quinta-feira, 5 de junho de 2014

Instinto (Instinct)



 

Ano: 1999 (EUA)
Diretor: Jon Turteltaulb
Atores: Anthony Hopkins, Cuba Gooding Jr., Donald Sutherland, Maura Tierney
 
 
Estou numa fase árida em relação ao cinema. Causa-me espanto perceber que tanta energia e tantos milhões são gastos em filmes sem conteúdo, sem nenhum propósito além de “matar” o nosso tempo (intencionalmente?). E o tempo, coitado, tão generoso e amistoso na sua doação, morre sem entender o motivo de tal desacato.
Enfim, resolvi me reabastecer em terreno conhecido e revi Instinto. Não é possível tecer muitos comentários sobre a história, sem revelar mais que o necessário. Quem já assistiu ao filme sabe que, desde o início, ele já oferece surpresas e um excelente material para reflexão. Anthony Hopkins, intenso e carismático como sempre, constrói um Dr. Ethan Powell com imensa riqueza interior e que, ao desistir de sua condição de “civilizado”, permanecendo na selva e entregando-se ao convívio com os gorilas – objetos de seu estudo como antropólogo – descobre na paz, na contemplação, no sentimento de estar protegido e ser aceito incondicionalmente pelo grupo, o total discernimento sobre a vida em sua essência e sua estreita e inseparável relação instintiva com a natureza.

Isso não significa uma oposição à ciência, mas compreende esta como apenas um meio que poderia ser utilizado para intensificar o viver, sabendo-se que são meras ilusões, desautorizando-a enquanto palavra de verdade, pois o mundo é legítimo em seus enigmas e conflitos insolúveis. A ciência é destronada do trono que ela ocupou após destronar Deus, pois o existencialismo entende que o homem está sobre um abismo sem fundo e sob um céu vazio: lançado ao nada. E esse nada não é aquele niilista, é uma condição humana reconhecida e que, justamente a partir dela, do nada ser, que o homem pode inventar infinitos sentidos para a vida. (Adriel Dutra)

Entretanto, o preço a pagar é muito alto. Tendo sido um cientista conceituado e respeitado pelo mundo acadêmico, passa a ser considerado um homicida desequilibrado e perigoso, um “selvagem”.
Para analisar esta transformação e avaliar sua condição mental, entra em cena o psiquiatra Theo Caulder, numa ótima atuação de Cuba Gooding Jr. Seu personagem tão imaturo em sua necessidade de afirmação e controle, sua arrogante competência e sua rigidez de ideias, sente-se desorientado neste confronto, mas à medida que a relação vai sendo vagarosamente sedimentada, Ethan passa a rever seus conceitos e a sentir a dor da lucidez - a perda das ilusões e das suas expectativas frente à realidade - uma ruptura tão difícil mas necessária para que ele se descubra um homem mais completo e perceba o Existir em toda a sua grandeza.  
 
 
 
 
 
 
Por Aline Andra

 
 

 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Bem no fundo






No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.


Paulo Leminski


 

Por Aline Andra


 

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Lendo em qualquer lugar



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte das imagens: Google
 
 
 
Por Aline Andra
 
 

terça-feira, 27 de maio de 2014

Rhapsody in Blue - Leung Pak-yue

 
 



Como explicar tanto talento e seriedade numa pessoa ainda tão miúda?
Leung Pak-yue  venceu a competição de 2009 do Festival de Harmonica de Hangzhou (China), tocando a bela e difícil composição de George Gershwin - que combina elementos da música clássica com influências do jazz. 
Digno de registro e aplausos!
 


 
 
 
 

Por Aline Andra
 
 
 

 

domingo, 25 de maio de 2014

"O artista não é...


The Connoisseur - Norman Rockwell
(Óleo sobre tela - 1962)


...e nunca foi um homem isolado que vive no alto de uma torre de marfim. O artista, mesmo aquele que mais se coloca à margem da convivência, influenciará necessariamente, através de sua obra, a vida e o destino dos outros. Mesmo que o artista escolha o isolamento como melhor condição de trabalho e criação, pelo simples fato de fazer uma obra de rigor, de verdade e de consciência, ele está a contribuir para a formação duma consciência comum.
Mesmo que fale somente de pedras ou de brisas a obra do artista vem sempre dizer-nos isto: Que não somos apenas animais acossados na luta pela sobrevivência, mas que somos, por direito natural, herdeiros da liberdade e da dignidade do ser."



Sophia de Mello Breyner Andresen












Por Aline Andra




quarta-feira, 14 de maio de 2014

Comendo palavras

 
 


O papel de arroz é um dos trunfos da culinária. Desde os tradicionais rolinhos com recheios variados até as modernas impressões coloridas com tinta comestível para coberturas de bolos, com criatividade, seu uso é ilimitado.
Fazê-lo em casa é muito fácil. Basta deixar os grãos de molho por 24 horas e depois bater tudo no liquidificador. A massa líquida cozinha muito rápido quando espalhada em um pano sobre o vapor. O papel fica mais resistente e muito mais elástico que o da versão encontrada em lojas de produtos orientais. Se desejar torná-lo maleável novamente, basta hidratá-lo na água em temperatura ambiente por alguns segundos, colocá-lo sobre um pano limpo e seco e enrolar com recheio, cortar como macarrão, etc. 
 






A sugestão muito simples, mas não menos interessante para um momento descontraído, foi feita pela Neka Menna Barreto, chef e nutricionista brasileira: escreva o que desejar em uma folha de papel de arroz, usando um pedaço de chocolate ou canetas com tinta comestível e compartilhe com seus parceiros na brincadeira. Digerir palavras, frases, declarações ou confissões pode se tornar bem poético e, quem sabe, até terapêutico!
 
 

Neka e sua palavra
 
 
 
 
Fonte da imagens: Google
                                  http://discoverymulher.uol.com.br
 
 
 
 
 
 
Por Aline Andra