causando mais e mais danos para si mesmo.
Uma reflexão: não estaremos também dando um insensato poder aos problemas que - independentemente do tamanho ou dimensão - acabam por ser, de modo geral, passageiros?
Eu sei, eu sei, nem sempre é tarefa fácil...
 
 

 
 
 
 
Fonte da imagem: www.estudioicone.com 
 
 
 

Por Aline Andra
 
 
 
 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Sobre Gabriel García Márquez (1927-2014)






Já doente há bastante tempo e sem conseguir “desembrulhar suas memórias”, ele não mais escrevia e vários foram os boatos, mas hoje foi confirmada a morte, aos 87 anos, desse escritor que se fez presente de forma avassaladora na vida de muitos.
Não creio que tenha existido na literatura latino-americana outro artesão da palavra tão criativo e tão influente. Na minha trajetória como leitora, ele foi uma maravilhosa descoberta. Suas histórias fantásticas me ajudaram a entender que a realidade tem muitas facetas e pode sim ser percebida e vivida diferentemente e sem prejuízos por cada pessoa que queira investir um tanto de imaginação e delicadeza.
Nem sei mais quantas vezes já reli sua obra, mas tenho certeza de que o mistério e o encantamento que sinto serão  sempre renovados. Talvez não por acaso ele tenha desejado, antes de ser  escritor, ser mágico.
Que o genial Gabo esteja em paz.


"se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos."
Em: O amor nos tempos do cólera


 


 


Por Aline Andra




quarta-feira, 9 de abril de 2014

Desenredo - Boca Livre e Roberta Sá






Penso que a música popular brasileira tem dois extremos: o do talento incontestável e o da mediocridade absoluta. Não há meio termo, fórmulas salvadoras ou espaço para enganações. Os que  tem o que dizer, o fazem poeticamente, apaixonadamente e com um brilho que não se extingue. Quanto ao resto...
O quarteto Boca Livre formado atualmente por Maurício Baeta (contrabaixo, violão e vocal), Zé Renato (violão e vocal), David Tygel (viola e vocal) e Lourenço Baeta (flautas, violão e vocal), sempre esteve na lista dos que merecem todos os aplausos. Em perfeita sintonia e com escolhas musicais impecáveis, eles só melhoram com o tempo. E já lá se vão mais de vinte e cinco anos de carreira!
Roberta Sá é uma joia da nova geração. Não conheço todo o seu repertório, mas sei da sua seriedade, bom gosto e inquietação na busca de uma identidade musical.
Desenredo, música de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, está de doer nesse encontro de vozes tão especiais.
Ê, Minas! Sinto uma frustração confessa e inexplicável de não ter nascido mineira.




 

 

Por Aline Andra



segunda-feira, 7 de abril de 2014

O túnel



Ilusões de óptica - Abril de 2013


As ilusões de ótica não são espetaculares?
Uma imagem estática engana tão facilmente nosso cérebro a ponto de se mostrar, a nossos olhos, distorcida ou em movimento? Muito desconcertante...
Gosto de observá-las como um lembrete de que nem tudo é o que parece ou de que nossas certezas (principalmente as que nos chegam através dos sentidos) devam ser sempre questionadas. Afinal, há que ter cautela porque entrar no túnel e enfrentar o desconhecido de olhos abertos ou fechados talvez dê no mesmo...








Fonte da imagem: www.mdig.com.br





 
Por Aline Andra




domingo, 6 de abril de 2014

Para sempre, José Wilker (1946-2014)




Um curto e valioso depoimento sobre o amadurecimento de um ator, mas principalmente sobre tornar-se uma pessoa que soube usufruir intensamente de muitas curtas e valiosas vidas: a sua e a de seus inesquecíveis personagens.




 


 

Por Aline Andra



quinta-feira, 3 de abril de 2014

Canção na Plenitude





Não tenho mais os olhos de menina
 nem corpo adolescente, e a pele
 translúcida há muito se manchou.
 Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
 agrandada pelos anos e o peso dos fardos
 bons ou ruins.
 (Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)
 
O que te posso dar é mais que tudo
 o que perdi: dou-te os meus ganhos.
 A maturidade que consegue rir
 quando em outros tempos choraria,
 busca te agradar
 quando antigamente quereria
 apenas ser amada.
 Posso dar-te muito mais do que beleza
 e juventude agora: esses dourados anos
 me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
 e não menos ardor, a entender-te
 se precisas, a aguardar-te quando vais,
 a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
 e sobretudo força — que vem do aprendizado.
 Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
 cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
 cujas correntes ocultas não levam destroços
 mas o sonho interminável das sereias.
 
 
Lya Luft
 
Extraído do livro "Secreta Mirada", Editora Mandarim - São Paulo, 1997, pág. 151.





 
 
Por Aline Andra