quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A beleza das asas

 
 

  Estas fotos altamente ampliadas – entre sete e dezessete vezes – feitas por Linden Gladhill, bioquímico e fotógrafo, mostram como são magníficas as escamas que cobrem as asas de borboletas e mariposas. Cores e padrões diferentes se misturam em verdadeiras obras de arte naturais.


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
  


Fonte das imagens: www.cannaclub.com.br 
                             


                                    



                  

 Por Aline Andra
 
 

   

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Seda - Alessandro Baricco





Já não me sinto tão à vontade para perder tempo lendo qualquer livro que encontro como acontecia antigamente. Naquele tempo, uma imensa curiosidade e o prazer quase compulsivo de ler me incitavam a aproveitar qualquer oportunidade, independente da qualidade.
Agora, naturalmente, tenho minhas referências e preferências, mas busco também a sedução. O texto tem que me conquistar logo às primeiras linhas. Não importa se foi escrito por autor consagrado, admirado e respeitado mesmo por mim. Tem que haver empatia, uma afinidade que brota espontaneamente.
Foi o que aconteceu com Seda (Companhia das Letras, 121 págs., 1995). Gostei de imediato do estilo narrativo desse autor italiano, até então desconhecido para mim. Ganhador de vários prêmios literários importantes e com obras publicadas desde 1991, Alessandro Baricco, que também é pianista por formação e estudou filosofia, já garantiu seu lugar como um dos bons escritores contemporâneos e, sobretudo, conquistou-me com uma história contada em frases contidas, concisas e com um ritmo e uma cadência quase musicais. Um texto irretocável por não ter excessos, com uma pontuação justificada e original e por estar completo em sua intenção de provocar sensações quase líricas e “girar em torno de si mesmo” como os casulos de seda que direcionavam a vida de Hervé Joncour, o protagonista, um pacato cidadão do séc. XIX.


Para ser mais preciso: Hervé Joncour comprava e vendia bichos-da-seda quando a essência dos bichos-da-seda consistia em serem eles minúsculos ovos, de cor amarela ou cinza, imóveis e aparentemente mortos. A palma de uma mão podia conter milhares deles.
“Isso é o que se chama ter uma fortuna na mão.”
No início de maio os ovos se abriam e liberavam uma larva que, depois de trinta dias de sôfrega alimentação à base de folhas de amoreira, fechava-se de novo num casulo, para dali sair de maneira definitiva duas semanas mais tarde, deixando atrás de si um patrimônio que em seda fazia mil metros de fio cru e em dinheiro uma bela soma de francos franceses: admitindo-se que tudo corresse conforme as regras e, como no caso de Hervé Joncour, numa região qualquer do sul da França.
Lavilledieu era o nome da cidade onde Hervé Joncour vivia.
Hélène, o nome da mulher dele.
Não tinham filhos. (págs. 8 e 9)


Hervé, que preferia observar a vida a vivê-la, deixou-se convencer por Baldabiou - este sim um empreendedor e idealista em todos os sentidos, que revelou à cidade os segredos da sericicultura e da fiação da seda - e partiu em longas viagens além do Mediterrâneo com o intuito de negociar a compra e o transporte dos ovos de bichos-da-seda. Sua vida transcorria próspera e ordenada até ser enviado para o Japão, um território isolado, perigoso e que dificultava o acesso de estrangeiros, “o fim do mundo”.


Baldabiou conhecia todas essas histórias. Conhecia sobretudo uma lenda que recorrentemente surgia nos relatos de quem lá estivera. Ela dizia que naquela ilha produziam a mais bela seda do mundo. E a produziam havia mais de mil anos, de acordo com ritos e segredos que atingiram uma exatidão mística. Baldabiou pensava que se tratava não de uma lenda, mas da verdade pura e simples. Uma vez tivera entre os dedos um véu tecido com fio de seda japonesa. Era como ter entre os dedos o nada. Assim, quando tudo parecia ir para o inferno por causa daquela história da pebrina e dos ovos doentes, ele pensou:
- A ilha está cheia de bichos-da-seda. E uma ilha aonde em duzentos anos não chegou nenhum mercador chinês ou segurador inglês é uma ilha aonde jamais chegará doença alguma.
Não se limitou a pensar: disse-o a todos os produtores de seda de Lavilledieu, depois de convocá-los ao café de Verdun. Nenhum deles jamais ouvira falar do Japão.
-Devemos atravessar o mundo para comprar ovos como Deus manda num lugar onde, se vêem um estrangeiro, enforcam-no?
- Enforcavam-no – esclareceu Baldabiou.
Não sabiam o que pensar. Alguém expressou uma dúvida.
- Por alguma razão ninguém no mundo pensou em comprar ovos lá longe.
Baldabiou poderia blefar e lembrar que no resto do mundo não havia outro Baldabiou. Mas preferiu dizer as coisas como eram.
- Os japoneses se conformaram em vender a seda deles. Mas não os ovos. Mantêm-nos guardados. E quem tentar levá-los para fora da ilha cometerá um crime.
Os produtores de seda de Lavilledieu eram, alguns mais outros menos, cavalheiros, e jamais pensariam em infringir nenhuma lei no seu próprio país. A ideia de fazê-lo no outro lado do mundo, porém, pareceu-lhes razoavelmente sensata.
Era o ano de 1861. Flaubert escrevia Salammbô, a iluminação elétrica ainda era hipótese, e Abraham Lincoln, do outro lado do oceano, combatia uma guerra cujo fim nunca veria. Os sericicultores de Lavilledieu se uniram em consórcio e coletaram a quantia, considerável, necessária para a expedição. A todos pareceu lógico confiá-la a Hervé Joncour. Quando Baldabiou lhe pediu que aceitasse, ele respondeu com uma pergunta.
- E onde se localiza, precisamente, esse Japão?
Sempre naquela direção. Até o fim do mundo.
Partiu em 6 de outubro. Sozinho. (págs. 23 a 25)


E, sozinho, amadureceu em uma história que se repetia sutilmente e com pequenas variações como um refrão, mas na verdade viveu a experiência de transmutar a realidade em misteriosas e desconhecidas sensações, na busca do que é invisível e na descoberta de uma paixão proibida.


À noite Hervé Joncour preparou a bagagem. Depois se deixou levar ao grande cômodo calçado de pedras, para o ritual do banho. Deitou-se, fechou os olhos e pensou no grande viveiro, louca prova de amor. Puseram-lhe um pano molhado sobre os olhos. Pela primeira vez. Instintivamente tentou retirá-lo, mas uma mão tomou a sua e a deteve. Não era a mão velha de uma velha.
Hervé Joncour sentiu a água escorrer sobre o corpo, primeiro nas pernas, depois pelos braços, e pelo peito. Água como óleo. E um silêncio estranho, ao redor. Sentiu a leveza de um véu de seda que descia sobre ele. E as mãos de uma mulher – de uma mulher – que o enxugavam acariciando sua pele, por toda parte: aquelas mãos e aquela seda tecida de nada. Não se mexeu, nem quando sentiu as mãos subirem das costas para o pescoço e os dedos – a seda e os dedos – subirem até seus lábios, e roçarem-nos, uma vez, lentamente, e desaparecerem.
Hervé Joncour sentiu ainda o véu de seda se erguer e se separar dele. A última coisa foi uma mão que abria a sua e punha algo na palma.
Esperou longamente, no silêncio, sem se mover. Depois, lentamente, retirou o pano molhado dos olhos. Já não havia quase luz, no cômodo. Não havia ninguém, ao redor. Levantou-se, apanhou a túnica que jazia dobrada no chão, colocou-a sobre os ombros, saiu do cômodo, atravessou a casa, chegou diante de sua esteira e se deitou. Pôs-se a observar a chama que tremia, diminuta, na lanterna. E, com cuidado, parou o Tempo, por todo o tempo que desejou.
Foi um nada, depois, abrir a mão e ver aquele papel. Pequeno. Poucos ideogramas desenhados um embaixo do outro. Tinta preta. (págs. 48 e 49)


Envolvente!

 

 

 

 

Por Aline Andra


 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Setembro - Ivan Lins

 
 
 

Acho que a opinião sobre Ivan Lins é unânime: ele é apenas o Máximo!
Feliz fruto de uma geração turbulenta e questionadora, lá se vão quarenta e cinco anos de carreira! Do tempo em que já tendo o que dizer, barbudo e com a voz acima do tom cantava Madalena e Meu país, algumas coisas mudaram e para melhor.
Com repertório sofisticado que reflete seu pensar, trejeitos e quase transes que demonstram sua intensa paixão pela Música e sua integridade com seus parceiros e com sua trajetória de vida, me fica a impressão de que Ivan é daqueles que transformam tudo que tocam em ouro.
De seus “cantares”, acho que a que melhor o dimensiona é a canção Daquilo que eu sei.

“Daquilo que eu sei
Nem tudo me deu clareza
Nem tudo foi permitido
Nem tudo me deu certeza...
Daquilo que eu sei
Nem tudo foi proibido
Nem tudo me foi possível
Nem tudo foi concebido...
Não fechei os olhos
Não tapei os ouvidos
Cheirei, toquei, provei
Ah, eu usei todos os sentidos
Só não lavei as mãos
E é por isso que eu me sinto
Cada vez mais limpo!
Cada vez mais limpo!
Cada vez mais limpo!”

Escolhi Setembro (Ivan Lins, Vitor Martins e Gilson Peranzetta) pela sua harmonia e como um voto de que este mês seja especial e pleno de boas novas para todos nós.

Com Ivan Lins e Marco Brito nos teclados, Téo Lima na bateria, Nema Antunes no baixo e João Castilho na guitarra e violão.

 

 
 
 
 
 

Por Aline Andra
 
 
 

sábado, 30 de agosto de 2014

Castanhas ao Limão e Chili


 




Um aperitivo muito simples de fazer, saudável e saboroso!

 

Ingredientes:

-3 xícaras de castanhas mistas (castanhas de caju, amêndoas, pecãs)

 -1 colher de sopa de azeite extra virgem

 -3 colheres de chá de pimenta em pó tipo Chili

 -1 colher de sopa de mel

 -Suco de ½ limão (ao escolher limões, prefira os que têm "biquinho". Eles contém mais suco. Na cultura popular brasileira são conhecidos como "limões-fêmeas") 

 
Modo de fazer:

-Pré-aqueça o forno a 180 graus, cubra uma assadeira com papel manteiga.
Em uma tigela de tamanho médio junte o azeite, o suco de limão, o mel e a pimenta em pó (você pode aquecer o mel no micro-ondas por 30-45 segundos para ele amolecer e ficar mais fácil de trabalhar). Adicione as castanhas e misture bem.
Espalhe as castanhas na assadeira e asse por 10 minutos. Observe de perto, para não queimar. Deixe esfriar em temperatura ambiente e sirva.





Fontes da imagem e receita:  www.thedailyblarg.com
                                                     http://wherewomencook.com




Por Aline Andra




quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Aceita um cafezinho?



 
 

Acredita-se que o hábito de tomar café surgiu na Etiópia. Primeiro, eles começaram a mascar a fruta e, só mais tarde, a preparar a infusão. Há um documento na Arábia, datado de 1000 a.C., descrevendo as qualidades científicas do grão de café e de uma bebida típica da Etiópia, chamada de bucham. É bem provável tratar-se do café. Nesta descrição, o bucham recebe os atributos de possuir um excelente aroma e de ser benéfica para o estômago, pele e pernas. Há quem acredite que o café já era tomado na época de Homero e era bebida em Tróia. Atribui-se a esta bebida, o presente levado por Helena de Esparta para Tróia.
Outra versão da origem do café (como bebida) aconteceu em 1250, quando o xeique Omar, durante seu exílio em Moca, fartou-se de mastigar os grãos crus de café colhidos de plantas em estado selvagem nesta região e decidiu fazer uma infusão com eles, criando assim a primeira bebida com os grãos de café. O interessante desta história é que diversas curas aconteceram ao ser oferecida a infusão de café aos enfermos, inclusive para a filha do rei de Moca, fazendo o xeique Omar voltar triunfante à sua terra natal.
A história mais famosa sobre a origem do hábito de tomar café é de 1.400 d.C. e cabe a um pastor de cabras no Egito, conhecido pelo nome de Kaldi. Percebendo que os seus animais caminhavam mais rapidamente e ficavam mais espertos e resistentes depois de comerem grãos de café, o pastor tratou de pedir ajuda e explicação ao abade local. O religioso interessou-se pelo assunto e resolveu fazer uma experiência com os seus monges. Assim, preparou uma infusão e ofereceu no início da noite, antes das longas rezas. O abade se surpreendeu. Os monges não dormiram durante a reza e, ainda, ficaram despertos depois da mesma. Daí em diante, a infusão com grãos de café passou a ser uma rotina no monastério.
O processo de torrefação foi outro passo importante para a popularização do café no mundo, mas só foi desenvolvido no Séc. XIV quando a bebida adquiriu forma e gosto como conhecemos hoje. A etapa seguinte foi a produção comercial no Iêmen. Os pés de café foram cultivados ali  em terraços com irrigação facilitada pela água dos poços do local, o que permitiu que a região tivesse o controle sobre a produção em escala comercial. Foi assim que país manteve o monopólio de sua comercialização por um bom tempo.
Por apresentar sabor agradável e por ser estimulante, o café era o produto da moda digno de receber grandes investimentos. O crescente interesse pela bebida permitiu sua “globalização” e facilitou a intervenção cultural tanto nas formas de consumo quanto nas técnicas de plantio.
A tradição de “tomar um cafezinho” no mundo:
O hábito de tomar café como bebida prazerosa em caráter doméstico ou em recintos coletivos se popularizou a partir de 1450. Ele era muito comum entre os filósofos que, ao tomá-lo, permaneciam acordados para a prática de exercícios espirituais. Poucos anos depois, a Turquia foi responsável em difundir o “hábito do café”, transformando-o em ritual de sociabilidade. O país foi palco do primeiro café do mundo – o Kiva Han – por volta de 1475. Desde então, tomar café passou a ser “um rito” que se propagou mundo afora. Em 1574, os cafés do Cairo e de Meca eram locais procurados, sobretudo, por artistas e poetas.
Há muitas formas de se preparar e saborear um bom café e essas variações são, sobretudo, culturais. Alguns exemplos curiosos:




O café à moda turca é o café não filtrado. Esquenta-se a água junto com o pó de café e o açúcar e se coloca na xícara. Espera-se o pó de café se depositar no fundo para então tomá-lo. É a maneira típica de se tomar café na Grécia, Turquia e Oriente Médio.
 
 
 
O Kopi Joss é típico da Indonésia e surge do carvão vegetal flamejante adicionado ao café e ao açúcar em uma xícara de água quente.
 
 
Em países como a Sibéria, Turquia, Hungria, Etiópia e Eritréia, o café com sal é bastante comum há muito tempo. Agora está virando moda também no resto do mundo. Uma pitada de sal reduz o amargor e até mesmo acentua o gosto do café.
 
 
O queijo é mergulhado no café quente e depois consumido, já mais macio. Os hispânicos apreciam o Guarapo com queso, usando os tipos Gouda ou Edam. Já os suecos consomem o qeuijo finlandês Leipäjuusto no Kaffeost.


 
 
Considerado um dos mais caros do mundo (!), este café tailandês consiste na utilização dos grãos não digeridos e expelidos inteiros pelos elefantes. A proteína contida nos grãos, responsável pelo amargor do café é decomposta nesse processo, rendendo uma xícara de bebida muita rara e suave.
 

 
 
Para os marroquinos, a pimenta preta em grãos adicionada ao café é fundamental. A mistura pode ainda ser enriquecida com canela, noz moscada, cardamomo, cravo, gengibre ou outras especiarias.
 
 


O café com cascas de limão costuma agradar e parece ser muito consumido na Itália. A receita cítrica alivia enxaquecas além de adoçar o café mal torrado.
 
 
 
 
Principalmente americanos do Centro Oeste apreciam tomar um café com um ovo cru adicionado. A bebida pode conter somente a clara e a gema ou até mesmo a casca. Após a adição de água fervente, passa pela filtragem e se transforma em um café menos ácido e menos amargo. No Vietnã, o Ca Phe Trung leva gema de ovo, leite condensado e café fresco.
 
 
 
 
No sudoeste da Ásia é comum dissolver manteiga na xícara de café quente, o que proporciona um aroma agradável e uma textura encorpada. O Kopi Gu You pode ser encontrado em cafeterias típicas da região.
 
 
 
 
Outro café famoso e de preço astronômico é o Kopi Luwak, típico da Indonésia. Surge a partir dos excrementos do civeta, animal que se alimenta das cerejas do café e elimina os grãos inteiros e não digeridos. No Brasil, este processo é feito com uma ave chamada jacu.
 
 
 
 
 
 
 
Fontes das imagens e pesquisa: www.hypeness.com.br
                                                         www.cafetropicoffee.com.br
                                                         www.mexidodeideias.com.br


 
 
 
 
 
Por Aline Andra

 
 
 

terça-feira, 26 de agosto de 2014

A mão e o círculo



144 jardineiros



O matemático russo Mikhail Sadovnikov é um ceramista premiado e reconhecido pela sua habilidade e rapidez. Ele prova também sua espontaneidade e utilizando apenas argila molhada e a roda de oleiro em movimento, faz surgir um mosaico de belas mandalas, que por si mesmas já são hipnotizantes, em um espetáculo de poucos minutos.
O artista demonstrando que a Arte em toda a sua grandeza não necessita de variedade de materiais ou muito tempo para execução e planejamento para se impor e encantar.   




















Por Aline Andra