segunda-feira, 25 de agosto de 2014
domingo, 24 de agosto de 2014
Um songo
Bosco Martins – No
ano em que completa 50 anos que Rosa lançava Grande Sertão: Veredas, você
completa 90 anos, também recriando e remexendo com as estruturas formais da
literatura. Trace um paralelo do que representa este momento.
Manoel de Barros –
Outra vez o Rosa me contou: Precisei botar o nosso idioma a meu jeito afim que
eu me fosse nele. Botei minhas particularidades. Usei de insolências verbais,
sintáticas e semânticas, me encaixei na linguagem. Fiz meu estilo. Eu achava
que o escritor havia que estar pregado na existência de sua palavra. E você,
Manoel? me perguntou. Respondi: eu andei procurando retirar das palavras suas
banalidades. Não gostava de palavra acostumada. E hoje gosto mais de brincar
com as palavras do que de pensar com elas. Tenho preguiça de ser sério.
Bosco Martins – O que ficou na sua cabeça de
seu encontro com Rosa?
Manoel de Barros – Conheci o Rosa na primeira
viagem que ele fazia para o Pantanal. Fui ao encontro de um mito. Porque para
mim ele era um mito. Porém no instante que o conheci ele se tornou um ser
amável e bom de conversa. Conversamos sobre nada e passarinhos. Foi uma
conversa instrutiva!
Bosco Martins – Aos noventa anos sempre
voltamos à infância? Você afirma que seu conhecimento vem da infância, é porque
talvez, como Sócrates, tudo que sabemos é que nada sabemos?
Manoel de Barros – A metáfora era essa mesmo.
Tudo o que eu aprendera até meus noventa anos era nada; meus conhecimentos eram
sensoriais. O que aprendi em livros depois não acrescentou sabedoria,
acrescentou informações. O que sei e o que uso para a poesia vêm de minhas
percepções infantis.
Bosco Martins – Fale um pouco sobre a
infância, a juventude e a velhice.
Manoel de Barros – A um editor, que me sugeriu
que escrevesse um livro de memórias, eu respondi que só tinha memória infantil.
O editor me sugeriu que fizesse memória infantil, da juventude e outra de
velhice. Estou escrevendo agora minhas memórias infantis da velhice.
Bosco Martins – Tem uma frase de um ator que nunca me saiu da cabeça. Dizia que Deus fez tudo bom, só cometendo um erro: a duração da vida. A vida é muito curta e deveria ser não infinita, pois seria muito chata, mas pelo menos o dobro. Duas vidas, uma para ensaiar e outra pra representar. Você concorda com isso?
Bosco Martins – Tem uma frase de um ator que nunca me saiu da cabeça. Dizia que Deus fez tudo bom, só cometendo um erro: a duração da vida. A vida é muito curta e deveria ser não infinita, pois seria muito chata, mas pelo menos o dobro. Duas vidas, uma para ensaiar e outra pra representar. Você concorda com isso?
Manoel de Barros – Concordo sim. E até
proponho uma solução científica. Seja esta:
O Tempo só anda de ida.
A gente nasce, cresce, envelhece e morre.
Pra não morrer
É só amarrar o Tempo no Poste.
Eis a ciência da poesia:
Amarrar o Tempo no Poste!
E respondendo mais: dia que a gente estiver com tédio de viver é só desamarrar o Tempo do Poste.
O Tempo só anda de ida.
A gente nasce, cresce, envelhece e morre.
Pra não morrer
É só amarrar o Tempo no Poste.
Eis a ciência da poesia:
Amarrar o Tempo no Poste!
E respondendo mais: dia que a gente estiver com tédio de viver é só desamarrar o Tempo do Poste.
Bosco Martins – Se a angústia é um espinho na
carne que não se pode tirar, para o poeta a passagem do tempo é angustiante?
Manoel de Barros – Para mim, viver nunca foi
angustiante. Tirando o nunca até que venho bem até aqui. Sou como o vaqueiro
Santiago. Santiago, no galpão desafiou que não cairia de um cavalo famanaz de brabo que havia na fazenda. Todo mundo
zombou do Santiago que estaria a contar vantagem. Então arriaram o cavalo
Famanaz e Santiago amontou de espora e chicote. O cavalo saiu disparado e a
corcovear de lado e pra frente. Ao passar pelo galpão, os peões viram escrito à
espora na paleta do animal esta frase: Até aqui Santiago veio bem. Pois é: até
aqui...
Bosco Martins – O que há de se fazer frente ao
mistério das coisas? E para o poeta, qual o sentido da vida?
Manoel de Barros – Sou um homem de fé. Acho-me
incompleto e por isso preciso do mistério. Pra mim, a razão é um acessório.
Preciso acreditar que estou nas mãos de Deus. Sem fé eu me sinto um símio.
Bosco Martins – O que o poeta teria a dizer
sobre o amor, a inveja e o ódio.
Manoel de Barros – Algum tempo sonhei meu
socialismo. Seria baseado nas palavras de Cristo “Amar o próximo como a nós
mesmos”. Logo enxerguei que o sonho era utópico. Porque o ser humano nasce com
ambições diferentes. Ambição de poder. Ambição de dinheiro. Como então amar ao
próximo como a ele mesmo? A palavra de Cristo é genial e por isso utópica. A
ambição destrói qualquer amor ao próximo. A inveja e o ódio também.
Bosco Martins – O pintor Marc Chagall, morto em
1985, dizia que a coisa mais importante na vida para ele era o amor, “Se você
tem uma mulher a quem você ama, então isso é tudo”.
Manoel de Barros –
Encontrei na Stella a mulher e companheira de todas as horas. Na alegria e na
tristeza – como nos prometemos no casório. Conseguimos um amor profundo e
sonhado em todos os dias.
Bosco Martins – Um dos seus poucos livros
“inéditos” e fora do prelo, Nossa Senhora da Minha Escuridão, é um livro um
tanto deísta, meio católico para quem o leu. Você crê mesmo em Deus, ou como a
maioria dos poetas, no fundo no fundo, é um agnóstico?
Manoel de Barros – Eu não sou agnóstico. Eu
creio em Deus mesmo. E não precisei ler muito para descrer; eu aprendi alguma
coisa lendo. Mas onde eu aprendi mais foi na ignorância. A inocência da
natureza humana ou vegetal ou mineral me ensinou mais. Quem não conhece a
inocência da natureza não se conhece. Não há filosofia nem metafísica nisso. O
que sei, na verdade, vem das percepções infantis. Que não deixa de ser o ensino
pela ignorância.
Bosco Martins – Por que alguns acham graça na
sua poesia? Seria por expor um dialeto infantil? Memória Inventadas – A
Segunda Infância, por exemplo, seria na sua concepção, uma brincadeira de
criança?
Manoel de Barros – Aprendi com meu filho de
cinco anos que a linguagem das crianças funciona melhor para a poesia. Meu
filho falou um dia: Eu conheço o sabiá pela cor do canto dele. Mas o canto não
tem cor! Aí veio Aristóteles e lembrou: É o impossível verossímil. Pois não tem
disso a poesia?
Bosco Martins – Seus versos têm mesmo pernas,
bocas, sexo, etc.? A humanização das coisas está em sua poesia?
Manoel de Barros – Aprendi que o artista não
vê apenas. Ele tem visões. A visão vem acompanhada de loucuras, de coisinhas à
toa, de fantasias, de peraltagens. Eu vejo pouco. Uso mais ter visões. Nas
visões vêm as imagens, todas as transfigurações. O poeta humaniza as coisas, o
tempo, o vento. As coisas, como estão no mundo, de tanto vê-las nos dão tédio.
Temos que arrumar novos comportamentos para as coisas. E a visão nos socorre
desse mesmal.
Bosco Martins – Se tivesse que ser crítico de
seus poemas, quais temas você diria que são mais recorrentes?
Manoel de Barros – Acho que ser gente é o tema
tão mais recorrente. Ou não ser gente. Se o tempo não é humano, eu humanizo.
Amarro o tempo no poste para ele parar. Boto a Manhã de pernas abertas para o
sol. Me horizonto para os pássaros. Uma ave me sonha. O dia amanheceu aberto em
mim.
Bosco Martins – Por que os clássicos são
sempre necessários e quais influências na sua literatura, dos “faróis” da
poesia mundial, Valéry, Baudelaire e Homero?
Manoel de Barros – Penso que a partir dos
“faróis” o poema passou a ser um objeto verbal. Por antes ele andava romântico.
Recebia inspirações celestes. E até se falava em mensagens poéticas. Depois de
Baudelaire, Mallarmé, Rimbaud, poesia passou a ser feito de palavras e não de
sentimentos. Poesia é fenômeno de linguagem e não de ideias.
Bosco Martins – Quanto tempo da “inspiração
súbita” demora para virar um poema?
Manoel de Barros – Inspiração eu só conheço de
nome. O que eu tenho é excitação pela palavra. Se uma palavra me excita eu
busco nos dicionários a existência ancestral dela. Nessa busca descubro motivos
para o poema.
Bosco Martins – Você está escrevendo algo no
momento? E além de escrever, o que dá mais prazer ao poeta nos dias de hoje?
Manoel de Barros – Estou escrevendo a terceira
parte das minhas Memórias Inventadas. No demais, releio minhas velhas
preferências literárias. E de tarde, bem na hora do crepúsculo do dia que
emenda com o meu crepúsculo, ouço música. A música erudita, principalmente,
desabrocha minha imaginação. Acrescento um pouco de álcool que me ajuda a ter
visões. Mais tarde elaboro as visões.
Bosco Martins – De que forma você recebe as
críticas positivas e negativas sobre o seu trabalho?
Manoel de Barros – Não sou diferente: as
críticas contra fazem um gosto amargo na alma. As boas melhoram o nosso ego.
Bosco Martins – Você tem fascínio pelo
primitivismo e já morou com índios. O que seria o conceito de vanguarda
primitiva?
Manoel de Barros – Tenho em mim um sentimento
de aldeia e dos primórdios. Eu não caminho para o fim, eu caminho para as
origens. Não sei se isso é um gosto literário ou uma coisa genética. Procurei
sempre chegar ao criançamento das palavras. O conceito de Vanguarda Primitiva
há de ser virtude da minha fascinação pelo primitivo. Essa fascinação me levou
a conhecer melhor os índios. Gosto muito também de ler as narrativas dos
antropólogos.
Bosco Martins – Na sua concepção, o ódio não
se caracterizou muito neste último século? Para o poeta ainda existe alguma
esperança no futuro?
Manoel de Barros – Eu me considero um songo no
assunto.
"UM SONGO"
Poema de Manoel de Barros
Aquele homem falava com as árvores e com as
águas
ao jeito que namorasse.
Todos os dias
ele arrumava as tardes para os lírios dormirem.
Usava um velho regador para molhar todas as
manhãs os rios e as árvores da beira.
Dizia que era abençoado pelas rãs e pelos
pássaros.
A gente acreditava por alto.
Assistira certa vez um caracol vegetar-se
na pedra.
mas não levou susto.
Porque estudara antes sobre os fósseis linguísticos
e nesses estudos encontrou muitas vezes caracóis
vegetados em pedras.
Era muito encontrável isso naquele tempo.
Até pedra criava rabo!
A natureza era inocente.
Todos os dias
ele arrumava as tardes para os lírios dormirem.
Usava um velho regador para molhar todas as
manhãs os rios e as árvores da beira.
Dizia que era abençoado pelas rãs e pelos
pássaros.
A gente acreditava por alto.
Assistira certa vez um caracol vegetar-se
na pedra.
mas não levou susto.
Porque estudara antes sobre os fósseis linguísticos
e nesses estudos encontrou muitas vezes caracóis
vegetados em pedras.
Era muito encontrável isso naquele tempo.
Até pedra criava rabo!
A natureza era inocente.
Por Aline Andra
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Do diário de Darwin
O naturalista inglês
Charles Darwin (1809-1882), aos vinte e dois anos, partiu em uma expedição com duração de cinco anos pela
América do Sul. Na época, ele registrou as
impressões sobre sua aventura e descobertas surpreendentes em seu diário.
“A mente é um caos
de deleite”, ele escreveu. Que experiência fantástica deve ter sido!
Fonte da imagem: Google
Por Aline Andra
domingo, 17 de agosto de 2014
Viagem no tempo: história dos óculos - parte 2
Ao
longo do tempo, diferentes maneiras foram improvisadas para a manutenção
dos óculos no lugar, por exemplo, fixando-os em abas do chapéu ou perucas, mas
dois ou três séculos
de pesquisas foram necessários para que as armações se tornassem
confortáveis e seguras.
No séc. XVI, os
óculos de rebite mais populares e de preço acessível eram aceitos e desejados pelas
classes média e inferior, mas não nas cortes. Goethe era míope e usava
um monóculo, e não escondia a sua antipatia pelos óculos. Mesmo Napoleão
Bonaparte usava um binóculo de madrepérola com uma
armação de ouro e cravejada por cristais.
Muito tempo se passou até surgirem os óculos com as hastes, ou com o apoio sobre as têmporas e sobre as
orelhas, causando dores de cabeça e problemas com a pele.
A aristocracia não considerava as armações elegantes e não tolerava todos os problemas de fixação que as acompanhavam. Assim, no séc. XVII, os membros míopes da classe alta mostraram preferência por óculos de perspectiva. Além do pince-nez e do lorgnon, o quizzer era popular entre homens e mulheres e consistia de uma única lente mantida na frente do olho com uma alça curta decorativa. A lente podia ser redonda, oval ou retangular, mas a popularidade desse tipo de auxílio à visão desgastou-se após a metade do séc. XIX.
Naquela ocasião, o monóculo, que já havia sido introduzida pelo prussiano Barão Philipp von Stosch aumentou em popularidade e permaneceu a escolha favorita do cavalheiro até aproximadamente meados do séc XX. O monóculo consistia numa lente circular, com ou sem aro, ligada a uma corda, com a outra extremidade presa à roupa do usuário. Ao contrário do quizzer, o monóculo era entalhado na cavidade ocular, e era muito estável e confortável de usar quando fabricado sob medida para caber exatamente na órbita do olho do indivíduo. O monóculo não foi simplesmente usado para melhorar a visão em um dos olhos, mas era um símbolo de status e transmitiu uma aura de arrogância e superioridade entre os membros da aristocracia.
Outro tipo de moda de óculos durante a segunda metade do séc. XVIII, especialmente na Inglaterra, França, Alemanha e Itália, foi o óculos-tesoura. De certa forma, eram como óculos rebitados invertidos, mas com hastes curvadas e quase sempre tinham lentes redondas. Eles eram usados tanto por homens e mulheres, com uma corrente ou fita através de um anel localizado logo abaixo da dobradiça para fixá-los ao redor do pescoço. No início do séc. XIX, entretanto, sua utilização tornou-se rara.
O problema da
estabilidade por falta dos suportes laterais foi resolvido apenas quando o oftalmologista
inglês Edward Scarlett (1677-1743) criou as peças curtas que eram pressionadas
acima das orelhas.
No princípio a
fixação era feita por cordéis ou fitas de couro amarradas atrás da cabeça ou
passando por trás das orelhas pendendo sobre o peito com um contrapeso. Depois
dos amarrilhos surgiram as hastes laterais com molas espirais pressionando as
têmporas para segurar os óculos na posição.
Em 1730 foram
inventadas as hastes laterais rígidas para se apoiar nas orelhas e
posteriormente apareceram as hastes laterais com angulação para melhor apoio e
fixação no dorso do pavilhão auditivo. Mais tarde, em 1752, foram inventadas em Londres as hastes laterais
dobráveis, facilitando bastante o manejo pelos usuários.
Finalmente, em 1784,
Benjamin Franklin, o famoso estadista americano, que também era inventor,
cientista e filósofo, inventou os bifocais, que tanto benefícios trouxe às
gerações futuras.
Imaginar a vida
das pessoas num tempo sem a existência dos óculos, hoje considerado um artefato tão simples, é um exercício que pode nós mostrar o
impacto que isto causaria na vida de tantos ao nosso redor.
Fontes das imagens e
pesquisa: http://oculos.blog.br
Por Aline Andra
domingo, 10 de agosto de 2014
Viagem no tempo: história dos óculos - parte 1

Não há como negar:
os óculos devem estar na lista das invenções mais importantes do mundo. Eles foram
desenvolvidos graças ao trabalho de artesãos como vidreiros, joalheiros e
relojoeiros juntamente com algumas das mais brilhantes mentes ao longo dos
séculos que muito contribuíram para o aperfeiçoamento deste valioso
instrumento.
A palavra óculos
surgiu com o termo ocularium, na
Antiguidade Clássica, para designar os orifícios das armaduras dos soldados da
época, que permitiam que os mesmos enxergassem, mas ninguém realmente sabe
determinar o início da história da ampliação da imagem.
Na história dos antigos
egípcios há referências sobre o uso de lentes sem grau como adorno.
Marco Polo relatou
em seu livro sobre viagens ao Oriente que os óculos eram de uso corrente na
China, na corte de Kublai Khan, por volta de 1275 a.C.
Uma antiga referência histórica sobre a existência dos óculos também foi encontrada em textos do filósofo Confúcio em 500 a.C. Durante séculos serviram apenas como acessórios aos nobres chineses ou meros objetos de discriminação social em relação às pessoas do povo e portadores de doenças mentais.
Mas foi na Roma dos
Césares que aconteceu a primeira mudança do conceito sobre lentes. No século I
depois de Cristo, o imperador Nero descobriu a eficiência das lentes coloridas para proteger a visão da luz
do sol ao usar uma lâmina de pedra verde (provavelmente esmeralda) sobre os olhos, durante as famosas
apresentações públicas nas arenas romanas.
Nesta época, surgiram as primeiras lentes corretivas, que eram feitas com pedras semipreciosas cortadas em finas tiras, dando origem aos óculos de grau para perto, graças ao matemático e astrônomo árabe Alhazen (965-1038) que formulou uma teoria sobre a incidência de luz em espelhos esféricos e como isso reagia no olho humano. As “pedras de leitura” funcionavam como lupas primitivas que aumentavam o tamanho das letras e eram compostas basicamente de cristal de quartzo hialino ou de pedras semipreciosas que recebiam lapidação e polimento. Uma das mais cobiçadas era o Berilo por seu brilho, beleza e transparência. Aliás, foi o seu nome que derivou a palavra brilho.
Entre os séculos IX e XI d.C., avançaram os estudos sobre o assunto. Apenas no século XII, mil anos após Ptolomeu, a Europa se volta novamente ao estudo de visão de objetos.
Porém, a existência do vidro remonta aos tempos pré-cristãos e existem registros históricos afirmando que já antes do final do primeiro século da era cristã, os fenícios, inspirados pelos chineses, iniciaram a arte de fabricação do vidro, descobrindo que a mistura da areia ao salitre, fundida pelo calor do sol, resultava em vidro bruto. No Egito, em 1500 a.C., já existia uma bem estabelecida indústria vidreira.
Segundo a tradição acreditava-se que este
conhecimento vinha do sábio alquimista Hermes Trimegisto.
O que se sabe é que em algum momento entre o ano 1000 e 1250 d.C., este material foi aperfeiçoado para ser usado como lentes e as lupas de vidro foram desenvolvidas através de uma tecnologia bruta. Em 1268, o frade franciscano inglês Roger Bacon (1220-1292) em sua obra “Opus Majus”, observou que as pessoas conseguiam enxergar melhor através de menos da metade de uma esfera de vidro. As experiências de Bacon confirmaram o princípio da lente convexa, descrita por Alhazen. Na época, Bacon presenteou o Papa com uma dessas lentes e os monges foram, sobretudo, os maiores beneficiados por passarem longas horas trabalhando nas grandes bibliotecas da Europa.
No século
IV a.C., Euclides escreveu a "Óptica", com base na ideia de que o tamanho dos
objetos era determinado pelo ângulo sob o qual eram olhados.
Já Ptolomeu, durante
o século II a.C., também escreveu uma obra denominada "Óptica". Sua linha de
pensamento era diferente da de Euclides: em vez de considerar relevante apenas
o ângulo visual, o foco serão os comprimentos.Uma antiga referência histórica sobre a existência dos óculos também foi encontrada em textos do filósofo Confúcio em 500 a.C. Durante séculos serviram apenas como acessórios aos nobres chineses ou meros objetos de discriminação social em relação às pessoas do povo e portadores de doenças mentais.
Nesta época, surgiram as primeiras lentes corretivas, que eram feitas com pedras semipreciosas cortadas em finas tiras, dando origem aos óculos de grau para perto, graças ao matemático e astrônomo árabe Alhazen (965-1038) que formulou uma teoria sobre a incidência de luz em espelhos esféricos e como isso reagia no olho humano. As “pedras de leitura” funcionavam como lupas primitivas que aumentavam o tamanho das letras e eram compostas basicamente de cristal de quartzo hialino ou de pedras semipreciosas que recebiam lapidação e polimento. Uma das mais cobiçadas era o Berilo por seu brilho, beleza e transparência. Aliás, foi o seu nome que derivou a palavra brilho.
Entre os séculos IX e XI d.C., avançaram os estudos sobre o assunto. Apenas no século XII, mil anos após Ptolomeu, a Europa se volta novamente ao estudo de visão de objetos.
Porém, a existência do vidro remonta aos tempos pré-cristãos e existem registros históricos afirmando que já antes do final do primeiro século da era cristã, os fenícios, inspirados pelos chineses, iniciaram a arte de fabricação do vidro, descobrindo que a mistura da areia ao salitre, fundida pelo calor do sol, resultava em vidro bruto.
O que se sabe é que em algum momento entre o ano 1000 e 1250 d.C., este material foi aperfeiçoado para ser usado como lentes e as lupas de vidro foram desenvolvidas através de uma tecnologia bruta. Em 1268, o frade franciscano inglês Roger Bacon (1220-1292) em sua obra “Opus Majus”, observou que as pessoas conseguiam enxergar melhor através de menos da metade de uma esfera de vidro. As experiências de Bacon confirmaram o princípio da lente convexa, descrita por Alhazen. Na época, Bacon presenteou o Papa com uma dessas lentes e os monges foram, sobretudo, os maiores beneficiados por passarem longas horas trabalhando nas grandes bibliotecas da Europa.
O primeiro par de
óculos de ferro com aros grandes, unidos por rebite, foi descoberto na
Alemanha, em 1270. Com movimentos de compasso, permitia ser ajustado
precariamente sobre a ponta do nariz.
Nesse mesmo século,
no ano de 1286, um modelo semelhante apareceu em Pisa, na Itália.
Tecnicamente, eles foram formados a partir de
duas lâminas de vidro ou cristal em forma convexa. Cada uma delas foi cercada
por uma moldura e recebeu uma alça que foi ligada por um rebite. Eles não eram
realmente uma invenção, mas uma adaptação brilhante da simples lupa de vidro.
Entretanto, não se
encontravam óculos por toda parte. Eles eram raros, custavam caríssimo e eram
considerados verdadeiras joias. Seu valor era tal que eram relacionados em
inventários de bens de família e deixados em testamentos como herança, assim
como fez Charles V, o sábio, rei da França (1364-1380).
Existe um registro
histórico na China, durante a dinastia Ming (1260-1368), atestando que um rico senhor
trocou uma parelha de finos cavalos de raça por um par de óculos.
Somente a partir do séc. XV, a palavra Occhiali e seu uso começou a ser
difundido, recebendo um grande impulso para o seu desenvolvimento nas regiões
onde outros objetos de vidro estavam sendo produzidos. Nessa época, Veneza e
a ilha de Murano mais especificamente estavam se tornando um dos centros mais
avançados para a indústria de vidro medieval. A Aliança de Trabalhadores de
cristal foi criada oficialmente em 1284 e a organização adotou um termo para os
“discos para os olhos” (roidi da ogli
ou vetri da occhi) pela primeira vez. Florença tornou-se o principal reduto de fabricantes de óculos de boa qualidade
prontamente disponíveis e acessíveis. Os duques de Milão encomendaram óculos
florentinos às centenas para dá-los de presente aos seus cortesãos.
Paralelamente à
invenção da imprensa (1450) por Johann Gutenberg, os óculos já eram objetos de
desejo de muitos e, ao disponibilizarem os livros, a popularidade deste instrumento
essencial aumentou drasticamente. Os primeiros grandes editores na Europa ofereciam conjuntamente a venda de um livro e a de óculos para leitura.
Outros centros de
produção em países como Alemanha, França e Holanda começaram a surgir.
Documentos comprovam que, até o final do séc. XV, milhares de óculos estavam
sendo exportados de um país para outro em toda a Europa.
As armações de couro foram sendo substituídas
aos poucos por outros materiais: madeira, chifre, casca de tartaruga, osso,
marfim e metais, tais como ferro, prata, ouro e outras ligas.
Um vendedor circulando
pelas ruas era uma visão comum. As pessoas vasculhavam cestos cheios de óculos com
armação de metal e tiras de couro alemão até conseguirem escolher o mais
adequado ao seu problema de visão.
No início eles
começaram a ser usados somente para a visão de perto, para leitura, para
corrigir a Presbiopia ou "vista cansada". Aos poucos eles passaram a
ser usados também para a correção da Hipermetropia. Entretanto o primeiro
registro do uso para a Miopia só foi feito em 1441 por Nicolaus Cusanus em seu
livro "De Beryllo". Já a correção do Astigmatismo, por meio de lentes
cilíndricas, só aconteceu bem mais tarde, na Inglaterra, em 1827.
Antes disso, em
1611, Kepler já havia introduzido o uso de prismas. Após 1665, quando o primeiro jornal, “A Gazeta de Londres”, apareceu, a demanda aumentou ainda mais. O uso de óculos passou a ser considerado um símbolo de cultura e status.
Os óculos foram
evoluindo substancialmente desde sua criação na Idade Média. Uma das maiores
transformações está ligada ao design. “Após o primeiro modelo de ferro, os
franceses fizeram várias modificações na armação e a transformaram no pince-nez (pinça de nariz), com lentes
para perto e fixada na metade do septo nasal; o lorgnon, cuja característica era uma haste lateral para ser
segurada; e a lorgnette, primeira
peça criada exclusivamente para a mulher”. A
lorgnette era uma peça delicada e tinha uma haste lateral de 20 a 50
centímetros. Os três modelos são do século XV e além de utilitários, serviam
também como joias para seus usuários dada a riqueza de materiais – como ouro e
outros metais nobres – e pedras preciosas incrustadas nas armações.
domingo, 3 de agosto de 2014
Clair de lune - Debussy
Há dias perfeitos
para se ouvir música clássica e sinto que os domingos combinam especialmente
com as composições de Claude Debussy (1862-1918).
A quase
inacreditável de tão bela, Clair de lune,
na interpretação impecável de Sanae Takagi.
Por Aline Andra
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