terça-feira, 24 de junho de 2014

Viagem no tempo: da Medicina - parte 1



 
Médicos usavam estas máscaras contra a Peste Negra. Substâncias aromáticas eram armazenadas no bico para maior proteção.
 
 
 
 
Por volta de 1870, o neurologista francês Guillaume Duchenne  inventou este tratamento que pretendia utilizar correntes elétricas que atravessavam o rosto e o contorciam involuntariamente como forma de estimulação muscular. De fato, Duchenne estava interessado em achar um "elo" entre as expressões e a alma.
 
 
 
 
 
Técnicas para o tratamento e correção da escoliose.



 
Até o final dos anos 1800, as crianças que sofriam de lúpus e tuberculose eram submetidas ao tratamento de Heliotropia, que consistia na indução da produção da vitamina D em resposta à luz.
 
 
 
 
Em 1878, este equipamento era usado para correção da coluna vertebral.
 
 
 
 
Perna artificial, em 1890.
 
  
 
 
Esta era a roupa de proteção usada pelos radiologistas em 1918.




 

O primeiro eletrocardiógrafo introduzido pela Cambridge Scientific Instruments.
 
 
 
 
Desde o início dos anos 20, vaporizadores com substâncias tóxicas (principalmente o Zyklon-B composto de granulados de gesso embebidos em ácido cianídrico líquido) foram utilizados para a eliminação de piolhos.
 
 
 
 
Em 1920, após a 1ª Guerra Mundial, máscaras como esta foram usadas durante uma epidemia de gripe.
 
 
 
 
Alguns exemplos das primeiras peças inventadas para disfarce de lesões faciais.









Fontes das imagens e pesquisa: www.absurdao.com
                                                         www.cannaclub.com.br
                                                         http://menezesciencia.blogspot.com.br
                                                         http://hypescience.com

 
                                                        
 
 
 

Por Aline Andra
 


 

sábado, 21 de junho de 2014

O poder da arte - Turner



Autorretrato  (1798)


Joseph Mallord William Turner (Londres, 23 de abril de 1775 - Chelsea, 19 de dezembro de 1851) foi um controverso pintor inglês do séc. XIX e considerado um dos precursores do movimento impressionista, devido a seus estudos sobre luz e cor. Um artista singular que escolheu não se acomodar aos padrões convenientes e confortáveis aceitos pela maioria, mas idealizar e registrar os intensos e obscuros momentos de sua época.
Este formidável documentário O poder da arte, produzido para a BBC e narrado quase teatralmente por Simon Schama, demonstra que “a grande arte tem péssimos modos. A silenciosa reverência da galeria pode levar você a acreditar, enganosamente, que as obras-primas são delicadas, acalmam, encantam, distraem, mas na verdade elas são truculentas. Impiedosas e astutas, as maiores pinturas lhe aplicam uma chave de cabeça, acabam com sua compostura e, ato contínuo, põem-se a reorganizar seu senso da realidade.”

  





Por Aline Andra
 
 
 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Amar ao próximo



  

Do premiado cartunista Dario Castillejos Lázcares




 

Por Aline Andra
 
 

 

domingo, 15 de junho de 2014

O futebol - parte 1

 Óleo sobre tela - André Lhote


“A palavra campo designa um terreno extenso e não acidentado, e, para além de sua acepção agrícola, o espaço capaz de tornar-se o teatro de um jogo de forças, sugerido pela palavra alemã Kampf, da mesma raiz, significando luta, e pela palavra campeão, o lutador. O campo está a um passo da arena e guerra. Mas uma arena que se presta mais à visibilização do combate, isto é, à sua espetacularização e sua simbolização, do que à sua realização literal, quando ele não se destina expressamente a fins agressivos e passa a decidir, num tira-teima ritual com o outro, sob o olhar de outros, quem detém, por um momento ritualizado, o domínio de uma modalidade. (...) É essencial entender também que, ao dar forma lúdica ao mito da concorrência universal, o futebol criou o campo simbólico onde essa concorrência muda de sentido – tanto socialmente, já que apropriada por agentes que não teriam oportunidade no campo da competição econômica (operários ingleses ou brasileiros pobres, por exemplos), quanto simbolicamente, já que a concorrência se dá em código corporal e não verbal, irradiante de sentidos não determinados, desfrutando de um estatuto correspondente ao da autonomia da obra de arte.” (...) De qualquer modo, dizia Pasolini, o delírio do gol é puramente poético, chegue-se a ele por uma via ou por outra, e, como tal, é o momento e o lugar em que a diferença entre prosa e poesia se desfaz, já que ‘todo gol é sempre uma invenção, é sempre uma subversão do código: todo gol é inexorabilidade, fulguração, estupor, irreversibilidade”.



“O goleiro é sabidamente um ser de exceção, e, nos momentos cruciais, um solitário. Como os indivíduos sagrados e malditos, ele pode o que os outros não podem (tocar a bola com as mãos) e não pode o que os outros podem (atravessar todo o campo e consumar o desejo maior do jogo, o gol). Se a impossibilidade dos outros é ditada, no entanto, pela regra do jogo, a do goleiro é imposta pelo peso de um tabu, que veio caindo sintomaticamente, como sabemos. De todo modo, ele não pode abandonar por completo o gol porque essa é a zona interditada por cuja virgindade ele é o responsável. A virgindade do gol é um tabu no sentido preciso da expressão (que tem sua origem na esfera mágico-religiosa): espaço consagrado simbolicamente, que não deve ser profanado. Tradicionalmente, o goleiro participava, mais que nenhum outro jogador, do destino terrível de todos aqueles que são a representação encarnada do tabu, e a própria metonímia da virgindade sagrada posta no limiar da profanação. No futebol, onde o tabu duplicado no espelho do zero a zero inicial quer ser violado pela confrontação dos contrários, o goleiro figurava como uma espécie de vestal posta a prêmio, virgem guardiã do fogo sagrado cujo poder participa todo o tempo da ameaça de imolação.”


“A ‘lógica dialética’, no futebol, pede a prosa consistente que eleva o tecido do jogo para além do discurso trivial, apático ou protocolar. Como já foi dito, a prosa do futebol não exclui necessariamente a poesia, que, ao contrário, precisa daquela para se realizar. Quando isso acontece (como no quarto gol da seleção brasileira na final contra a Itália, da Copa de 1970, em que a bola vem bailando desde a própria defesa numa sucessão de passes e dribles, gratuitos e eficazes, de Clodoaldo até o passe de Pelé no vazio para o chute inapelável de Carlos Alberto, depois da bola levemente levantada ao acaso pelo próprio ‘Sobrenatural de Almeida’ – em forma de ‘morrinho’), atingimos aquele ponto só formulável em termos como os de Fernando Pessoa, ao fazer o elogio da capacidade superior que a prosa plena teria, de conter em seu corpo a própria poesia e todas as artes: “Há prosa que dança, que canta, que se declama a si mesma. Há ritmos verbais que são bailados, em que a ideia se desnuda sinuosamente, numa sensualidade translúcida e perfeita’.”




Veneno Remédio – O futebol e o Brasil
José Miguel Wisnik, Companhia das Letras, São Paulo, 2008





 




Por Aline Andra

 


sábado, 14 de junho de 2014

A Casa-Prego e a resistência






O neologismo casa-prego (nail-house) surgiu para explicar uma construção cujos proprietários se recusam a vender ou entregar para o governo ou empreiteiras que pretendam demoli-la para dar lugar a estradas ou qualquer outro empreendimento imobiliário.
O termo é um trocadilho que se refere aos pregos que estão presos a pedaços de madeira e não podem ser retirados ou triturados com um martelo. 
Quando um acordo legal baseado no direito à propriedade privada não é firmado entre as partes interessadas - geralmente por discordância do proprietário em relação à compensação financeira - o imóvel  tem que ser mantido, gerando uma situação complicada. As obras são realizadas no entorno e os moradores rebeldes ficam, muitas vezes, sem os serviços essenciais básicos como luz, água, esgoto e até acesso.
Depois de algum tempo de obstinação, coerção e propostas reavaliadas, alguns destes conflitos acabam por se resolver e estes cenários surreais, encontrados em todo o mundo, desaparecem.

 
 
 

 


 

 

 

 
















Fontes das imagens e pesquisa: www.amusingplanet.com
                                                         www.inhabitat.com
                                                         www.echinacities.com
                                                         http://popupcity.net
                                                         www.mdig.com.br



Por Aline Andra






quarta-feira, 11 de junho de 2014

Fractais na natureza



29 padrões fractais hipnotizantes encontrados na natureza 16


Proposto pelo matemático Benoît Mandelbrot em 1975, o termo fractal – derivado do latim fractus (fração, fraturado) – se refere a qualquer objeto cuja estrutura básica, fragmentada ou irregular, é composta por versões progressivamente menores de forma geométrica simples.
Os fractais estão relacionados às áreas da física e da matemática que são conhecidas por Sistemas Dinâmicos ou Teoria do Caos, porque suas equações são utilizadas para descrever fenômenos que apesar de parecerem aleatórios, obedecem a certas regras, por exemplo, o fluxo dos rios. Em geral, as regras atribuídas a um objeto fractal são as seguintes:
- É muito irregular para ser descrito em termos geométricos tradicionais.
- Sua forma é feita de cópias menores da mesma figura.
- As cópias são similares ao todo: mesma forma, mas diferentes tamanhos (um zoom em um detalhe da imagem revela novos detalhes).
Na pródiga natureza, alguns elementos podem ser descritos segundo a geometria fractal, embora sua auto similaridade estenda-se só a uma faixa de escalas, mas são belos exemplos.
 

Brócolis
 
 
Nuvens
 
 
Náutilo
 
 
Fluxo das águas
 
 
Floco de neve
 
 
Vasos sanguíneos
 
 
Repolho
 
 
Conchas marinhas
 
 
Neve sobre o vidro
 
 
Estalactites
 
 
 
Babosa
 
 
Leito dos rios no deserto
 
 
Casca do caracol
 
 
Penas do pavão
 

Cordilheiras 
 
 
Neurônios
 
 
Pinhas
 
 
Folha de samambaia
 
 
Asas da libélula
 
 
 
 
 
 
 
Fontes das imagens e pesquisa:  www.caliandradoserrado.com.br
                                                          www.mdig.com.br
 
 
 
 
Por Aline Andra
 
 
 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Instinto (Instinct)



 

Ano: 1999 (EUA)
Diretor: Jon Turteltaulb
Atores: Anthony Hopkins, Cuba Gooding Jr., Donald Sutherland, Maura Tierney
 
 
Estou numa fase árida em relação ao cinema. Causa-me espanto perceber que tanta energia e tantos milhões são gastos em filmes sem conteúdo, sem nenhum propósito além de “matar” o nosso tempo (intencionalmente?). E o tempo, coitado, tão generoso e amistoso na sua doação, morre sem entender o motivo de tal desacato.
Enfim, resolvi me reabastecer em terreno conhecido e revi Instinto. Não é possível tecer muitos comentários sobre a história, sem revelar mais que o necessário. Quem já assistiu ao filme sabe que, desde o início, ele já oferece surpresas e um excelente material para reflexão. Anthony Hopkins, intenso e carismático como sempre, constrói um Dr. Ethan Powell com imensa riqueza interior e que, ao desistir de sua condição de “civilizado”, permanecendo na selva e entregando-se ao convívio com os gorilas – objetos de seu estudo como antropólogo – descobre na paz, na contemplação, no sentimento de estar protegido e ser aceito incondicionalmente pelo grupo, o total discernimento sobre a vida em sua essência e sua estreita e inseparável relação instintiva com a natureza.

Isso não significa uma oposição à ciência, mas compreende esta como apenas um meio que poderia ser utilizado para intensificar o viver, sabendo-se que são meras ilusões, desautorizando-a enquanto palavra de verdade, pois o mundo é legítimo em seus enigmas e conflitos insolúveis. A ciência é destronada do trono que ela ocupou após destronar Deus, pois o existencialismo entende que o homem está sobre um abismo sem fundo e sob um céu vazio: lançado ao nada. E esse nada não é aquele niilista, é uma condição humana reconhecida e que, justamente a partir dela, do nada ser, que o homem pode inventar infinitos sentidos para a vida. (Adriel Dutra)

Entretanto, o preço a pagar é muito alto. Tendo sido um cientista conceituado e respeitado pelo mundo acadêmico, passa a ser considerado um homicida desequilibrado e perigoso, um “selvagem”.
Para analisar esta transformação e avaliar sua condição mental, entra em cena o psiquiatra Theo Caulder, numa ótima atuação de Cuba Gooding Jr. Seu personagem tão imaturo em sua necessidade de afirmação e controle, sua arrogante competência e sua rigidez de ideias, sente-se desorientado neste confronto, mas à medida que a relação vai sendo vagarosamente sedimentada, Ethan passa a rever seus conceitos e a sentir a dor da lucidez - a perda das ilusões e das suas expectativas frente à realidade - uma ruptura tão difícil mas necessária para que ele se descubra um homem mais completo e perceba o Existir em toda a sua grandeza.  
 
 
 
 
 
 
Por Aline Andra