quinta-feira, 3 de julho de 2014

Ação e Reação






A mensagem (Because kindness keeps the world afloat) é de um comercial de coletes protetores, mas vale como um sempre oportuno alerta.
O curta metragem conta com a trilha musical One day de Matisyahu e com a direção, produção e roteiro de Orly Wahba.
Porque o simples exercício “gentileza gera gentileza” mantém o mundo em equilíbrio, mas é tão fácil esquecer ou deixar para um (outro) dia...

 







Por Aline Andra



 

terça-feira, 1 de julho de 2014

O futebol - parte 2



 Esmalte sobre azulejo - Alfredo Volpi (1896-1988)
 
 
“O poder de irradiação do futebol é impensável sem uma fenomenologia da bola: esse objeto distinto de todos os outros - sem quinas, pontas, dorso ou face, igual a si mesmo em todas as direções de sua superfície -, que rola e quica como se animado por uma força interna, projetável e abraçável como nenhum. A bola é redonda – não há como recuar diante da mais rotunda das obviedades. Ao contrário, é preciso redescobrir esse fato espantoso, que a distingue de todo o resto: “a esfera é [...] a forma primordial, [...] a menos ‘especificada’ de todas, semelhante a ela mesma em todas as direções, de sorte que, num movimento de rotação qualquer em torno do seu centro, todas as suas posições sucessivas podem ser sempre rigorosamente superpostas umas às outras”. Mas essa forma universal ganha uma concretude rasante quando convertida em objeto de jogo, feita de gomos de couro, bexiga ou borracha, cheia de forragem ou de ar, imitada num coco, numa laranja ou numa bola de meia. Assim ela é ao mesmo tempo geométrica e visceral, telúrica e aérea, pedestre e celeste, platônica e aristotélica, obra de engenharia e de bricolagem: perfeita em si mesma e sujeita a todas as apropriações (“pura ou degradada até a última baixeza”, como no verso de Manuel Bandeira sobre a mulher-estrela-da-manhã, passando, como se inatingível, pelas mãos e pelos pés de todos).”

 
“O simbolismo agonístico das práticas com bola, surgido nas mais remotas civilizações agrárias, aparece comumente ligado a ritos em que os movimentos da esfera são tidos como dotados da propriedade de reger o sol e a lua, dar-lhes forças, impedir ou produzir cataclismas, propiciar a fartura. Em contextos arcaicos, a bola tem o condão da “magia simpática”, fundado na sua semelhança com as luminárias celestes. Achados arqueológicos, indícios iconográficos e resíduos etimológicos apontam para essa conjugação de bola e movimentos astrais num arco amplo o bastante para ir do Oriente ao Ocidente, de chineses, japoneses, egípcios e babilônios a gauleses e bretões.”


“Em O pensamento selvagem, Claude Lévi-Strauss cita o caso surpreendente de indígenas da Nova Guiné que, tendo aprendido com ocidentais a jogar futebol, não o faziam para vencer mas para empatar, mesmo que às custas de jogar “tantas partidas quantas [...] necessárias, para que se equilibr[ass]em em exatamente as perdidas e ganhas” pelos dois lados. Nos termos do antropólogo, esses indígenas submetiam o jogo a uma outra lógica – a lógica do rito -, jogando uma espécie de “partida privilegiada” que visa produzir não a desigualdade, mas o equilíbrio entre os campos antagonistas. O exemplo diz de modo eloquente o quanto as práticas pré-modernas se distanciam disto que entendemos modernamente por jogo. E que, em sua inocência terrível, elas expõem de modo muito mais aberto o fato de que os destinos da bola conjuram e exconjuram a violência e a morte.”   

 
“A margem de narrativas e fabulações que resulta de tudo isso é enorme, independentemente da representação de qualquer coisa que não seja inerente às próprias circunstâncias da disputa. O mais simples toque, por exemplo, pode transpirar ingenuidade ou inteligência, ímpeto desbragado ou quintessenciada maturidade, fulguração ou obtusidade. A bola pode parecer um caroço de abacate ou um calombo, conforme o modo como é tocada, em certos momentos, ou uma esfera etérea que se arredonda quanto mais se desloca, em outros. Pairando sobre tudo, ainda, aquela nuvem trágica e extasiante que faz de cada jogador, jogo e time a sucessiva encarnação única e insubstituível de uma necessidade, o retorno implacável e a manifestação de um arquétipo, ao mesmo tempo em que a revelação de um destino que se decide em ato, acontecimento singular e irrepetível, ali, num tempo impalpável que se esvai entre os dedos.”

 
“Junto com a bola, o futebol faz rolar a Roda da Fortuna, a roleta que lança os jogadores num campo de provação que circula entre a promessa, a mediania, o carisma, o prodígio, o mito, a decadência, o malogro, a desgraça e o renascimento das cinzas.”

 
 
Veneno Remédio, o futebol e o Brasil
José Miguel Wisnik, Companhia das Letras, São Paulo, 2008

 

 

 


Por Aline Andra  
 
 
 
 

domingo, 29 de junho de 2014

A melhor Farofa de Mel



 
 

Injustamente ainda não compartilhei este delicioso complemento para tudo que a imaginação permitir. Do Cláudio Brisighello (e de sua caríssima metade, a Yuri Hayashi) que – cheio de atitude – pilota um fogão como poucos. Aliás, vale conferir todas as suas experimentações culinárias (quando eu "crescer", quero fazer pães iguais aos dele) e seus comentários sobre a natureza, o esporte, vida em comum... Há que apreciar pessoas que sabem dimensionar a importância de viver amorosamente.
Com poucos ingredientes e alguma prática, o resultado desta receita é fantástico. O Cláudio explica com espirituosos detalhes e muitas fotos, aqui.

 
FAROFA DE MEL

- 1 colher de sopa de mel
- 1 colher de glucose de milho (ou Karo)
- 300 g de açúcar
- 10 g de bicabornato de sódio

 
Para todos os dias!

 

 

 

Por Aline Andra
 
 
 

sábado, 28 de junho de 2014

Driven to tears - Robert Downey Jr. e Sting





Percebo que a maturidade trouxe muitos saldos positivos, tanto no aspecto profissional quanto no pessoal, para o ator Robert Downey Jr.
Vê-lo explorando sua versatilidade e aproveitando as várias possibilidades como artista com tanta segurança e empolgação é - para quem o admira - uma ótima sensação.
Fazendo parceria em Driven to tears do The Police com o super astro Sting, ele roubou a cena e mostrou a que veio. Muito bom!
 


 
 
 
 

Por Aline Andra

 


sexta-feira, 27 de junho de 2014

O amor depois do amor





Virá o tempo
em que, exultante,
saudarás a ti mesmo chegando
à tua porta, em teu espelho,
e cada qual sorrirá ante a saudação do outro,


e dirá, senta-te aqui. Come.
Voltarás a amar o estranho que foste.
Dá vinho. Dá pão. Devolva seu coração
a ele mesmo, ao estranho que toda a vida


te amou, que por outro
ignoraste, que te conhece a fundo.
Pega as cartas de amor na estante,


as fotografias, as anotações desesperadas,
descasca do espelho a tua imagem.
Senta-te. Celebra tua vida.


Derek Walcott (1948-1984)



No original: Love after love


The time will come
when, with elation
you will greet yourself arriving
at your own door, in your own mirror
and each will smile at the other’s welcome,


and say, sit here. Eat.
You will love again the stranger who was yourself.
Give wine. Give bread. Give back your heart
to itself, to the stranger who has loved you


all your life, whom you ignored
for another, who knows you by heart.
Take down the love letters from the bookshelf,


the photographs, the desperate notes,
peel your own image from the mirror.
Sit. Feast on your life.


 



Por Aline Andra


 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Viagem no tempo: da Medicina - parte 2

 
 

Em 1925, este aparelho foi inventado para bronzear bebês e compensar o raquitismo.
 
 
 
 
Na década de 20, o professor Philip Drinker criou este equipamento para o tratamento de insuficiências respiratórias graves e da poliomielite. A máquina exercia a função de um pulmão artificial.
 
 
 

Também dos anos 20, o tratamento diferenciado para fisioterapia.



 
Em 1940, surgiu o aparelho que media as ondas cerebrais.



 
Cadeira utilizada para tratamento psicológico em casos psiconeuróticos.




Esta técnica visava estimular a circulação sanguínea das pernas.




A máquina de cobalto rotativa era posta em torno do corpo de um paciente para atacar tumores cancerígenos, em 1955.




Um respirador portátil de 1955, projetado para que pacientes pudessem continuar a recuperação em casa.



 
Um brinquedo foi projetado para manter as crianças sentadas durante o exame de raio-X de tórax, em 1957.



 
Em 1960, esta roupa foi inventada para medir a temperatura do corpo durante uma pesquisa sobre os efeitos fisiológicos da alta velocidade e das viagens espaciais.



 

 

Fontes das imagens e pesquisa:  www.absurdao.com
                                                          www.cannaclub.com.br

                                        
                                                           

 

Por Aline Andra
 

 

terça-feira, 24 de junho de 2014

Viagem no tempo: da Medicina - parte 1



 
Médicos usavam estas máscaras contra a Peste Negra. Substâncias aromáticas eram armazenadas no bico para maior proteção.
 
 
 
 
Por volta de 1870, o neurologista francês Guillaume Duchenne  inventou este tratamento que pretendia utilizar correntes elétricas que atravessavam o rosto e o contorciam involuntariamente como forma de estimulação muscular. De fato, Duchenne estava interessado em achar um "elo" entre as expressões e a alma.
 
 
 
 
 
Técnicas para o tratamento e correção da escoliose.



 
Até o final dos anos 1800, as crianças que sofriam de lúpus e tuberculose eram submetidas ao tratamento de Heliotropia, que consistia na indução da produção da vitamina D em resposta à luz.
 
 
 
 
Em 1878, este equipamento era usado para correção da coluna vertebral.
 
 
 
 
Perna artificial, em 1890.
 
  
 
 
Esta era a roupa de proteção usada pelos radiologistas em 1918.




 

O primeiro eletrocardiógrafo introduzido pela Cambridge Scientific Instruments.
 
 
 
 
Desde o início dos anos 20, vaporizadores com substâncias tóxicas (principalmente o Zyklon-B composto de granulados de gesso embebidos em ácido cianídrico líquido) foram utilizados para a eliminação de piolhos.
 
 
 
 
Em 1920, após a 1ª Guerra Mundial, máscaras como esta foram usadas durante uma epidemia de gripe.
 
 
 
 
Alguns exemplos das primeiras peças inventadas para disfarce de lesões faciais.









Fontes das imagens e pesquisa: www.absurdao.com
                                                         www.cannaclub.com.br
                                                         http://menezesciencia.blogspot.com.br
                                                         http://hypescience.com

 
                                                        
 
 
 

Por Aline Andra