terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A noite e a magia da lavanda

 
 

Quem não tem da infância, a lembrança de um cheiro de lavanda?
Sabonetes, colônias, sachets para perfumar roupas... Ela imperava. Antigamente, acreditava-se mais na eficácia dos aromas, dos chás e infusões, do poder curativo e energético das ervas de modo geral, mas acho que à medida que os quintais e/ou os valores simples foram desaparecendo, essa natural sabedoria, também. Lamento...
 
Para mim, a lavanda está associada a um sono tranquilo e sem pesadelos. Existem piores que aqueles, infantis, quando temores inexplicáveis e sensações estranhas e abissais povoam nossa imaginação?
Quando criança, durante algum tempo, fui sonâmbula. Lembro-me de minha mãe contar que depois de me seguir pela casa – fazendo louváveis esforços para não me acordar - eu costumava ir até minha penteadeira mexer nos objetos que lá ficavam. Abria o vidro da minha colônia preferida (Alfazema, da Phebo), perfumava-me e só então voltava para minha cama. Foi a partir dessa observação e do amor intuitivo maternal que passei a dormir em lençóis imaculadamente brancos (?!) e cheirando à lavanda e sol, depois de secarem no quarador do quintal. O mundo voltava a ter seus encantos...
 
Atualmente, estou tentando cultivá-las. Tem sido difícil. Planta rústica e arisca, cheia de independência. Mas tem valido a pena. Mesmo em pequenos vasos, seu perfume é invasor e envolvente. Principalmente nas madrugadas, quando me sento a seu lado, sozinha no meu jardim, para pensar na vida...
 
 
 
Pesquisei alguns dados interessantes sobre ela: popularmente chamada de lavanda, alfazema ou nardo, originária do Mediterrâneo. Os principais países produtores são a França, Itália e Inglaterra. O óleo essencial da lavanda (do latim lavare = lavar) já era utilizado pelos romanos para a lavagem de roupas, banhos, aromatização de ambientes e como produto terapêutico. Sua gama de propriedades é imensa: analgésico, antidepressivo, antisséptico, bactericida, descongestionante, relaxante e hipotensor.
 
Uma lenda cristã diz que a lavanda, originalmente, não tinha cheiro, mas desde que a Virgem Maria secou as fraldas do menino Jesus sobre as folhas da planta, ela ganhou um perfume celestial.
 
Na era vitoriana, as mulheres a usavam em travesseiros que cheiravam para se recuperarem dos desmaios causados pelos corpetes apertados.
 
Conta-se que na época da Peste os habitantes de Grasse (França) não foram atingidos pela doença devido ao costume de perfumar suas luvas de couro com lavanda.
 
Era também colocada nos beirais das janelas para evitar a entrada de escorpiões e outros insetos.
 
Lendas, curiosidades e propriedades à parte, a simples visão de um campo de lavandas é indescritível. Abaixo, algumas imagens. Podemos nos imaginar lá, sentindo o perfume inigualável, o vento, a chuva, o sol, a lua, o silêncio e a consciência de que vivemos num planeta criado à perfeição.
 
 
 
Fonte das imagens: Google
 
 
Por Aline Andra

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