Aqui, faço-me imagem, som e palavra. Aqui, detenho-me, observo e aguço todos os sentidos para apreciar a Vida seguindo seu curso, com toda sua beleza e arte, em detalhes e sutilezas. Aqui, o melhor de mim. Sou Aline.
Não posso deixar de
compartilhar esta palestra de Elizabeth Gilbert, realizada no TED em 2009.
Não acompanho sua
trajetória como jornalista e escritora. Sequer li seu livro autobiográfico Comer,Rezar, Amar (Eat, Pray, Love: One woman’s search for everything across
Italy, India e Indonesia) – lançado em 2006, cujo retorno foi imediato e
estrondoso. Apenas assisti a adaptação da obra para o cinema, dirigida por
Ryan Murphy em 2010, o que nem garante seu talento e credibilidade, pois
sabemos que este tipo de filme, alavancado por atores famosos e um roteiro que,
muitas vezes, se afasta quase completamente do texto original, pretende tão
somente “pegar uma carona” no já garantido sucesso. Até aí, nada me preparou para a pessoa
carismática e inteligente que Elizabeth parece ser. Com ironia e propriedade,
ela discorre sobre o doloroso processo criativo (qualquer que seja), a pressão
e o medo do fracasso depois de um avassalador sucesso e a conexão do artista
com o divino. Vale!
e compreendas a silenciosa imensidão da tua
presença. Que tenhas alegria e paz no templo dos teus
sentidos. Que recebas grande encorajamento quando novas fronteiras acenam. Que respondas ao chamado do teu dom e encontre a coragem para seguir-lhe o
caminho. Que a chama da raiva te liberte da falsidade. Que a tua dignidade exterior reflita uma dignidade interior da alma. Que tenhas vagar para celebrar os milagres silenciosos que não buscam
atenção. Que sejas consolado na simetria secreta da tua
alma. Que sintas cada dia como uma dádiva sagrada tecida em torno do
cerne do assombro.
(do livro Ecos Eternos, de John O'Donohue -
Editora Rocco)
A variação de
distância entre o Sol e a Terra ocorre durante todo o ano assim como a
proximidade da Lua também varia em relação à Terra, pois as órbitas existentes
entre esses corpos são elipses. O sistema de marés, influenciado por essas
mudanças, acaba se tornando muito complexo. Em determinados momentos, acontecem
as harmônicas de maré, quando a água de determinado lugar fica muito baixa ou
muito alta.
Na Coreia do Sul,
entre as ilhas de Jindo e Modo, este fenômeno dá origem a um acontecimento
original conhecido como “Milagre de Moisés”, por sua semelhança com a divisão
do Mar Vermelho contada na Bíblia.
Duas vezes ao ano, por uma hora e durante a
maré baixa, uma passagem de 2,8 quilômetros de comprimento e 40 metros de
largura abre-se no mar, unindo as duas ilhas por uma faixa de terra.
Conta a lenda que,
certa vez, a ilha de Jindo foi atacada por tigres e todos os aldeãos correram
para a ilha de Modo para buscar refúgio, exceto uma idosa indefesa que
ficou para trás. Desesperada, ela orou a Deus e o mar foi repentinamente
dividido. Assim ela escapou dos ferozes animais.
Atualmente, nos
dias previstos entre abril e junho, um festival atrai milhares de turistas que acorrem ao local
para usufruir da inédita experiência de “andar sobre a água" e descobrir os tesouros do fundo do mar.
De um filme que assisti
recentemente, ficou-me apenas a frase “envelhecer não é para covardes”. Pura e
básica verdade. Realmente, não é tarefa das mais simples se olhar no espelho e
se redescobrir na nova imagem que vai se transformando a cada dia. E, creia-me,
minha vaidade - exceto alguns raros e quase desatentos momentos em que cedi às
pressões - não se preocupa em negociar ou blefar a aparência física.
Preocupa-me,
entretanto, que eu perca a vivacidade e o brilho do olhar. Que isso não aconteça!
Assim sendo, que
venha essa nova etapa, contabilizada em números, cabelo que resolvi deixar grisalho (que me valeu a perplexidade de ser chamada de "senhora"), linhas de expressão no rosto e marcas
na alma, mas que o bom humor e suas inúmeras variações estejam sempre por perto.
Estive à procura de
um lugar para chamar de meu. Um território neutro para estar com meu amado, sem
erros ou demandas. Sozinhos como sempre deveria ter sido. Sozinha como sempre
foi minha condição ideal de estar.
Vi o anúncio numa
loja de nossa rua, em pequeno e descompromissado pedaço de papel: “Alugam-se
quartos”. Pensando tratar-se de pessoa que também aluga apartamentos para
estudantes – espaços funcionais, geralmente meio detonados pela urgência de
todos os jovens e por isso mais facilitados -, telefonei. Atendeu-me
uma voz jovem e absolutamente comedida que me disse estar a alugar a casa
inteira a quem a desejasse. Desejei.
O dono da casa,
cabelos brancos e franco olhar de azul transparência, recebeu-nos no portão, acompanhado
de enorme cachorro de pelo negro, dentes arreganhados de falsa grosseria e
dulcíssimos olhos cor de mel.
Guiados por estreito
caminho, com cores e folhas batendo no meu rosto, já alertada para algo que se
adensava como uma boa surpresa, ela surgiu. E ali mesmo, me explodiu a certeza
e um ataque de pânico, pois soube de imediato que não haveria volta. Lá
ficaria. Naquele sobrado branco, de antigas janelas de madeira pintadas de
verde. Uma casa simples, mas com nobreza e muitas estórias para contar.
Na frente, um jardim
enriquecido por enorme jabuticabeira coberta de frutos, muitas flores e espaço
sobrando para mais. Um oásis perfeito de paz e silêncio a alguns minutos de uma
das ruas mais movimentadas da cidade.
A burocracia e um
advogado renitente e escandalizado com as parcas comprovações de minhas boas
intenções (escolher viver sem muitas amarras tem um preço), tornaram a
conquista dela mais difícil. O proprietário, eu desconfio, um "estrangeiro" em um
mundo que exige cautela e precaução, escolheu não correr riscos.
Mas, como muitas
vezes se comprova, estava escrito.
Sinto que a casa estava
à minha espera e um sentimento de pertencimento me invade, apesar de saber que
ela não é minha e terá prazo de validade. Durante o tempo que nos couber e por
boa parte do dia, seremos somente nós duas a proteger e cuidar uma da outra.
Não tenho medo de
seus fantasmas, caso lá habitem. Eles não arrastam correntes como muitos dos
vivos que tive o desprazer de conviver até agora. Acima de tudo, acho que perderei o medo dos pensamentos escuros e ermos que me assombram.
Haverá tanto por
fazer e aprender que a vida se afigura como um recomeço, um descobrimento da
terra prometida. Estaremos bem.
Para você, nesse novo
ano que se aproxima, eu desejo o melhor que posso imaginar. Mas, sobretudo,
desejo que também descubra o seu oásis, dentro de si mesmo ou sobre a terra. Afinal, a
diferença pode ser tênue...
O franco-canadense
Steven Spazuk optou por abandonar as técnicas conservadoras de pintura depois
de um sonho. Conta ele que, ao acordar, a certeza de realizar-se como artista,
utilizando o fogo como matéria-prima em suas obras foi absoluta.
O processo de
criação deve exigir muitas experimentações e, sem dúvida, uma boa dose de
tolerância com os eventos acidentais que, eventualmente, transformam fragmentos
de papel tingidos com a trilha de fuligem deixada por uma vela ou uma tocha em
fantásticos retratos de 2x3m.
“O fogo mudou minha
vida e me deu uma voz única. Trabalhar com o fogo é como trabalhar com a própria
sorte. O caminho necessário é tão aleatório como o caminho de um peixe na água
ou um pássaro no ar. Para mim, a espontaneidade e o acaso são o que fazem meu
processo criativo tão eficaz."
Em 1964, a Feira de Ciências e Tecnologia - realizada nos Estados Unidos - apresentou ao mundo os
mais recentes avanços e projetos. Apesar do tema
oficial da feira, que durou seis meses, ser “a paz por meio da compreensão”, o
evento é lembrado pela visão futurista arrojada e criativa, um vislumbre da
evolução humana que estava por vir.
Arthur C. Clarke
(1917-2008) já era respeitado como cientista cuja área de especialização era a
comunicação. Sua trajetória foi respeitável. Durante a Segunda Guerra Mundial,
serviu na Royal Air Force como especialista em radares, envolvendo-se no
desenvolvimento de um sistema de defesa por radar, sendo uma peça importante do
êxito na batalha da Inglaterra. Depois, estudou Física e Matemática no King’s
College de Londres. Foi um dos fundadores da British Interplanetary Society que presidiu durante dois períodos.
Nessa época escreveu Interplanetary
Flight (1950) e The Exploration of
Space (1951), obras fundamentais de divulgação dos voos espaciais, mas a
sua contribuição de maior importância foi a concepção do satélite de
telecomunicação. Em outubro de 1945, Clarke publicou na revista inglesa
Wireless World, um artigo no qual
estabelecia que os satélites artificiais poderiam se usados como relays –
estações de repetição – para comunicação entre diversos pontos na superfície
terrestre. Até então nenhum satélite artificial tinha sido lançado, o que iria
ocorrer somente em 1957.
Em seu ensaio, Clarke previu que um dia a
comunicação ao redor do mundo seria factível por intermédio de uma rede de três
satélites geoestacionários que, além de estarem situados a uma altura de cerca
de 36 000 km e espaçados entre si por intervalos iguais, circulariam no plano
do equador terrestre.
Aproximadamente duas décadas mais tarde, em
1964, Syncom 3 se tornou o primeiro satélite geoestacionário a satisfazer a
previsão de Clarke. Nesse mesmo ano, o Syncom 3 foi usado para cobrir os jogos
Olímpicos de Tóquio, quando foi possível acompanhar todos os jogos em tempo
real nos Estados Unidos – esta foi a primeira transmissão de televisão a
atravessar o Oceano Pacífico. Agora, existem centenas de satélites em órbita
permitindo a comunicação de milhões de indivíduos ao redor do globo terrestre.
Em 1954, Clarke propôs que os satélites fossem
utilizados na meteorologia. Hoje não podemos imaginar a previsão do tempo sem
os satélites meteorológicos.
Olhando para trás em relação a estes
desenvolvimentos, em “How the World Was One – Beyond the Global Village” (1992),
Clarke escreveu: “Às vezes, receio que o povo na Terra deixe de considerar a
verdadeira importância das estações espaciais, esquecendo a competência, a
ciência e a coragem daqueles que as tornaram realidade. Com que frequência você
faz uma pausa para pensar que todas as nossas chamadas telefônicas de longa
distância e a maioria dos nossos programas de televisão são transmitidos
através de um ou outro satélite? E com que frequência você dá todo crédito aos
meteorologistas pelo fato de que as previsões do tempo não são mais uma piada
como foram para os nossos avós, mas com acerto por vezes de 99%?”
Com Carl Sagan, Paul
Newman e Isaac Asimov, Clarke participou da criação da Planetary Society –
entidade direcionada para a exploração do espaço, com associados em todo o
mundo – que, além de editar uma revista bimestral – Planetary Report –,
estimula doações aos programas espaciais que, com esse objetivo, vêm realizando
pesquisas na procura de sinais de vida extraterrestre.
Em reconhecimento, o
asteróide 4923 foi batizado com o nome de Clarke, assim como uma espécie de
dinossauro Ceratopsiano, o Serendipaceratops
arthurclarkei, descoberto em Inverloch, Austrália.
Igualmente famoso
como escritor de ficção, uma de suas obras mais conhecidas foi 2001: Uma Odisseia no Espaço, adaptada
para o cinema por Stanley Kubrick em 1968 e é cultuada até hoje.
Arthur C. Clarke
traduziu a grandiosidade das descobertas espaciais na frase dirigida aos
membros da Bristish Interplanetary
Society, Londres, 1946, e que mais tarde reproduziu no “The Challenge of
the Spaceships”, (New York, Harper and Row, 1955): “Nossa civilização não é
mais do que a soma de todos os sonhos das idades anteriores. E tem que ser
assim, pois se os homens deixarem de sonhar, se voltarem as costas às
maravilhas do universo, acabará a história da nossa raça”.
Durante a feira em
Nova York, foi entrevistado e convidado a fazer previsões de como
seria o mundo 50 anos depois, ou seja, em 2014. Arthur assumiu os riscos e, com ironia e competência,
demonstrou uma acurada percepção do comportamento humano, formulando conjecturas
que acabaram por se concretizar ou estão muito próximas de nossa realidade. Genial!