sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Inacreditável prisão





Lugares temáticos já são bem conhecidos. Afinal, está sendo cada vez mais necessário apostar no diferencial. Já ouvi falar de alguns muito criativos, mas este me deixou perplexa.
Na China, na cidade de Tianjin, foi inaugurado um restaurante chamado Prison of fire, cujo tema - dependendo do ponto de vista e da boa vontade - pode ser considerado de invulgar a totalmente bizarro. Celas privativas são oferecidas às pessoas que escolhem jantar confinadas em um espaço cercado de correntes, algemas e grades enquanto são servidas por garçonetes vestidas de guardas e são entretidas com música ao vivo. Aos clientes também é permitido explorar o cenário e tirar fotografias, o que eles obviamente devem considerar um momento dos mais interessantes!
Não acredito que fiquemos indiferentes a qualquer que seja a vivência e a banalização de algo que deveria continuar a ser uma referência negativa (a prisão) é, no mínimo, de gosto duvidoso (literalmente) e as consequências acabam por ser, a longo prazo, desastrosas.
Ainda estou tentando entender...



 


 


 


 


 


 


 


 










Fonte das imagens: http://news.distractify.com 



 


Por Aline Andra



 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Quando a idade é só um número














































Fonte das imagens: Google
                                    http://news.distractify.com



 
Por Aline Andra
 
 

domingo, 12 de outubro de 2014

O Nobel pelos direitos das crianças





O comitê organizador do prêmio anunciou na última sexta-feira (10 de outubro): os ganhadores do Nobel da Paz foram o indiano Kailash Satyarthi e a paquistanesa Malala Yousafzai “pela sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação.”




  

 


Kailash, 60 anos, é um ativista praticamente desde a infância  – aos 11 anos andava a recolher livros escolares usados para os distribuir a crianças que não tinham dinheiro para ir à escola.
Abandonou a carreira de engenheiro eletricista em 1980 e passou a fazer campanha contra o trabalho infantil, liderando numerosas manifestações de protesto, que seguem o modelo pacifista de Mahatma Gandhi, contra a exploração de crianças além de contribuir para o desenvolvimento de importantes convenções internacionais sobre o direito da criança. Sua organização, Bachpan Bachao Andolan ou Movimento Salve a Infância, já resgatou mais de 80 mil  vítimas de maus tratos, tráfico ou exploração laboral – muitas eram de fato escravas, usadas para pagar as dívidas dos pais (uma prática proibida por uma lei de 1975, que dificilmente é aplicada por falta de vigilância). O número é respeitável, mas ainda há muito por fazer. Segundo as estimativas de algumas organizações humanitárias, 135 mil crianças indianas desapareceram só no ano passado; os dados oficiais apontam para um número muitíssimo inferior: 26 mil (!).
Seu trabalho já havia sido destacado com várias premiações, como o Prêmio Internacional de Direitos Humanos do Centro Robert F. Kennedy, dos Estados Unidos; o Prêmio Internacional Direitos Humanos Fredric Ebert, da Alemanha; e o Prêmio Internacional Alfonso Comin, da Espanha.
A organização de Satyarthi realiza batidas em oficinas e fábricas onde é usada mão de obra infantil, em algumas ocasiões sem informar à polícia o lugar exato para evitar que avisem aos criminosos.
Foi responsável por criar o selo Rugmark que certifica que os tapetes indianos vendidos no exterior não foram fabricados com mão de obra infantil. A luta deste ativista também ultrapassou as fronteiras indianas e ele ajudou a fundar a Marcha Global contra o Trabalho Infantil.
"Lembro que quando comecei a lutar contra a exploração infantil há mais de 20 anos, o número global chegava a 250 milhões de crianças e caiu para os 168 milhões. As crianças escravas perdem toda sua infância, aspirações, futuro, oportunidades, educação e, o mais importante, sua liberdade ", advertiu em recente entrevista.
"O crescimento e a economia de mercado não podem prosperar respaldando a escravidão e o tráfico infantil. Não podemos fazer este mundo melhor, mais pacífico e apto para viver tendo o peso da escravidão infantil não nas costas, mas bem na sua frente", reivindicou.





 
 
 
 Malala, 17 anos, tornou-se a mais jovem ganhadora do prêmio, superando o cientista australiano-britânico Lawrence Bragg, que compartilhou o Nobel de Física com o pai, em 1915, aos 25 anos.
Ela tornou-se conhecida no mundo inteiro após ser baleada na cabeça pelos talibãs ao sair da escola, quando tinha apenas 15 anos, por estar se destacando entre as mulheres e lutando pela educação de meninas e adolescentes no Paquistão.
Em 2008, o líder talibã local emitiu uma determinação exigindo que todas as escolas interrompessem as aulas dadas às meninas por um mês. Na época, ela tinha 11 anos. Seu pai, que era dono da escola e sempre incentivou sua educação, pediu ajuda aos militares locais para permanecer dando aulas às meninas. Entretanto, a situação era tensa.
Naquela época, um jornalista local da BBC perguntou ao pai de Malala se alguns jovens estariam dispostos a falar sobre sua visão do problema. Foi quando a menina começou a escrever um blog, "Diário de uma Estudante Paquistanesa", no qual falava sobre sua paixão pelos estudos e as dificuldades enfrentadas no Paquistão sob o domínio do talibã.O blog era escrito sob um pseudônimo, mas logo se tornou conhecido. E Malala não tinha receios em falar em público sobre sua defesa da educação feminina.
Os posts para a BBC duraram apenas alguns meses, mas deram notoriedade à menina. Ela deu entrevistas a diversos canais de TV e jornais, participou de um documentário e foi indicada ao Prêmio Internacional da Paz da Infância em 2011. Na época, ela não ganhou – mas foi laureada com o mesmo prêmio em 2013.
A família de Malala sabia dos riscos – mas eles imaginavam que caso houvesse um ataque, o alvo seria o pai da menina, Ziauddin Yousafzai, um ativista educacional conhecido na região. Quando houve o ataque, a situação já estava mais calma – os talibãs já haviam perdido o controle do Vale do Swat para o exército, em 2009. Por isso, o tiro levado pela menina foi ainda mais chocante. A jovem superou o ocorrido depois de passar por duas cirurgias na Inglaterra e ser mantida em coma induzido por dez dias. Surpreendentemente não houve sequelas e ela permanece vivendo em Birmingham com sua família por ainda estar sofrendo ameaças.
Seu primeiro pronunciamento público ocorreu nove meses após o ataque, quando fez um discurso na Assembleia de Jovens da ONU. Na ocasião, ela reforçou que não será silenciada por ameaças terroristas. "Eles pensaram que a bala iria nos silenciar, mas eles falharam", disse em um discurso no qual pediu mais esforços globais para permitir que as crianças tenham acesso a escolas. "Nossos livros e nossos lápis são nossas melhores armas", disse ela na oportunidade. "A educação é a única solução, a educação em primeiro lugar".
"Os terroristas pensaram que eles mudariam meus objetivos e interromperiam minhas ambições, mas nada mudou na vida, com exceção disto: fraqueza, medo e falta de esperança morreram. Força, coragem e fervor nasceram", completou.
"Vou ser política no futuro. Quero mudar o futuro do meu país e quero que a educação seja obrigatória", disse a jovem.









 



Fonte das imagens e pesquisa: Google

                                                        www.nobelprize.org
                                                        www.kailashsathyarthi.net
                                                        http://exame.abril.com.br








 


  Por Aline Andra
 



quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Just squeeze me - Jane Monheit







O swing desta cantora americana de Long Island já estava no seu DNA. Sob a influência de pais musicistas, ela aprendeu teoria e clarinete e, ainda muito jovem, já atuava e cantava em produções teatrais locais.
Passou a ser considerada uma das melhores jazzistas da atualidade depois de tornar-se uma das finalistas na competição vocal do Instituto Thelonius Monk em 1998 e, dois anos depois, gravou seu primeiro álbum - cantando principalmente os bons clássicos americanos (que eu adoro).
Agora, mais amadurecida e experiente, ela pode se dar ao luxo de se expandir para outros universos, inclusive, o das próprias composições.
Pela música brasileira, ela se diz encantada e, muito especialmente, por Ivan Lins. Rio de Maio, por exemplo, é deliciosa de ouvir - também por causa de seu sotaque português - e muitas canções já foram gravadas e belamente interpretadas em parceria com ele e com outros compositores brasileiros.
Enfim, Jane Monheit tem beleza, estilo, uma voz apurada, bom gosto e ainda terá muito a dizer. Vamos aproveitar!








Por Aline Andra



domingo, 5 de outubro de 2014

Estatuto do homem

 
 
 

 
(Ato Institucional Permanente)


   Artigo I

 Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.
 
  
    Artigo II
 
 Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

 
    Artigo III

 Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.


    Artigo IV

Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu


Parágrafo único:

O homem confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

  
    Artigo V

Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.
 
 
    Artigo VI
 
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

  
    Artigo VII

 Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
 
  
    Artigo VIII

Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

 
    Artigo IX

Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.
 
  
    Artigo X

Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
o uso do traje branco.
 
  
    Artigo XI

Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

  
    Artigo XII

Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.


 Parágrafo único:

 Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.


    Artigo XIII

Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.


 Artigo Final:

Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.


Thiago de Mello
Santiago do Chile, abril de 1964
 


Porque hoje é dia de tristes eleições no meu país.


Por Aline Andra
 
 

sábado, 4 de outubro de 2014

Dentro dos estúdios de arte



IM INTERVIEW | JOE FIG



Quando admiramos uma obra de arte, raramente imaginamos o artista durante o processo criativo e na intimidade de seu local de trabalho. O americano Joe Fig desenvolveu essa interessante ideia a partir de sua experiência como pintor e, desde o ano 2000 - no que não deixa de ser uma homenagem -, recria em meticulosas esculturas em miniatura, os espaços de ação de pintores e escultores contemporâneos.
O modus operandi de Joe é entrevistar e observar cada um dos artistas escolhidos, tirar fotos e medir o estúdio em todas as dimensões. Cada modelo leva de quatro a oito semanas para ser construído e quase todos os apetrechos da escultura também são moldados por ele.




Jackson Pollock


Brancusi


Willem de Kooning


Matthew Ritchie


Ross Bleckner


Inka Hessenhigh


Jasper Johns


Chuck Close


Malcom Morley


Andy Warhol


Jim Rosenquist


Will Cotton


Roy Lichtenstein


Henri Matisse


Autorretrato









Fontes das imagens e pesquisa: www.artnews.com
                                                         http://photographyplayground.olympus.de
                                                         http://blogillustratus.blogspot.com.br 





 
Por Aline Andra